Centro de Desenvolvimento e Capacitação Avape 0 819

Para inserir pessoas com deficiência no mercado de trabalho, a Unidade Avape Belenzinho oferece cursos profissionalizantes e programas de capacitação

Thiago de Andrade Portes, 24, possui Síndrome de Asperger, um distúrbio emocional parecido com o autismo, fala espanhol fluente e é praticamente um autodidata. É a prova viva de que pessoas com algum tipo de deficiência podem ter uma vida ativa, realizar sonhos e ir muito longe. Thiago é um dos 200 alunos que frequentam cursos do Centro de Desenvolvimento e Capacitação Avape (Unidade Belenzinho), uma das unidades da Avape (Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência) espalhadas pelo País que oferece cursos de capacitação profissional a pessoas com deficiência física e intelectual. “Com o apoio dos meus pais, vim em busca de uma oportunidade de trabalho e, durante esse tempo, consegui adquirir muita tranquilidade e confiança em mim mesmo. Me sinto muito preparado e estou ansioso para ser contratado. É só me chamarem”, diz Thiago. Com relação ao espanhol, que realmente impressiona, ele conta que aprendeu muita coisa sozinho. “Fiz um curso rápido, mas passava horas lendo livros e assistindo a TV para pegar o sotaque. Acho uma língua muy guapa (muito bonita)!”, diz. Futuramente, pretende fazer faculdade de Letras e Geografia.

O trabalho da Avape é muito importante na sociedade atual, já que os empresários precisam se enquadrar à Lei de Cotas, que determina que empresas acima de 100 funcionários tenham de 2% a 5% do total de seu quadro de funcionários preenchidos por pessoas com deficiência. O não cumprimento dessa lei pode acarretar em uma série de problemas, incluindo multas. E justamente para ajudar as empresas, e também as pessoas com deficiência, a Avape estruturou um centro de capacitação que oferece cursos gratuitos, apostilados e certificados nas áreas de Auxiliar Administrativo, Operador de Computador, Alimentador de Linha de Produção, Porteiro e Almoxarife. “A maioria dos alunos vêm das periferias da Zona Leste e das proximidades do bairro, com o apoio dos pais, vibrantes pela oportunidade e ansiosos pela contratação”, conta Sonia Alakaki, gerente de Processos de Aprendizagem da entidade, que já tem 30 anos de história no Brasil.

A unidade do Belém funciona desde abril deste ano no prédio do antigo Colégio Saldanha Marinho, na Av. Celso Garcia, que foi comprado reformado e adequado pelo Stilacafé (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados, do Açúcar e de Torrefação e Moagem e Solúvel de Café e do Fumo dos Municípios de São Paulo). O subsídio vem de empresas que querem e precisam preencher as vagas exigidas pela Lei de Cotas. “A manutenção, a captação e capacitação dessas pessoas, o mapeamento de vagas e de acessibilidade, a orientação jurídica, o processo de seleção e o acompanhamento dos mesmos e de seus familiares são realizados pela Avape”, destaca Sonia.

Outro exemplo de superação entre os alunos é o do garoto Douglas Couto Black, 20, portador de paralisia cerebral. Corajoso, ele chegou na Avape com o pai, mas desde então vem acompanhado apenas pelos colegas. “Ele tem dificuldade para falar e escrever, mas desde que entrou aqui, a cada dia melhora a comunicação, o raciocínio e a desenvoltura. Assim como todos os outros alunos, Douglas recebe uma atenção especial, de acordo com a necessidade dele. Por isso temos resultados tão bons”, afirma a coordenadora de projetos Maria Nosch, porta-voz do garoto.

Em fase de conclusão do segundo curso na unidade, Douglas tem dois grandes sonhos: arrumar um emprego e tirar carteira de motorista. O primeiro ele está perto de realizar, já para alcançar o segundo, o garoto enfrenta, há dois anos, uma verdadeira luta. “As autoescolas e o Detran ainda não estão preparados para fazerem valer os direitos das pessoas com deficiência, não tendo métodos cabíveis para a realização das provas”, indigna-se Alexandra Panagoulias, presidente do Comitê de Responsabilidade Social da Brukcham (Câmara de Comércio, Indústria e Serviços Brasil – Reino Unido), uma das principais parceiras do projeto. “Ainda temos muito que fazer para vencer obstáculos como esse. Mas estamos dispostos a auxiliá-lo”, completa.

Nas oficinas de produção, os alunos fazem um trabalho efetivo, porém terapêutico, com produtos enviados pelas empresas

OFICINAS DE PRODUÇÃO

A Avape também oferece oficinas terapêuticas, como parte do programa de reabilitação profissional. Nelas, os alunos podem experimentar, na prática, um ambiente que simula o contexto de trabalho. “Funciona como um espaço de transição para o mercado de trabalho, no qual a pessoa constrói, de modo vivencial, a identidade profissional. Com frequência diária e em período integral, eles participam de oficinas de produção de artesanato e brindes, marcenaria, recepção, recreação e jardinagem, entre outras atividades”, conta Alexandra.

As atividades acontecem em grupos e individualmente, com o acompanhamento e a orientação de médicos e monitores, supervisionados por psicólogos e assistentes sociais. “Eles fazem um trabalho efetivo, com produtos enviados pelas empresas, mas não têm meta, é mais terapêutico. Nesse processo de desenvolvimento, os jovens são avaliados conforme suas características, aptidões, interesses e habilidades, e podem estimular o interesse para ‘abraçar’ uma futura carreira profissional”, diz Sonia.

Centro de Desenvolvimento e Capacitação Avape
Av. Celso Garcia, 1.600 – Belenzinho.
Tel.: 2081-3821.
www.avape.org.br

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