Mooca – 464 Anos 0 436

Tradição e modernidade se misturam no bairro

A força do local se dá também no amor de quem defende a região com unhas e dentes

Fundada em 17 de agosto de 1556, a Mooca festeja os seus 464 anos de existência. As comemorações são mais do que justas, pois o bairro passou por momentos difíceis em sua história. Apesar disso, a área pertencente à Zona Leste resistiu e atualmente está entre os lugares mais procurados por empreendimentos residenciais e comerciais, construtoras, investidores e novos moradores. A força do local se dá em sua tradição e também no amor de quem vive e defende a região com unhas e dentes.

MODERNOS EDIFÍCIOS
Dessa forma, é possível comprovar o ressurgimento da Mooca por meio da opinião de especialistas do setor imobiliário. Segundo eles, há um processo de transformação no qual fábricas e indústrias de outrora cederam e continuam cedendo espaços para novos e diversificados negócios. A proporção de importância alcançada pelo bairro oferece espaço para modernos edifícios, alguns deles sofisticados, e agências bancárias.

JUVENTUS
O processo de desenvolvimento da região fez com que novas áreas verdes fossem implementadas, como o Parque Sabesp. Além disso, ainda dentro do tema lazer e esporte, o clube de coração do mooquense, o Juventus, está se fortalecendo e mostrando toda a sua garra.
E isso pode ser visto nos treinamentos da equipe para a disputa da Série A 2 do Campeonato Paulista. Por determinação do governo do Estado, apenas as regiões na fase amarela de flexibilização podem receber partidas de futebol. Dos 16 clubes que disputam o Campeonato Paulista da Série A2, 14 poderão atuar em suas casas na retomada da competição. A tendência é de que apenas Audax e Votuporanguense não possam jogar em casa.

O bairro possui características muito próprias que o distinguem de todos os demais de São Paulo

PRAÇA ALFREDO DI CUNTO
E por falar em lazer, os moradores da Mooca estão lutando pela preservação da Praça Alfredo Di Cunto, mais conhecida como horta das flores. Trata-se de uma área de quase 6 mil metros quadrados que é considerada parte do “pulmão” do bairro. Atualmente, voluntários responsáveis pela manutenção da horta promovem atividades comunitárias no local, abertas à população, e estimulam os moradores do entorno a usufruírem do espaço.
No local há, também, bromélias, orquídeas, paus-brasis, jequitibás-brancos, ipês e jatobás. Para quem deseja algo mais frutífero, no pomar pode se encontrar abacate, banana, manga e tomate, entre outros alimentos. Mesmo com o esforço apresentado, existia a promessa do ex-prefeito João Doria de que seriam construídas moradias populares no terreno. Agora, o prefeito Bruno Covas apresentou uma Parceria Público Privada fazendo com que a Cohab cedesse a área para o consórcio Engeform-Telar, que ficaria responsável pela construção de moradias populares para pessoas com renda entre 2 e 5 salários mínimos.

O QUE É A MOOCA?
A Mooca é um estado de espírito. Sentimento que só os mooquenses natos conseguem entender, mas não explicar, pois vem da época em que havia tempo e espaço para as longas conversas nos portões. Esta identidade está tão presente que, ao invés dos moradores esperarem o carroceiro com o pão e o leite, agora é um jovem de moto o responsável pela venda de pão em domicílio. Quem nasce na Mooca, dificilmente transfere-se para outro bairro e se o faz está sempre de volta às suas origens.

SOTAQUE PRÓPRIO
Quem imagina a Mooca como um bairro provinciano, que só espera o sábado à noite para comer pizza e tomar vinho está enganado. O bairro possui características muito próprias que o distinguem de todos os demais de São Paulo. Uma dessas características é a forma de falar de seus moradores: a região possui um sotaque próprio, inconfundível. Mesmo quem não é originário de lá, mas que ali vive já há algum tempo, adquire esse sotaque, esse jeito de falar com as mãos.
Mesmo sem ser um bairro do qual se poderia orgulhar pelo status social, o mooquense tem orgulho em dizer que é morador da Mooca. É comum ver pessoas com inscrições em camisetas ou adesivos em carros manifestando sua paixão pelo bairro.

A Estação Juventus–Mooca da CPTM foi muito importante no desenvolvimento industrial do bairro

MARCO DA MOOCA
Apesar de sua história se confundir com a da própria cidade, não existem muitas referências a respeito da história da Mooca, um dos mais tradicionais e antigos bairros desta cidade. Mas, mesmo nas poucas referências encontradas, muitos fatos e detalhes interessantes e importantes são dignos de serem relatados.
Fundação
Pelo que se sabe, o dia 17 de agosto de 1556 é o marco do surgimento da Mooca. Nesse tempo, ou seja, apenas 56 anos após o descobrimento do Brasil, estas terras eram habitadas por índios, que se concentravam perto de um extenso rio – Tameateí ou Tometeri, hoje Tamanduateí – e se espalhavam pela região adentro, que era rodeada por muitos riachos.

JESUÍTAS
No livro “A Igreja na História de São Paulo” a primeira referência ao bairro data de 1605, quando o local ainda era conhecido como Arraial de Nicolau Barreto, onde Brás Cubas construiu a capela de Santo Antônio, mais tarde transferida para a Praça Patriarca.
Segundo os historiadores, a região onde se situa o bairro da Mooca deve ter sido o local da maior concentração de indígenas de São Paulo e até do Brasil. Acredita-se que esta palavra indígena tenha surgido no século XVI, quando os primeiros habitantes brancos começaram a construir suas casas. Os índios, curiosos com a novidade exclamavam: “moo-oca (moo = faz, oca = casa). Uma outra versão diz respeito a mesma expressão, mas relacionada ao fato de os jesuítas mandarem barro para seus colegas da região e estes ensinavam os índios a fazerem casas.

NOMES DAS RUAS
Outra hipótese a respeito da origem do nome Mooca também se relaciona a uma outra expressão indígena muito parecida com a outra versão: ”moo-oka” = ares secos, enxutos. No entanto, essa versão é injustificável, pois, como já visto, a região, de seca não tinha nada. Isso porque era cercada, além do rio Tamanduateí, pelo riacho do Ipiranga, rio Tatuapé, riacho da Mooca, Aricanduva e vários outros.
Ainda hoje, muitos nomes de ruas do bairro têm sua origem em palavras indígenas: Javari, Taquari, Cassandoca, Itaqueri, Arariboia, Guaimbé, Tabajaras, Camé, Juatindiba e outras. Aliás, além do indígena, outro elemento foi importante na origem do bairro da Mooca: o rio.
No início, a região fazia parte das terras de João Ramalho, que nem chegara a tomar posse e, segundo conta a história, teria ajudado na catequisação e colonização dos indígenas.
Essa trilha feita pelos pés dos caminhantes – brancos e índios, animais e rodas dos carros de boi – se transformou no que é hoje a Rua da Mooca.
O tempo se passou. Nos fins do império, durante a República, a região possuía enormes casas, rodeadas por belas chácaras. Em 10 de agosto de 1867, a Câmara Municipal de São Paulo, então chamada de Câmara Régia, começou a doar terras para a formação de um povoado. Em 1869 já se notava muitas casas pequenas e pobres e, assim, o povoado foi crescendo.

O marco da Mooca foi criando em homenagem aos 450 anos do bairro

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