O câncer bucal pode acometer qualquer região da boca 0 2542

O mês de maio é marcado por uma das campanhas mais importantes para a saúde pública: o Maio Vermelho, dedicado à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer bucal. A iniciativa busca ampliar o conhecimento da população sobre os fatores de risco, os sinais de alerta e a importância das consultas odontológicas regulares.
A professora Dulce Helena Cabelho Passareli, estomatologista e patologista bucal, reforça que a campanha tem papel essencial na redução dos casos avançados da doença. Para ela, o Maio Vermelho é uma oportunidade de conscientizar e educar. “O diagnóstico precoce do câncer de boca aumenta significativamente as chances de cura e reduz o impacto do tratamento na qualidade de vida do paciente”, afirma.

UMA DOENÇA SILENCIOSA
O câncer bucal pode acometer qualquer região da boca, sendo mais frequente na língua, no assoalho bucal e nos lábios. Muitas vezes, os primeiros sinais passam despercebidos ou são confundidos com pequenas irritações.
Segundo a cirurgiã-dentista, os sintomas iniciais incluem úlceras que não cicatrizam, manchas brancas ou avermelhadas, nódulos ou alterações persistentes na mucosa oral. Ela alerta que qualquer alteração que permaneça por mais de duas semanas deve ser investigada.
Apesar da gravidade, a especialista reforça que, quando diagnosticado precocemente, o câncer bucal apresenta altas taxas de cura, que podem ultrapassar 80% a 90%. Isso reforça a importância da atenção aos sinais e da consulta regular ao dentista.

DIAGNÓSTICO PRECOCE
O tempo é um dos elementos mais determinantes no tratamento. “Quanto mais cedo for o diagnóstico, melhores serão as opções de tratamento, menores os riscos de metástase e maior a chance de cura”, explica a estomatologista.
Além disso, quando a doença é identificada no início, o tratamento costuma ser menos agressivo, preservando funções essenciais como fala, mastigação e estética facial — fatores que impactam diretamente a qualidade de vida do paciente.

DIAGNÓSTICO TARDIO
Infelizmente, grande parte dos casos ainda é descoberta em estágios avançados. Nesses cenários, o tratamento se torna mais complexo e pode envolver cirurgias extensas, radioterapia e quimioterapia.
A especialista destaca que as consequências são profundas: “Nos estágios avançados, o tratamento costuma ser mais complexo. Isso impacta diretamente a alimentação, a fala, a autoestima e a qualidade de vida do paciente, além de reduzir as chances de cura.”

DOENÇA DE CAUSA MULTIFATORIAL
O câncer bucal é uma doença multifatorial, ou seja, resulta da combinação de diversos fatores. Entre os principais, estão:
#1 Tabagismo;
#2 Consumo excessivo de álcool;
#3 Exposição solar sem proteção, especialmente no
caso do câncer de lábio;
#4 Infecção por HPV;
#5 Má higiene bucal;
#6 Desnutrição;
#7 Traumatismos crônicos, como bordas cortantes de
dentes ou próteses mal adaptadas;
#8 Fatores genéticos.
A especialista reforça que muitos desses fatores podem ser evitados com mudanças simples no estilo de vida.

COMBINAÇÃO PERIGOSA
O tabaco é um dos maiores vilões da saúde bucal. Ele contém substâncias cancerígenas que lesionam continuamente os tecidos da boca. O álcool, por sua vez, potencializa esses efeitos.
“O álcool potencializa a ação das substâncias do tabaco, aumentando significativamente o risco de desenvolvimento do câncer bucal, especialmente quando associado ao tabagismo”, explica a patologista bucal.
Essa relação reforça a importância do Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, que chama a atenção para os danos causados pelo cigarro e incentiva hábitos mais saudáveis. A especialista lembra que o tabagismo também está associado a outros problemas bucais, como periodontite, perda óssea e manchas nos dentes.

PREVENÇÃO
A prevenção é o caminho mais eficaz para reduzir os casos de câncer bucal. Entre as medidas recomendadas pela estomatologista estão:
#1 Evitar o tabagismo;
#2 Reduzir o consumo de álcool;
#3 Manter boa higiene bucal;
#4 Usar protetor labial com FPS;
#5 Realizar consultas odontológicas periódicas.
Esses cuidados ajudam tanto na prevenção quanto no diagnóstico precoce.

AUTOEXAME NÃO SUBSTITUI O DENTISTA
O autoexame da boca é uma ferramenta simples e acessível que pode ajudar na identificação precoce de alterações. Ele deve ser feito diante do espelho, observando língua, gengivas, bochechas, céu da boca e lábios em busca de manchas, feridas ou lesões persistentes.
“O autoexame é um modo importante de observação, embora não substitua a avaliação profissional do cirurgião-dentista”, reforça a estomatologista.
Ela destaca que qualquer alteração que persista por mais de duas semanas deve ser investigada por profissionais capacitados. “O especialista no diagnóstico e tratamento de doenças bucais é o estomatologista”, lembra.

INFORMAÇÃO E PREVENÇÃO
Para a docente, a principal mensagem da campanha é clara: informação e prevenção salvam vidas.
“O câncer bucal pode ser prevenido e, quando diagnosticado precocemente, o percentual de cura é muito elevado”, afirma. Ela reforça que os cirurgiões-dentistas — especialmente os estomatologistas — são os profissionais indicados para prevenção e diagnóstico.
“Que os cuidados com a saúde bucal e geral, e a busca por avaliação profissional diante de qualquer alteração, sejam atitudes essenciais para um diagnóstico precoce e um tratamento mais eficaz”, conclui.
E deixa um último conselho: “Procure sempre o cirurgião-dentista se houver dúvida em relação à sua boca.”

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