Embaixador do pôquer 0 1603

Primeiro brasileiro contratado pelo maior site de pôquer do mundo, o PokerStars, o tatuapeense André Akkari conta como é a carreira de um jogador profissional

Dos softwares para as mesas de pôquer. Nascido no Tatuapé e casado com Paula Akkari, o pai de Giovanna (11) e Maria Eduarda (5) viu sua vida mudar por completo há quase cinco anos, quando teve o primeiro contato com o universo das fichas e cartas. André Akkari era sócio de uma empresa especializada no desenvolvimento de sites, quando recebeu uma proposta para desenvolver o projeto de um site de pôquer. Ele pesquisou o tema e conheceu as salas de pôquer online que, logo, viraram seu hobby preferido, e, meses depois, transformaram-no em um verdadeiro profissional.

Hoje, André colhe os resultados da intensa dedicação à profissão e por defender o pôquer como um esporte e não ‘jogo de azar’, como muitos consideram. Em 2009, passou um ano com a família em Las Vegas, onde criou o site educacional TV Poker Pro em parceria com Alexandre Gomes, também integrante do Team PokerStars. Em 2010, de volta ao Tatuapé, ele pode ser visto na ESPN Brasil, como comentarista de pôquer nos programas do canal. Os seus melhores resultados ainda são em disputas online, mas o jogador já começou a participar de torneios ao vivo, o que significa que novidades devem surgir em breve.

Com muita simpatia, André concedeu uma entrevista exclusiva à nossa revista, contou detalhes e curiosidades da carreira, e revelou suas três grandes paixões: a família, o pôquer e o Tatuapé.

Por que você começou a jogar pôquer?

Em maio de 2005, tive o primeiro contato com o esporte. Trabalhava com desenvolvimento de sites e fui fazer um orçamento para um site de pôquer. Para fazer a proposta, precisava conhecer melhor o sistema, então fiz um download e, após o expediente, comecei a jogar como hobby. Ganhava mil dólares de bônus (gratuitos) para brincar no site. Não valia nada, mas me despertou muito o interesse. Passei a assistir aos programas da ESPN Brasil e, mesmo com a situação financeira ruim, consegui comprar um livro para me aprofundar no assunto. Um tempo depois, em janeiro de 2006, já tinha um ganho regular no jogo, ou seja, meu ganho era sempre maior do que o que eu trabalhava. Conversei com a minha esposa e decidi arriscar. Os meus sócios na empresa de software também me apoiaram. Eles me disseram: “Vai lá, se não der certo, depois de um ano você volta para cá. Enquanto isso, ninguém compra sua parte”. Eles foram excepcionais e, graças a Deus, deu tudo certo.

como é a rotina de um jogador de pôquer?

Sou patrocinado pelo maior site de pôquer do mundo, que é o PokerStars, então tenho algumas obrigações com a mídia. O grande mote é que eles criam uma estrela, mas para isso você precisa ter boas respostas na ponta da língua. Tenho que passar uma boa imagem, entender como o pôquer funciona e, principalmente, saber como colocar isso para a sociedade. Normalmente, de uma a duas vezes por semana, gravo o programa da ESPN e, no site, preciso jogar uma cota de horas por semana, mas isso tiro de letra porque é muito prazeroso. Acordo por volta de meio dia e começo a jogar às 15 horas. Se o jogo estiver indo bem continuo até às duas horas da manhã; caso contrário, lá pelas 23 horas já estou liberado.

Quais argumentos você usa para defender o pôquer como esporte e não jogo de azar?

Em torneios de 3 ou 4 mil pessoas, as finais são quase sempre com os mesmos 15 jogadores, ou seja, não é sorte, é competência, habilidade. Sem falar nos argumentos técnicos, como os estudos feitos por universidades americanas, especialistas e matemáticos, que tratam e provam que o pôquer é um ato sério. Eu sou o lado marqueteiro do movimento, mas tem muita gente que trabalha nos bastidores para conseguir todas essas vitórias do esporte. O resultado não poderia ser diferente: há pouco mais de um mês, a Federação Internacional dos Esportes da Mente (IMSA) reconheceu oficialmente o pôquer como esporte mental, de estratégia, assim como xadrez e damas, o que deve ajudar a melhorar a forma como esse esporte é visto no mundo.

André Akkari ficou conhecido como o embaixador do pôquer Latino Americano, por defender o pôquer como um esporte e não ‘jogo de azar’

O que é mais importante: o jogo que você tem em mãos ou observar o do outro?

O pôquer não tem nada a ver com carta. Essa é a maior falsa imagem que existe. Na verdade, a posição em que você está na mesa é muito mais importante do que cartas. O jogo é a simulação de uma realidade favorável a você, o famoso blefe. Ser o último a falar, ouvindo as informações de todos, faz com que você tome a decisão correta. É necessário ter uma disciplina de jogar tais cartas e tais posições e estudar bastante. A teoria é mais importante do que a prática, principalmente no começo. Se você não gastar pelo menos quatro horas por dia estudando, assistindo a vídeos técnicos, e entendendo a parte estratégica do jogo, ou seja, a matemática, você não consegue ter diretriz, por mais prática que tenha. Quanto mais concentração e tranquilidade o jogador tiver, mais certas serão suas estratégias.

Qual o maior orgulho e a maior decepção que você já teve na sua carreira?

Não tenho nada negativo para contar. Fui me consagrando através dos programas de que participo na ESPN e, é claro, pelos meus resultados. As pessoas me conhecem como o embaixador Latino Americano do pôquer, pois batalhei muito para mudar a imagem negativa de jogo de azar. Fora isso, passo 60% do ano fora do País, o que tem seu lado bom e ruim. Infelizmente, fico longe das minhas filhas e da minha esposa, mas por outro lado, não tenho do que reclamar. Ainda tenho muitos planos para o futuro, estou no início da carreira, mas como no Brasil o pôquer é muito novo, quem está começando acaba aparecendo bastante. Meus melhores resultados são online, no entanto, ultimamente, tenho participado de grandes torneios ao vivo, então, agora, tenho boas chances de conquistar importantes competições desse segmento.

Você nasceu no Tatuapé. Qual é a sua relação com o bairro?

Tenho casa, família e grandes amigos aqui. Nasci na Rua Martins Pena e estudei em três colégios do bairro. Meu amor pelo Corinthians também vem do Tatuapé. Tenho muito orgulho desse lugar, pois acredito que o que forma nosso caráter é o ambiente onde a gente cresce. Hoje, aluguei uma chácara, para passar momentos tranquilos com minha família. Mas é no Tatuapé que está a minha vida.

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