Guerra ao Mosquito 0 980

Doença faz repensar velhos hábitos tão inocentes quanto fatais que ajudam a espalhar males que já deviam estar controlados

Surto ou epidemia, uma coisa é certa: a dengue é uma preocupação nacional, para não dizer internacional. Em tempos de febres viróticas, fortalecidas pelo mal uso de medicamentos, principalmente antibióticos, e da volta do barbeiro da doença de Chagas, é de se alarmar quando se ouve qualquer notícia relacionada a doenças que poderiam ser consideradas fora de época, por ter características tão tropicais e tão terceiro mundistas como as febres que tanto acometeram os portugueses que vieram desbravar esse lado do mundo.

Essa “febre” de ressurgimento de epidemias que antes pareciam controladas tem uma explicação científica: desmatamento acentuado e o aumento da temperatura. Se por um lado, o poder público precisa ficar atento para evitar que essas doenças se espalhem, por outro, é necessário um processo de conscientização da população.   

“O controle do mosquito e prevenção da doença é uma responsabilidade conjunta entre o governo municipal e a coletividade”, afirma José Carlos Moschin, biólogo da Supervisão de Vigilância à Saúde de Vila Prudente/Sapopemba. Trocando em miúdos: não dá mais para ficar na inocência nem fazer meas culpas em relação à doença. É necessário, isso sim, tomar medidas preventivas que evitem quadros como aos que se assiste hoje no Rio de Janeiro. Cidades paulistas como Araraquara e Ribeirão Preto já estão em alerta, e a Prefeitura lançou no fim de abril uma campanha de prevenção e combate ao mosquito, como forma de aplacar qualquer suspeita que possa haver.

Como são ações um tanto invasivas, pois mexem com hábitos do cotidiano das pessoas, fica difícil a atuação desses agentes. Afinal, não é sempre que as pessoas estão dispostas a mostrar o fundo do quintal, seus vasinhos de plantas, a tampa da caixa d´água, entre outros detalhes importantes que podem parecer um tanto inocentes, mas fazem a diferença nessa luta.

O mosquito Aedes aegypti, conhecido por também transmitir a febre amarela, dura apenas 45 dias, o suficiente para contaminar mais 300 pessoas que irão contrair a doença, que se manifesta num período de 3 a 15 dias. Os sintomas clássicos da doença são dor de cabeça e nos olhos, febre alta, dores musculares e nas juntas, manchas vermelhas na pele e fraqueza geral.

O biólogo José Carlos Moschin explica que quem pica é a fêmea, seus hábitos são diurnos, diferente do pernilongo, e as razões são de sobrevivência para a espécie: ao sugar o sangue, este fornece as proteínas necessárias para o desenvolvimento dos ovos. Também explica que apenas o mosquito contaminado por picar alguém já doente, é que vai passar a doença adiante.

E como não existe vacina contra esse “novo” mal que acomete a população, fica o ditado velho, porém sábio: “melhor prevenir do que remediar”.

DICA DO ESPECIALISTA

Não existe vacina e a única forma de prevenção é o combate ao vetor, portanto, ao combate!

Para evitar a proliferação dos mosquitos, há necessidade de se eliminar, primeiramente, os locais que acumulam água e servem de criadouro, principalmente em nossas residências, como:

pratos de vasos de plantas devem ser removidos; tampinhas, latinhas e embalagens plásticas devem ser jogadas no lixo e as recicláveis guardadas em local livre da chuva; latas, baldes, potes e outros frascos devem ser guardados com a boca para baixo; caixas d’água devem ser mantidas fechadas com tampas inteiras, sem rachaduras ou cobertas com tela tipo mosquiteiro; piscinas devem ser tratadas com cloro ou cobertas; pneus sem uso devem ser furados e guardados em locais cobertos; lonas, bacias, brinquedos devem ficar em áreas cobertas, longe das chuvas; entulhos ou sobras de obras devem ser cobertos, destinados ao lixo ou “operação cata-bagulho”; calhas, telhados e lajes devem ser limpas periodicamente para o bom escoamento da água; ralos devem estar limpos e telados ou com desinfetantes (água sanitária).

Além dessas atitudes, é importante que as pessoas colaborem com os agentes de Saúde/ Zoonoses, permitindo a sua entrada nas residências para a verificação de focos do mosquito.

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