Luto: o lado ruim do lado bom 0 529

Por Vanessa Santos Silva Vidal

Psicóloga e Terapeuta Cognitivo Comportamental

Costumo dizer aos meus pacientes que o luto é o lado ruim do lado bom. O que quero dizer com isso? Nós só sofremos por alguém ou algo em que há um vínculo afetivo, portanto, sofremos porque amamos. O processo do luto é algo muito doloroso, mas imagine se você não tivesse pelo que chorar? Qual sentido teria sua vida? O que quero dizer é que você está chorando por algo que realmente te trouxe alegria, foi essa pessoa e esses momentos que deram sentindo a sua vida.

De acordo com a psicologia o luto está relacionado a qualquer tipo perda em que há um vínculo afetivo, por isso pode ser um animal, uma pessoa e até mesmo um objeto. No entanto, quero focar no luto por morte. O luto é um processo normal e, portanto, esperado após a perda de alguém muito importante, trata-se de uma fase de transição, que não vai durar para sempre. A recuperação demanda tempo, atenção e esforço. Quanto tempo? O seu tempo! Cada luto é único, assim como cada ser humano, precisamos aprender a lidar com essas diferenças.

Este processo envolve grande estresse afeta-nos como um todo: sentimentos, sensações fisiológicas, cognições e comportamentos. Perder uma pessoa querida é uma das experiências mais difíceis para o ser humano, definitivamente não é uma tarefa fácil, porque além das alterações mencionadas a pouco, temos a missão de reorganizar nossas vidas sem esta pessoa, além disso, precisaremos lhe dar com estresses secundários a esta situação e aprender a fazer as atividades que eram executadas pela pessoa morta. Tanto os enlutados quanto seus amigos e parentes precisam entender que a perda provoca uma vasta gama de reações, que são consideradas naturais. Chorar, falar somente sobre o luto é algo natural. Além disso, é importante aceitar todos os sentimentos para ficar bem consigo mesmo.

A forma como o luto é vivenciado dependerá de vários fatores como as características da pessoa que está vivendo o luto, experiências prévias de perda, idade do enlutado e do falecido, se é morte natural ou acidental, repentina ou não, religião, os valores culturais, as habilidades de enfrentamento, apoio social, entre outros. Todos esses aspectos podem facilitar ou não o processo do enlutado.

Então, quando procurar ajuda profissional? Como foi dito o luto é diferente para cada pessoa, podendo durar meses e até anos. O momento apropriado para buscar ajuda profissional é quando o luto coloca a vida ou a saúde da pessoa em risco como, por exemplo, quando há: sintomas de transtornos mentais, abuso de álcool e/ ou outras drogas e até mesmo vontade de acabar com a própria vida. A ajuda profissional pode ser solicitada e é válida em qualquer momento, mas principalmente nos casos mencionados acima.

Vanessa Santos Silva Vidal
CRP 06/92480
Site: www.psicologavanessasantos.com
Instagram: @psi.vanessasantos
Mais informações e sugestões de pauta: nessa291@hotmail.com

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