A arte de fazer política 0 942

Com garra e determinação, subprefeito reúne ingredientes de sucesso para administrar seis distritos na Zona Leste

À primeira vista, quando se depara com alguém como ele, tem-se a impressão de que se trata de um jovem consultor, bem nascido, de bem com a vida e muito pouco preocupado com o que pode acontecer ou deixar de acontecer numa cidade tão complexa como São Paulo. Engano total, pois quando se trata de alguém como Eduardo Odloak, subprefeito da Mooca, e de bairros vizinhos como Tatuapé, Pari, Brás, Água Rasa e Belenzinho, essa lógica é totalmente contrária. Eduardo é assim, boa pinta, de fina estampa e completamente envolvido com tudo que acontece na cidade, em especial nessa porção do centro expandido e da Zona Leste.

Traçar um perfil de uma pessoa assim é um enorme desafio, pois são tantos qualificativos que fica a impressão de que não se disse tudo. Mas vale o esforço de destacar essa figura ilustre de nossa região.

Eduardo começou cedo na política, e por mérito próprio, como gosta de lembrar, alcançou credibilidade dentro do partido que abraçou e com isso, assumiu postos de relevância. “Comecei minha carreira na política aos 18, e com 20 e poucos anos já era presidente do Conselho Estadual do Governo do Estado. Não tive nenhum parente para me indicar, então tive que bater na porta e conquistar meu espaço. Tem que gostar muito, ter muita dedicação e vontade para seguir em frente e alcançar resultados”, comenta.

Seu papel mais importante foi ajudar na construção de uma força jovem que mobilizasse politicamente essa faixa etária hoje em dia tão alheia aos problemas que a cercam. Não é à toa que se tornou presidente do Conselho Estadual da Juventude e foi coordenador do projeto que criou a Secretaria da Juventude de São Paulo, onde assumiu o cargo de assessor especial.

Foi também assessor parlamentar da Casa Civil do Governo Estadual de São Paulo, gestão Geraldo Alckmin, coordenando o grupo técnico de Juventude, dentro do Comitê Gestor de Política Social. Seu extenso currículo, aqui resumido, fez com que fosse indicado para assumir, em 2005, a Subprefeitura da Mooca, quando já exercia o cargo de chefe de gabinete.

Considerado um dos subprefeitos mais jovens da cidade, Eduardo logo mostrou garra para assumir uma posição de tamanha responsabilidade e perseverança para lidar com as diferenças de cada distrito sob sua guarda administrativa.

FAZENDO ARTE

Mas nem só de política vive o jovem subprefeito: outra de suas grandes vertentes está no mundo das Artes Plásticas, mais precisamente da pintura em tela, papel que desempenha com a mesma desenvoltura e talento. Basta uma tela em branco, pincel e tintas. Criatividade não falta.

Eduardo estudou com renomados profissionais, como foi o caso dos irmãos Bastiglia, importantes artistas especializados em recuperação de prédios históricos, como a Igreja do Mosteiro de São Bento. Freqüentou também o curso de desenho Cândido Portinari e a Faculdade de Belas Artes de São Paulo.

Como artista plástico, vale ressaltar que Eduardo participou de mais de 50 exposições, muitas das quais lhe conferiram troféus, medalhas de bronze, ouro e prata. Foi destaque no Salão Paulista de Belas Artes e, em 2005, realizou exposição individual no Clube Paulistano, onde expôs vários de seus mais recentes quadros.

Eduardo Odloak retrata nas telas a sua paixão pelo mar
“Nado de Gabriela”, óleo sobre tela, do artista Eduardo Odloak

O seu trabalho reflete profunda intimidade com o mar, já que o mergulho é outro de seus hobbies. A técnica utilizada em seus quadros realça as cores, conferindo-lhes luminosidade, influência claramente obtida de seus estudos com Fernando Bastiglia.
Por força da agenda lotada de fazer inveja a qualquer top model, o artista Eduardo tem deixado de lado o hobbie de pintar.

Afinal, são vistorias quase que diárias, ações rotineiras e especiais, eventos, atendimento ao público, despachos com o secretário, reuniões, entre outras atividades que consomem mais de 15 horas por dia de seu agitado cotidiano. De qualquer forma, Eduardo deu um jeito de se manter próximo do mundo da pintura, ao idealizar e implantar o Supremo – Salão de Artes da Subprefeitura Mooca, que ganhou duas edições (em 2005 e em 2006). Também instalou o Jardim das Esculturas em frente ao prédio sede da Subprefeitura, incentivou concursos culturais, promoveu apresentações musicais e instalou o monumento aos 450 anos da Mooca.

De sua experiência profissional pode-se destacar, ainda, a participação em vários projetos no Terceiro Setor, ligados à inclusão social de jovens, quando presidente da Julad – Juventude Latino Americana pela Democracia. Como diretor-presidente da OBJ – Organização Brasileira da Juventude, trabalhou na formação e discussão de Políticas Públicas em todo país, que culminaram na formação de 735 líderes e gestores, e da rede de jovens vereadores do Nordeste.

Especialista em assuntos de desenvolvimento político e social para populações com faixa etária entre 15 e 24 anos, Eduardo Odloak já fez vários cursos no exterior e participou de inúmeras palestras, cursos e seminários nacionais e internacionais.

Conheceu experiências de políticas Públicas para Juventude desenvolvidas em vários países, entre eles, Espanha, Argentina, EUA e Portugal, tendo, inclusive nesse último, participado da 1ª Conferência Mundial de Ministros de Juventude em Lisboa, no ano de 1998.

Qualquer administrador de partes que compõem uma metrópole como São Paulo, sabe o desafio que lhe aguarda. Com Eduardo Odloak, que administra bairros ímpares como Brás, Tatuapé e Mooca, não é diferente. Ele encara o desafio diário, integra o mosaico de diversidades étnico-culturais, e confessa estar preparado para novos desafios, em entrevista exclusiva à Revista do Tatuapé.

Como é estar à frente de uma Subprefeitura que reúne contrastes de bairros como Mooca, Pari e Brás, por exemplo?

É uma experiência extraordinária, pois todas as ações são percebidas imediatamente pela população. É uma oportunidade para conhecer os problemas de perto, identificar prioridades e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

A Mooca possui uma população bairrista (no bom sentido), que tem muito orgulho de sua origem, os moradores participam de tudo o que é feito na região. O fato de ter nascido e sempre vivido aqui me ajudou a conhecer melhor as pessoas, detectar dificuldades bem como encontrar soluções.

No caso do Brás e do Pari o desafio foi maior. Quando me deparei com problemas graves de ocupação de espaço público e questões criminais, foram necessárias providências enérgicas, com ações persistentes. Afinal, foram mais de 20 anos de descaso do poder público que resultou naquela situação de degradação, observada em 2005, e que naquele momento passava a ser de nossa responsabilidade. Só para se ter uma idéia, no caso do Largo da Concórdia, a Subprefeitura não podia fazer uma simples limpeza sem pedir permissão aos “donos do lugar”. A população era intimidada por uma verdadeira máfia que mandava e desmandava em áreas públicas. O caso despertou tanta indignação que buscamos apoio para enfrentar o problema. Hoje, o local pertence a todos, pois voltou a ser uma praça. Houve manifestações agressivas e ameaças, mas cumprimos a lei e quem ganhou foi a cidade.

Largo da Concórdia: famoso pela consolidada ocupação por mais de 800 ambulantes ilegais. Hoje (foto acima) é uma praça com jardim e árvores, de livre acesso para todos

Você poderia avançar numa carreira brilhante como artista plástico, no entanto, enveredou pelo universo da política. O que o levou a fazer essa escolha?

A pintura é apaixonante, assim como trabalhar para mudar, melhorar uma região. Dedico-me às artes como uma válvula de escape, uma forma de abstrair do cotidiano, de interferir no meio através da representação artística. Já a política é a própria ferramenta da transformação do mundo em que vivemos. Qualquer alteração que se deseja numa região, ou no país, se faz através de governos. Se há esperança de um futuro melhor, ele será conseqüência do que fizermos agora, cada um de nós tem um papel nisso e eu sempre desejei fazer parte desse processo, escrever uma linha dessa história.

Como você faz para driblar os conflitos da comunidade? Como lida com isso?

A população dessa região tem mostrado muita atenção e apoio às ações que desenvolvemos, acho que isso é o mais importante. Quando decidimos enfrentar irregularidades, sabíamos que estávamos mexendo com interesses que sempre se beneficiaram das coisas erradas. Tenho ignorado alguns tipos de críticas, pois sei que seus formuladores não queriam mudança alguma. Acredito que devemos nos pautar pelo interesse da maioria, pelo interesse público. Só assim conseguiremos mudar nosso futuro.

O que você realizou dentro da política que é motivo de satisfação para você?

Entre as ações de governo, acho que a retomada dos espaços públicos foi a nossa marca e a maior satisfação foi o resultado. Quando lembro de como eram algumas áreas e agora observo como estão, fico muito feliz em estar colaborando com tudo isso. Entre os exemplos que merecem destaque estão o Largo da Concórdia, totalmente reformulado, e o Largo do Pari (vide box). Recuperamos mais de 70 mil m² de áreas públicas em nossa região e isso é um marco importante para a auto-estima da nossa cidade.

O que São Paulo tem de mais bonito, na sua visão?

A diversidade! Não conheço nenhum lugar que reúna tanta diversidade de culturas como São Paulo. Essa é a nossa grande riqueza. A contribuição de cada etnia propiciou que a cidade se tornasse uma das mais importantes do mundo. O PIB da cidade é de R$ 263,2 bilhões e supera 22 estados americanos. Se São Paulo fosse um país, estaríamos entre os 50 mais ricos do planeta. Só para ilustrar: somos a terceira maior cidade italiana do mundo, a maior cidade japonesa fora do Japão, a maior cidade portuguesa longe de Portugal, a maior cidade espanhola fora da Espanha e a terceira maior cidade libanesa fora do Líbano.

Largo do Pari: antigamente era ocupado ilegalmente por caminhões, servindo de entreposto clandestino. Hoje, é uma praça reformada (Foto acima)

Existe uma cidade ideal?

A cidade ideal é aquela onde nos sentimos e vivemos bem, em harmonia com o meio ambiente. Todas as cidades possuem problemas e no nosso caso, para resolvê-los, precisamos de instrumentos mais eficientes para impor regras a todos e acabar com a impunidade que só estimula a violência. Os serviços devem funcionar e atender bem a população, tanto os públicos como os privados, e precisamos fortalecer valores individuais sobre direitos e deveres. Se a cidade ideal é uma utopia, não podemos nos cansar de buscá-la.

Quais são seus próximos projetos quando deixar a Subprefeitura?

É difícil programar isso, pois o cargo é uma prerrogativa do prefeito, mas gostaria muito de continuar defendendo e lutando pelas coisas nas quais acredito. O PSDB tem muito a fazer para a melhora na qualidade de vida dos brasileiros. Meu projeto é estar sempre à disposição, para enfrentar os desafios que o meu partido entender que eu possa colaborar.

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