Casas flutuantes 0 888

Cheios de detalhes, barcos se transformam em pequenas casas que levam seus moradores para um passeio em alto-mar

O título dessa matéria não é exagero. Se você entrar em alguns dos barcos mais modernos que existem é bem capaz de se sentir dentro de uma casa, já que não faltam conforto e sofisticação. Detalhes como taças de cristal, microondas, adega e até máquina de lavar e secar roupas são mimos cada vez mais comuns nas embarcações de quem gosta de se aventurar no balanço das ondas. “O que não deve ser colocado em um barco é aquilo que nunca será útil. O resto, conseguindo um cantinho, a gente pode colocar”, explica Karol de Paula, decoradora náutica da Intermarine, um dos estaleiros mais conceituados do Brasil.

Quando fala em cantinho, Karol se refere a uma das peculiaridades da decoração náutica: o aproveitamento de espaço. Por maior e mais confortável que seja o barco ele é bem menor do que uma casa e a decoração precisa ser pensada dentro de suas limitações. Mais do que isso, precisa ser pensada não apenas estética, mas também funcionalmente. Com olhar treinado pela experiência de 15 anos na área, Tânia Ortega (que presta serviços com exclusividade para o estaleiro Spirit Ferretti, e administra a Tutto Tesutti, empresa especializada em tecidos outdoor) conta que o segredo é encontrar soluções que otimizem espaço. Assim, um barco pode parecer uma “caixa de mágicas”, com a parte de cima de um degrau de escada levantando e virando um baú, um armário que abre para os dois lados, entre muitos outros truques. “Tudo é aproveitável e não se pode perder nada de espaço”, diz.

Para deixar sala, quarto, cozinha, banheiro e área externa com jeito de cômodos de casa, as decoradoras buscam os recursos mais modernos e tecnológicos que existem. Há um cuidado todo especial em escolher móveis e objetos que tenham resistência à maresia e às intempéries climáticas a que serão submetidos. Além disso, todo o trabalho de decoração náutica precisa ser feito com uma supervisão técnica para que o peso dos materiais não interfira no rendimento da embarcação. Quando todas as exigências técnicas forem preenchidas, basta deixar espaço livre para a criatividade. E hoje em dia, elas encontram muito mais espaço para a ousadia do que há dez anos, quando os barcos eram vistos apenas como um lugar para encontros fortuitos com os amigos. Hoje, são considerados uma extensão da casa, um lugar onde muitas famílias passam vários dias descansando. Por isso, o conforto se tornou mais do que fundamental.

Os materiais pensados exclusivamente para esse mercado ajudam a deixar o barco com jeito de casa. Na parte de tecidos, por exemplo, esqueça os emborrachados. Com o avanço tecnológico já é possível usar texturas mais elegantes, como veludos, cheniles, linhos ou sarjas sem medo de que sejam danificados pela exposição ao sol, vento, chuva ou maresia. Totalmente impermeáveis, têm resistência à umidade, desbotamento e abrasão.

Suíte master de barco da Intermarine é espaçosa, tem closet e iluminação indireta
A cozinha do barco da Yatch tem forno, geladeira, organizadores e armários
A área externa do barco da Ferretti tem banheira de hidromassagem com deck para relaxamento
A integração das áreas interna e externa por porta de vidro amplia o ambiente desse barco da Yatch

Detalhes, como louças, vasos, porta-retratos, enfeite, aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos também contribuem para o aconchego dessas casas flutuantes. “Tudo pode ser usado em um barco, com exceção de prata e objetos que não tenham base reta. Na verdade, só depende do tamanho do barco e da necessidade de quem vai usufruir do espaço. Hoje colocamos, por exemplo, taças de cristal com titânio – que são mais resistentes – adegas, cofres, máquinas de lavar e secar roupa”, explica Karol. Na maioria das vezes, os decoradores entregam a embarcação completa, incluindo a parte de enxoval. “O cliente entra apenas com o champanhe na mão”, diz Tânia.

As cores também ganharam mais destaque nas embarcações brasileiras. Se antes a maior parte delas tinha uma decoração clássica, em tons sóbrios, hoje é possível ousar de acordo a personalidade do dono. Há uma grande variedade de cores, estampas e texturas que podem ser usadas. “O que permitiu uma grande virada nesse mercado foi a adaptação das tendências européias ao estilo brasileiro, bem tropical. Onde tivemos mais mudanças foi na pintura dos costados. Antes, era sempre branco ou azul-marinho e agora temos costados em tons de bordô, verde, amarelo, azul claro, marrom, entre outros. E muitos clientes gostam de combinar os tons da decoração do interior do barco com a cor do costado”, conta Karol.

O surgimento de novos revestimentos também trouxe mais possibilidades ao mercado da decoração náutica. “Ainda é muito comum usarmos corino, porém, já existem revestimentos muito mais sofisticados como uma espécie de palha que pode ser molhada. Isso é ótimo porque ficamos livres para colocar o que quiser nas paredes e tetos e deixar o barco com um ar mais aconchegante e cara de casa”, conta Tânia. “Já existe também um piso que imita a madeira e que pode ser molhado. Fica super bacana e a pessoa tem a sensação plena de estar pisando em madeira. É maravilhoso”, completa.

Como se vê, quem não fica enjoado com o balanço do mar tem tudo para embarcar nessa aventura.

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