Paixão por adrenalina 0 894

Radical e ousado, o skatista tatuapeense Fábio Sleiman conta como é a vida de um esportista disciplinado e vitorioso

Foi amor à primeira vista. Quem conhece o esportista Fábio Sleiman, de 33 anos, sabe bem do que estamos falando. Apaixonado por adrenalina e movido pelo desafio, o skatista se arrisca em manobras ousadas em sua prancha de quatro rodas desde que tinha nove anos. “Quando eu era criança, ia sempre na casa de uma tia na Vila Matilde e ficava fascinado vendo os skatistas pularem uma rampa na rua. E foi ali que tudo começou”, lembra.

Hoje, ele coleciona títulos, é reconhecido mundialmente, tem tênis com a sua marca e ainda participa de comerciais e filmes. Mas passar de admirador à atleta profissional não foi uma tarefa fácil. Depois de alguns anos, Fábio já andava razoavelmente bem e sentiu confiança para entrar em uma competição de iniciantes. “Eu dormia e acordava pensando em skate. Conquistei bons pódios em campeonatos amadores. As pessoas comentavam que meu nível já era profissional, então decidi levar a sério. Mas foi preciso muita determinação e disciplina para conseguir o meu lugar ao sol”.

Como não existe conquista sem batalha, com ele não foi diferente. “Quando comecei, o esporte não era muito popular, existiam poucas pistas e meus pais não tinham condições de bancar os equipamentos e acessórios de segurança. Lembro que andava com a sola do tênis sempre rasgada, porque o skate detona o sapato. Hoje, depois de muito esforço, tenho vários pares de tênis, skates novos todo mês e ainda posso ajudar quem precisa”, afirma.

Entre as principais conquistas do skatista, estão: um campeonato Sul Americano (Argentina), prêmios em importantes competições da LG em Rimini (Itália), Berlin (Alemanha) e Roeun (França), além de um sétimo lugar no Campeonato Mundial, no ano passado. Sem falar que ele foi o único brasileiro a descer um dos corrimãos mais famosos e temidos do mundo, o El Toro 20, situado na Califórnia. São 25 degraus, com um corrimão redondo dividindo a escadaria. Segundo conhecedores do assunto, descer o El Toro representa um verdadeiro divisor de águas para a carreira dos skatistas.

Tanto sucesso não se deve só ao talento, mas também à rotina adotada pelo esportista. “Para chegar aonde cheguei, faço do skate não só o meu trabalho, mas também a minha filosofia de vida. Não bebo absolutamente nada de álcool, não saio para baladas, não fumo e nunca experimentei drogas. Faço academia todos os dias, tenho uma alimentação saudável e durmo bem. Esse conjunto é muito importante para qualquer atleta. Se vivo do esporte, preciso cuidar da minha saúde, corpo e mente, para fazer o que mais amo nessa vida, que é praticá-lo”. Tanto que não larga de seu fiel companheiro nem mesmo nas horas de lazer. “O skate é uma terapia para mim. Durante minhas folgas, fico com ele e com os meus amigos, ou então ensaio nos saltos das pistas do Parque Linear Tiquatira, na Penha, ou em São Bernardo, que tem vários obstáculos bons”, conta.

O skatista Fábio Sleiman leva uma vida regrada em nome do esporte e quer servir de exemplo para crianças e jovens que se interessem pelo skate

RECONHECIMENTO E INCENTIVO

De alguns anos para cá, o skate cresceu muito no Brasil. Hoje, basta dar uma volta por praças, parques e ruas residenciais para se deparar com muitos garotos adeptos não só do esporte, mas também do estilo e da moda dos skatistas. Para Fábio, mais do que simplesmente um esporte, o skate pode ser visto como um meio de inclusão social e uma forma de fazer com que muitas crianças e jovens tenham uma ocupação. “Esse incentivo deixa a chama do skate acesa e pode tirar vários adolescentes carentes das ruas, dando a eles uma nova motivação de levar o nome do Brasil, com muito orgulho, para o mundo afora”, incentiva.

E com a sua própria história, ele sente orgulho em ser um exemplo e espera que muitos garotos possam, um dia, sentir o que ele sente hoje, quando é reconhecido pelo talento que tem sobre o skate. “Fico feliz de saber que sou admirado pelo que faço. Tento passar algo positivo para que as pessoas olhem o skatista com outros olhos, e hoje sinto que isso acontece e nossa categoria é respeitada. Além do mais, adoro servir de exemplo para as crianças e jovens se interessarem pelo esporte”.

ORGULHO DO TATUAPÉ

Fábio nasceu e vive no Tatuapé, de onde não se permite sair. “Conheço o bairro de ponta a ponta. Apesar de viajar bastante, minha vida está toda aqui. Acompanhei cada passo do crescimento da nossa região. Hoje, tudo que eu preciso encontro aqui, inclusive uns espaços legais para ‘surfar’ com meu skate pelas ondas de cimento e metal”, diz, referindo-se à Praça do Bom Parto e à Praça Silvio Romero.

Fã dos skaters Sandro Dias (Mineirinho), Tarobinha,  Og de Souza, Chad Bartie e Tony Howk pela seriedade, simplicidade e positividade que transmitem nas pistas, ele se considera uma pessoa premiada por ter o skate em sua vida. E, para o futuro, planeja viajar para conhecer novos lugares onde possa praticar a sua grande paixão. “Em junho, estarei na Europa. Devo passar uma temporada de uns dois meses por lá para participar dos principais campeonatos mundiais”, conta.

Haja fôlego, talento, coragem e ousadia para enfrentar tantos corrimãos e escadarias enormes, rampas alucinantes e linhas em velocidades inimagináveis. A gente fica cansado (e encantado) só de olhar!

Saiba mais: Se você quer ver o skatista em ação, procure pelo nome dele no youtube. Há vários vídeos de Fábio fazendo suas manobras, inclusive em pistas fora do Brasil. Em um deles, ele mostra a pista do Parque Linear Tiquatira, na Penha, onde foram feitas as fotos que ilustram essa matéria.

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