Agatha Moreira 0 3265

Atriz encarna a ambiciosa Graça, de “Terra e Paixão”

Agatha Moreira tinha diversas expectativas quando deu início aos trabalhos de “Terra e Paixão”. A atriz, que vive a mimada Graça, sabia que tinha nas mãos uma personagem com muitas nuances de personalidade e caráter. Ainda assim, a atriz tem visto uma repercussão diferente em relação a seu trabalho diante das câmeras. “Em um primeiro momento, a Graça é uma personagem com muitas falhas no caráter, mas tem uma série de questões internas que a humanizam. Ela virou aquela vilã que a gente ama odiar. A nossa querida vilã (risos). Não vejo as ações dela como atos de maldade puro e simples. E acho isso ótimo porque a construção fica bem mais complexa e rica”, aponta.
Na história das nove, Graça faz de tudo para entrar na família La Selva. Inicialmente, era noiva de Daniel, papel de Johnny Massaro. Mas com a morte do advogado, ela acaba direcionando suas garras para Caio, de Cauã Reymond. Sofisticada, ela sonha com festas elegantes e viagens. “O problema é que a Graça é condicionada a seguir um caminho. Desde novinha, ela foi ensinada a correr atrás de um bom casamento, um marido perfeito. Ela tem esse fardo de salvar a família da miséria”, aponta.

A trama de “Terra e Paixão” marca seu quarto encontro com o texto de Walcyr Carrasco. Como está sendo reeditar essa parceria mais uma vez diante do vídeo?
Eu venho fazendo uma boa sequência de vilãs do Walcyr (risos). Mas estou muito feliz de participar de “Terra e Paixão”. Gosto muito do texto do Walcyr e acho que vou me habituando cada vez mais. Esse projeto tem uma qualidade incrível. Estou ao lado de uma equipe impressionante e de colegas de elenco maravilhosos. A Graça já passou por muitas questões na história. Não há qualquer monotonia na trama.

A Graça tem uma trajetória de altos e baixos ao longo dos capítulos. Você ainda consegue enxergar a personagem dentro desse lugar de vilania?
Acho a Graça um reflexo dos lugares que a gente cresce, do ambiente em que vive e da família que se tem. Ela está inserida naquela família completamente guiada por aparências. Vive de aparências. Então, ela se tornou essa menina de aparência também. Ela seguiu um script que foi ensinado a vida toda. Não vejo as ações dela como maldosas. Acho que ela visa um bem comum, mas muitas vezes esse bem comum é meio deturpado na cabeça dela. Acho que estamos para ver a Graça começar a pensar por si própria.

Como assim?
Ela vinha sendo muito influenciada, né? Pela mãe ou pela Irene (Gloria Pires). Depois de ser abandonada no altar, acho que ela meio que deixou de ser trouxa e começou a agir por conta própria. Ela era muito manipulável e agora começa a arquitetar as coisas com a própria cabeça.

A Graça reforça uma sequência de vilãs suas no vídeo. Você chegou a temer soar repetitiva diante das câmeras?
Não. Por mais que seja a minha terceira vilão do Walcyr, eu sinto que ele consegue diferenciar bem. São personagens de universos completamente diferentes. Isso é muito bom porque exige mais de mim como atriz. Sou muito grata ao Walcyr porque ele me deu personagens complexas e desafiadoras. A Graça não está nesse universo de ganância ou ambição das grandes metrópoles. Entendi bem isso na viagem ao Mato Grosso Sul.

De que forma?
Quando eu estive lá, eu pude experimentar e entender como funciona esse universo. Conversei com muita gente por lá para entender os sonhos deles, como lidam com a vida, a estrutura família e a estrutura comercial. É um local de famílias muito ricas, mas nem todos têm acesso a grandes marcas ou grifes. O sotaque me ajudou muito a formular tudo também. As ambições da Graça são totalmente diferentes das ambições da Josiane, de “A Dona do Pedaço”. A Josi queria apenas ser rica e milionária, né? A Graça é meia princesinha do agro (risos).

Com tantas nuances da personagem, como tem sido a receptividade do público?
Está bem legal. Eu vejo que as pessoas estão sabendo separar minhas personagens. A Josiane, por exemplo, era muito odiada, mas a Graça o pessoal tem um pouco mais de empatia. Tenho recebido uma resposta positiva até no sentido das críticas da maldade da própria personagem.

A Graça conta com muitas cenas de reviravolta ao longo do enredo. Alguma gravação foi mais marcante?
Tive cenas bem intensas até aqui. Mas acho que o embate da Graça com a família mexeu comigo. Eu estava tremendo após a gravação. Naquele momento, ela bota pra fora esse sentimento do fardo que ela carrega. Porque ela carrega a obrigação de ter de salvar a família da falência. A Graça é a única esperança da família e aí ela solta que eles só falam disso e que com os sentimentos dela ninguém se preocupa. Ela está sempre tentando fazer o que ela acha que é certo e melhor para os pais, sempre pensando nos outros, nas tradições que ela foi criada.

Há pouco mais de 10 anos no vídeo, como você enxerga sua evolução diante das câmeras?
Acho que mudei muito meus caminhos de construção. Nós atores buscamos usar diversas ferramentas ao longo da vida, dos estudos, dos nossos cursos… Já usei muita coisa minha para emprestar para personagem. Mas atualmente só estou conseguindo trabalhar com os sentimentos da personagem. Quando estou em cena, sou 100% a Graça. Não tenho nenhum tipo de referência da Agatha.

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