Viver o luto plenamente

Viver o luto plenamente

A morte é inevitável e é preciso aprender a conviver com as dores psíquicas que a falta das pessoas que amamos pode causar

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shutterstock_133718093Freud e muitos outros teóricos da Psicanálise já abordaram a morte em suas teorizações e falaram do que ela causa em nossas mentes, gerando neuroses e outros tipos de comportamento que podemos catalogar como inexplicáveis. Eles também falam sobre o luto, aquela etapa pela qual passamos após a morte de alguém que nos é muito querido.

Conviver com o luto, para a Psicanálise, é ter que enfrentar uma perda muito dolorida. Mas é algo que deve ter um começo, um meio e um final. É muito fácil encontrarmos pessoas que se apoiam nas mais variadas teses para se convencerem de que não devem passar pela dor deste tipo de separação; há outras que sentem tanto esta perda que passam o resto de suas vidas chorando e há aqueles que sentem intensamente o ocorrido e, à medida que o tempo passa, acabam por transformar o luto numa agradável recordação.

Para aqueles que se negam a chorar pela ausência dos que perdeu, o resultado desta não liberação de afeto, seja tristeza ou raiva, pode causar doenças psíquicas, como, por exemplo, uma profunda angústia e até somatizações que terminam por colocar a pessoa doente, causando seu próprio falecimento.

Já aqueles que não conseguem se desvencilhar da dor causada pela perda, o que se pode esperar é um quadro de profunda depressão, um sentimento de amargor para com a vida e a ideia de que a vida lhes tomou algo que ela não merecia perder. O resultado deste “luto permanente” também é a somatização e o adoecimento.

Porém, aqueles que vivenciam a morte com intensidade no início do luto e, à medida que o tempo passa, voltam a viver plenamente suas vidas, são os que, segundo a Psicanálise, passaram pelo luto adequadamente.

Perder algo que se ama traz à tona sentimentos muito fortes, como a tristeza, a raiva, a culpa e o inconformismo. Vivenciá-los de forma intensa, às vezes com a ajuda de um psicanalista, é a maneira adequada de colocar todos os pingos nos “is” e elaborar de maneira saudável as situações que fazem aflorar o sofrimento.

Portanto, em situações de luto e até mesmo para outras situações da vida cotidiana, a melhor receita é vivenciar o fato em toda a sua plenitude, explorar as causas de todo o sofrimento que a perda causou e deixar que o ocorrido tome seu devido lugar em nossa mente, sem adquirir um caráter permanente, ou um tamanho que jamais vamos conseguir minimizar.

Arthur Mendes é psicanalista integrativo, fundador do Instituto D’Alma, em São Paulo, e professor de Psicanálise Freudiana, tanto em cursos de formação de psicanalistas quanto de aprofundamento teórico e prático.

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