Barba, cabelo e dreadlock 0 2716

Saúde, funcionalidade e estética juntas na hora de tosar cães

O grande número de pet shops espalhados pelo Tatuapé é a mais clara evidência da importância que os animais de estimação têm na vida das pessoas. Por considerá-los membros da família, os proprietários querem sempre que seus companheiros tenham uma boa aparência e lotam as lojas em busca de serviços como banho e tosa. Mas, apesar de parecer uma preocupação puramente estética, a tosa dos pelos dos cães está ligada à manutenção da saúde do animal e também à sua funcionalidade.

SAÚDE

Se for verdade que sempre que cortamos nossos cabelos eles embaraçam com menor frequência, o mesmo acontece com os cães. A tosa mensal é indicada para evitar que haja formação de nós que, posteriormente, podem causar dermatites. “Os cães que não são tosados com frequência apresentam pelos muito embaraçados. Com o tempo, eles viram grandes nós que não secam após as lavagens ou mesmo com o suor natural. Essa umidade causa problemas de pele, que acabam ficando muito tempo escondidos”, explica o tosador Rogério Marcondes Correia. Há 15 anos cuidando da pelagem dos cães tatuapeenses no pet shop Irmãos de Tesoura, Rogério é conhecido por cortar o pelo dos animais utilizando tesoura – e não a famosa maquininha. O estilo por ele adotado é conhecido no mundo da cinofilia por trimming. O mais comumente visto nos pet shops, entretanto, é o gromming, que é o corte dos pelos com a máquina.

Apesar de ter um ar mais sofisticado, o trimming não serve só para aqueles cães que participam de exposição. “Utilizamos o trimming nas raças que tem pelo liso, como Yorkshire, Maltês, Lhasa Apso e Shih Tzu. A máquina só é utilizada como último recurso, no caso de cães que apresentam o pelo muito embaraçado”, explica Rogério.

FUNCIONALIDADE

A tosa dos cães que participam de exposições é um capítulo à parte. Apesar de parecer engraçada ou exagerada para leigos, ela é de fundamental importância para esconder defeitos ou enaltecer qualidades dos cães competidores. Além disso, a maneira com que o pelo é cortado está diretamente relacionada à funcionalidade do cão, ou seja, ao trabalho no qual o cachorro se destaca por sua maior habilidade. Quando vemos a barba e a grande sobrancelha de raças como Schanuzer, Fox Terrier ou Scottish Terrier, não nos damos conta que essas raças foram desenvolvidas no início da sua criação (e ainda são utilizadas) para caçar roedores em suas tocas. Essa quantidade maior de pelos ao redor da boca, olhos e nariz são extremamente úteis, pois diminuem a agressão caso um dos roedores resolva “atacar”.

Nos Poodles, aqueles pompons estrategicamente deixados na tosa servem para proteger as articulações. Já, a raspagem ou a tosa curta em outras partes são recomendadas por facilitar a natação daqueles que precisam entrar na água para exercer suas especialidades.

Os poodles têm a pelagem ideal para a aplicação dos dreads

ESTÉTICA

Em novo paralelo com os seres humanos, obviamente a tosa nos cães pode ser apenas um capricho estético. Nesse caso, os tosadores têm cada dia criado novidades para atrair os clientes. No pet shop Irmãos Tesoura, por exemplo, eles costumam colocar piercings nos cães. Mas de mentira, claro! “Os donos sempre pedem para que colemos um piercing de mentira na cabeça (perto da sobrancelha) ou na orelha”, diverte-se Rogério.

A necessidade de inventar moda é tanta quando se fala de estética canina que foi criado até um curso para ensinar os funcionários de pet shop a fazer dreadlocks em cães. Com mais de 30 anos de experiência, a esteticista Roseli Figueiredo resolveu aprender a fazer os penteados popularmente utilizados por pessoas do movimento rastafári depois de ver cães com dreads estampando a capa de revistas japonesas. “Eu queria muito trazer essa tendência para os cães brasileiros. Fiz curso de dreadlocks em humanos e adaptei para os cães”, explica Roseli. No curso ministrado por ela no Pet Center Marginal, os interessados aprendem a trançar fios sintéticos presos com elástico nos pelos e a envolvê-los com lã colorida. “Os dreads são bem leves e não incomodam o cão, que pode ficar até um mês com eles”, recomenda Roseli.

Kátia Kubo fez o curso de dreads e hoje utiliza a técnica em seu pet shop localizado em Pirassununga, interior de São Paulo. “Algumas pessoas acham engraçado, mas a maioria gosta bastante, pois já está cansado de ver seu cachorrinho sair do pet shop depois do banho ou da tosa com lacinhos de cetim”.

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