
Milhares de brasileiros só descobrem a doença após complicações
Cansaço frequente, sede excessiva, dificuldade de cicatrização e visão embaçada. Sintomas aparentemente comuns podem esconder um problema sério: a diabetes. Considerada uma das doenças crônicas que mais crescem no mundo, a condição ainda é descoberta tardiamente por milhares de brasileiros, muitas vezes apenas após complicações mais graves.
Dados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil possui mais de 16 milhões de adultos vivendo com diabetes, colocando o País entre os que concentram o maior número de casos no mundo. A estimativa é que esse número continue crescendo nos próximos anos, impulsionado principalmente por fatores ligados ao estilo de vida, como sedentarismo, alimentação inadequada e obesidade.
SINAIS DE ESTRESSE
O problema, segundo especialistas, é que a doença pode evoluir silenciosamente durante anos. “O diabetes tipo 2 costuma avançar de forma discreta. Muitas pessoas convivem com alterações na glicemia sem perceber, porque os sintomas aparecem gradualmente ou acabam sendo confundidos com sinais de estresse e cansaço do dia a dia”, explica endocrinologista, Verônica Leite.
Segundo o Ministério da Saúde, o diabetes tipo 2 representa cerca de 90% dos casos da doença e está diretamente associado a hábitos de vida. O cenário preocupa principalmente pelo aumento dos diagnósticos em pessoas mais jovens.
COMPLICAÇÕES SÉRIAS
Além dos impactos na qualidade de vida, o diagnóstico tardio pode favorecer complicações sérias, como problemas cardiovasculares, insuficiência renal, perda de visão e danos neurológicos. “Quando o paciente descobre o diabetes apenas após uma complicação, significa que o organismo já vinha sofrendo os efeitos da glicose elevada há muito tempo. Por isso, o acompanhamento preventivo faz toda a diferença”, destaca Verônica.
Outro ponto de atenção é que muitos brasileiros ainda associam o diabetes exclusivamente ao consumo de açúcar, ignorando outros fatores importantes. Privação de sono, estresse crônico, sedentarismo e excesso de alimentos ultraprocessados também contribuem para o desenvolvimento da doença.
PREVENÇÃO, DIAGNÓSTICO PRECOCE E MUDANÇA DE HÁBITOS
A endocrinologista reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e mudança de hábitos. “O diabetes não é mais uma condição restrita à população idosa. Hoje, vemos a doença avançando em diferentes faixas etárias, muito ligada ao estilo de vida moderno. A informação e o acompanhamento médico são fundamentais para evitar que o diagnóstico aconteça tarde demais”, finaliza.









