
Lázaro Ramos sempre foi reconhecido pelo sorriso fácil e pela energia carismática que transmite em cena e fora dela. Um sujeito alegre, que costuma levar leveza para os papéis e para o público, agora se vê diante de um desafio diferente: dar vida a um personagem carrancudo, ambicioso e manipulador. Essa mudança de registro tem exigido bastante do ator em cena para dar vida ao vilão Jendal, de “A Nobreza do Amor”. “É um lugar que não estou acostumado a estar. Geralmente, o sorriso de Lazinho está sempre presente. Mas isso tem sido um exercício cênico maravilhoso”, aponta.
Em “A Nobreza do Amor”, Jendal se declara rei de Batanga após um golpe. Obcecado por Alika, papel de Duda Santos, obriga a princesa a se casar com ele depois de ameaçar matar o casal real. Quando a princesa foge do reino sem consumar o casamento, Jendal oferece uma recompensa milionária por sua cabeça. “Nunca foi um sonho da minha vida fazer vilão. Meu sonho era fazer herói. Quando Elisio me convidou para o projeto, quis muito fazer. Está sendo uma descoberta e um prazer falar coisas absurdas e maldades, além de acompanhar esse universo que vem sendo contado”, explica.
Você coleciona uma série de heróis e mocinhos em sua trajetória na tevê. O que mudou dentro de você ao aceitar viver um vilão pela primeira vez?
Mudou a percepção de que o vilão também é um território fértil para descobertas. Eu nunca tinha transitado por esse lugar, principalmente na televisão, e percebi que há um prazer em falar absurdos, em explorar maldades, porque isso também revela muito sobre o ser humano. É como se eu estivesse começando de novo na profissão.
Ainda que tenha uma série de atitudes cruéis, o Jendal carrega toques de humor. Como você dosa esse tom cômico com as vilanias?
R – Ele é patético porque se leva muito a sério e isso gera humor involuntário. Mas ao mesmo tempo, é um homem ambicioso, manipulador e vaidoso. Esse contraste é o que dá vida ao personagem: rir dele, mas também temer o que ele pode fazer.
Você já comentou que não defende o personagem. Como é possível interpretar alguém sem justificar suas ações?
Eu não defendo porque ele comete atos condenáveis. O que eu faço é tentar entender suas motivações. A história do mundo está cheia de jendais, pessoas que, ao terem poder nas mãos, se tornam tiranos. Eu busco esse espelho histórico para dar verdade ao personagem.
Você chegou a se inspirar em figuras reais para dar vida ao Jendal?
Ele dialoga diretamente com muitas realidades. A novela é divertida, mas também é um espelho. Ela nos faz refletir sobre o que fazemos quando temos poder nas mãos.
Como foi seu trabalho de construção para essa novela?
Tenho encarado essa novela muito pela ótica do teatro. Acho que isso traz profundidade. No teatro, cada detalhe é pensado, e eu levo isso para a novela. Não é apenas sobre decorar falas, mas sobre construir camadas, entender intenções, dar densidade. Isso torna o trabalho mais difícil, mas também mais prazeroso. E essa novela tem um texto muito gostoso para se debruçar.
Por quê?
O texto é incrível. Eu queria estar nessa novela pela beleza da história, pela importância de inaugurar uma estética nova, pela presença da primeira princesa negra. Eu me encantei pela fábula antes de saber quem eu seria dentro dela.
O figurino parece ter sido uma chave para você compreender Jendal. O que a roupa revelou que o texto ainda não tinha mostrado?
Quando coloquei aquelas joias grandes e pesadas, entendi o lugar que ele queria ocupar no mundo. O figurino me deu a dimensão da vaidade dele, da necessidade de ostentar poder. É como se cada peça fosse um símbolo da sua ambição.









