Letícia Colin 0 3362

Na pele da dependente química Amanda, atriz valoriza pegada social de “Onde Está Meu Coração”

A dependência química é assunto recorrente na teledramaturgia. Letícia Colin, porém, vê a série “Onde Está Meu Coração” como uma guinada sobre a temática diante das câmeras. Na pele da jovem de classe média-alta Amanda, a atriz interpreta uma brilhante médica que se envolve com o mundo das drogas. Letícia, que gravou a série há mais de três anos, celebra a oportunidade de ver a urgente discussão chegar à tevê aberta na grade da Globo. “A dependência química é uma doença. A série vai fundo no tema. Precisamos avançar na maneira de tratar a adicção química na nossa sociedade, baixar a guarda do preconceito e hipocrisia e partir para um diálogo mais maduro”, defende.
A produção narra a trajetória da idealista Amanda. De uma família estruturada e amorosa, ela se vê imersa em um mergulho profundo na dependência química e acaba carregando junto consigo todos os que ama. Do ponto de vista material, sempre teve tudo, mas, acaba encontrando na droga um alívio para o seu próprio abismo existencial. “É um trabalho de renascimento, de segunda chance, de reconexão com a própria essência, de resgate da dignidade, todos esses assuntos são universais”, afirma.

Gravada em 2019, a trama de “Onde Está Meu Coração” chegou primeiramente ao Globoplay. Como é ver o projeto estrear finalmente na tevê aberta?
Eu, pessoalmente, comemoro muito porque a gente precisa se conectar com esse tema e essa série ajuda muito às pessoas que vivem esse drama, pois ela traz soluções e aponta para caminhos. Quem gosta de histórias densas, vai gostar demais de “Onde Está Meu Coração”. É um dos trabalhos que eu mais tenho orgulho de ter feito.

Que tipo de reflexões sobre dependência química a série pode gerar no público?
É um trabalho de renascimento, de segunda chance, de reconexão com a própria essência, de resgate da dignidade, todos esses assuntos são universais. Precisamos avançar na maneira de tratar a adicção química na nossa sociedade, baixar a guarda do preconceito e da hipocrisia e partir para um diálogo mais maduro. As drogas existem, os usuários são vítimas sociais por vários motivos diferentes e a dependência é uma questão de saúde e não de polícia. A dependência química é uma doença. A série vai fundo no tema.

De que forma?
A série emociona como uma grande história de renascimento. É um trabalho premiado, reconhecido nacional e internacionalmente, então, quanto mais pessoas tiverem acesso a ele, mais oportunidade de se fazer pensar no assunto de um jeito diferente. É uma série com uma trilha sonora muito forte e linda, com um jeito de filmar especial e ousado da Luísa Lima (diretora artística). É um trabalho com muitas conquistas, então, quando ele chega para novas pessoas na tevê aberta, a gente consegue um monte de vitórias.

Por conta da série, você chegou a ser indicada na categoria “Melhor Atriz”, do Emmy Internacional 2022. Qual a importância dessa indicação em sua trajetória?
São mais aprendizados, né? Os aprendizados são muitos e a indicação ao Emmy foi um momento lindo na minha vida, é uma indicação que fica para sempre. Fiquei imensamente feliz. Nosso trabalho é a vitória do amor, da delicadeza e da força de contar uma história sobre ter uma segunda chance. É possível superar a dependência química e reinventar sua vida. Estar lá (na premiação) vendo atores do mundo inteiro que também levam suas histórias e seus dramas. Foi uma vitória importantíssima do projeto.

Por quê?
Pessoas do mundo inteiro que assistiram à série – são mil jurados – e compreenderam por que essa série tem uma linguagem universal, que é a linguagem do amor, da superação, que se conecta com todas as pessoas. Foi bom sentir que a nossa história chegou tão longe. Eu ganhei a APCA, que é um grande prêmio brasileiro, que eu jamais poderia pensar em ganhar um dia e eu tive a sorte de receber – são tantos trabalhos bons de outras atrizes.

A jornada da Amanda, ao longo dos capítulos, é muito intensa. Como foi seu processo de criação da personagem?
Conversei com muitos psiquiatras, fui aos CAPs (Centro de Atenção Psicossocial). Fui em reuniões dos Narcóticos Anônimos. Tirei várias dúvidas sobre como funcionava o sistema. Fui na Cracolândia. Ao contrário do que muitos pensam, é um local de afeto e família também. É algo completamente diferente daquele olhar de medo que as pessoas pintam. São pessoas que se protegem, pessoas que têm sonhos. São pais, filhos, irmãos… Mudou a minha vida olhar no olho daquelas pessoas.

Como assim?
É muito cômodo colocar esse olhar marginalizado na Cracolândia. Foi muito bom olhar diretamente nos olhos daquelas pessoas e ver que há uma pessoa ali. A Cracolândia é um espaço de resistência. Estamos lidando com um assunto complexo. Não estive na Cracolândia como quem vai ao zoológico. Respeito absurdamente cada pessoa que cedeu o seu tempo para conversar comigo e sentou ao meu lado.

Quais características da Amanda chamaram a sua atenção ao topar participar da série?
Acho que a vulnerabilidade. O ser humano é vulnerável e isso é lindo, é o que nos faz ter identificação com o outro, abandonar as nossas defesas e pedir ajuda. A nossa capacidade de amar vem de ser vulnerável. E a vulnerabilidade é o que nos fragiliza também, nos confunde, nos angustia, nos desencoraja, nos aprisiona. A Amanda quer se provar uma médica tão boa quanto o pai e não aceita sua limitação e suas falhas. Ela não dá conta da vida como todos nós porque é uma ilusão achar que temos controle sobre a vida. O mundo condena a vulnerabilidade do outro, aponta como uma fraqueza, como uma displicência, sendo que isso é a única condição que nos faz todos iguais.

Promoday OEMC Leticia Colin

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