Viva a vida!

Viva a vida!

Afinal, todos somos vencedores

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shutterstock_139773448aNos dias atuais, para vencer na vida temos que ser vendáveis. Devemos competir com salsichas, biscoitos ou papel higiênico e ser mais saborosos, mais fresquinhos e mais suaves que esses produtos. Convém possuir um monte de diplomas e obedecer a especialistas para conseguir um emprego:

“Coloque um terno de tal cor, uma gravata com tal desenho, sapatos que combinem. Dê uma riscada no cabelo, raspe a barba, o bigode deve ter as pontas viradas para cima. Sorria sempre e não aperte a mão do entrevistador com muita força…”.

Temos que mudar a nossa “embalagem”. Adaptar a nossa personalidade ao mercado. Exigem o conhecimento de inglês e espanhol. Porém, várias línguas não garantem emprego. Futuro: um exército de poliglotas desempregados, sem-terra, sem-teto e, agora, os “sem-língua”, aqueles que só conhecem o português.

Mas, nada de desânimo, pois todos somos vencedores! Poderíamos ser apenas uma partícula de matéria jogada em qualquer planeta; no entanto, pousamos neste mundo, cujas condições favoreceram o milagre da vida. Em se tratando dos três reinos, poderíamos pertencer ao vegetal e, de tal forma, não passarmos de um pé de repolho e sermos comidos na primeira salada. Pertencendo ao reino animal, poderíamos ser um hipopótamo ou uma lagartixa. Não foi o que aconteceu. Tivemos muita sorte, pois fomos admitidos na ordem dos primatas. Mas, nessa ordem, ainda corríamos o risco de ser um mico-leão-dourado ou um chimpanzé; no entanto, marcamos a nossa presença fazendo parte do gênero Homo (homem) e da espécie sapiens.

Mas, a nossa sorte não se reduziu a isso. Na incrível maratona empreendida pelos milhares de espermatozoides, chegamos em primeiro lugar e fomos premiados com um óvulo. Após essa vitória, aquele sufoco: nove meses em espaço mínimo, no meio daquela água insossa, nada de ar condicionado; sorvete ou refrigerante, nem pensar… Na sequência, o parto. Meu Deus! O ventre das nossas mães bem poderia possuir um zíper, isso simplificaria as coisas. Após o parto, só alegria. Vinte e quatro horas tratados como reis. A seguir, vencemos o sarampo, a rubeola e a coqueluche.

Aqui estamos nós, fazendo parte dessa tresloucada sociedade. Mesmo dando e recebendo cotoveladas, estamos vivos. Não só isso, vendo as pessoas, os objetos e as coisas em cores e em três dimensões. Degustando os alimentos, ouvindo o cantar dos pássaros, sentindo o aroma das flores e, pelo tato, o calor daqueles que nos querem bem. Portanto: viva a vida! A vida em si já é uma grande vitória.

Pedro Abarca é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da União Brasileira de Escritores. peabarca@yahoo.com.br

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