Arte abaixo de zero 0 976

Esculturas em gelo de Adriano Elias, morador do bairro do Belém, são requisitadas para eventos empresariais e sociais de todo o País

Coisas boas podem acontecer quando se aceita um desafio. Foi assim para o escultor Adriano Elias, morador do bairro do Belém. Há cerca de 10 anos, quando já era um exímio escultor de frutas e legumes – transformando materiais como abóboras e melancias em verdadeiras obras de arte – ele recebeu um pedido inesperado.

“Um casal me pediu uma escultura de um dragão. Mas eles queriam que fosse feito de gelo”, lembra-se Elias. Até então, o artista nunca tinha feito – e nem visto – uma escultura feita desse material. Mas isso não foi motivo para que ele desistisse.

Sem medo do que poderia acontecer, Elias foi à luta. Armado com uma faca de cozinha, ele começou a moldar blocos de gelo de 25 quilos. O tão desejado dragão acabou não dando certo. Mas a corajosa tentativa lhe rendeu a experiência necessária para a promissora carreira que se iniciava.

“Pesquisei muito e descobri como trabalhar com gelo e a usar as ferramentas corretas”, conta. Um de seus aprendizados foi que o gelo comum não era ideal para esculturas, em razão das bolhas e da opacidade. Hoje, o artista acrescenta um aditivo à água, o que resulta em um gelo mais cristalino.

A partir de então, Elias não parou de receber pedidos de esculturas de gelo. Através de participações em diversos programas de televisão – como o “Mais Você”, de Ana Maria Braga, e o “Tudo é Possível”, de Eliana, Adriano Elias se tornou conhecido em todo o País e atualmente seu trabalho é um dos mais requisitados em eventos sociais e empresariais.

MIL E UMA FORMAS

Cada evento pede uma escultura diferente, mas o portfólio do artista revela que ele é capaz de esculpir quase tudo em gelo. Em seus dez anos de carreira, Elias contabiliza mais de 5 mil esculturas. Logomarcas, automóveis, animais, cenas esportivas, instrumentos musicais, móveis, figuras humanas, casas e castelos – até a réplica de um Buda de três metros e meio de altura – foram algumas de suas criações.

Em um de seus trabalhos recentes, Elias criou um cubo de gelo de quarenta toneladas, cheio de produtos eletrônicos, como parte de uma promoção de um shopping em São Paulo. Ganhava os produtos quem descobrisse em quanto tempo a escultura derreteria por completo – o que, nesse caso, demorou quase dez dias.

De acordo com o artista, a duração de uma escultura de gelo é proporcional ao seu tamanho – quanto maior for  a peça, maior a durabilidade. Em média, as obras feitas por Elias duram 12 horas. Um dado curioso é que, segundo o artista, as peças vão ficando cada vez mais bonitas com o passar das horas. Para o trabalho ficar ainda mais exuberante, Elias ilumina as obras com luzes coloridas especiais, que não apressam o derretimento.

Por sua excentricidade, as esculturas de gelo acabam provocando reações exaltadas dos apreciadores. “Todos se surpreendem e a maioria quer tocá-las”, revela Elias. Talvez a reação mais inusitada ocorreu quando a obra de arte representava uma mulher sensual. “Não é preciso nem contar o que aconteceu”, ri o artista.

Quem quiser saber mais sobre o trabalho de Adriano Elias pode visitar o site.
O ateliê fica na rua Marquês de Abrantes, 81, no Belém. Informações: 2698-6065.

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