Sogras e noras

Sogras e noras

A difícil, mas possível, arte de convivência entre essas duas mulheres

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paukvertjau1Aos olhos da Psicanálise, a síntese do relacionamento entre uma mãe que se torna sogra e uma mulher que passa a ser a esposa do filho desta mãe está no fato de que ambas passam a requisitar e a disputar o máximo do afeto e da atenção deste homem.

De um lado temos uma ex-mãe que se esforça para tornar visível para o filho tudo o que ele perdeu ao sair debaixo de sua saia; e de outro temos uma esposa sempre pronta para apontar todos os exageros cometidos pela primeira e que resultaram num marido mimado e dependente de cuidados.

Nesta guerra, o que nenhuma das duas consegue perceber é o que este homem representa para cada uma delas inconscientemente. Em primeiro lugar, para a mãe que agora está no papel de sogra, ela deixou de ter na totalidade um indivíduo que lhe dava a sensação do poder que ela via primeiramente em seu pai e, mais tarde em seu marido, o que Freud chama de “inveja do falo”.

Para a mulher que se transformou em esposa, seu marido representa a realização do Complexo de Édipo, ou seja, por projeção a possibilidade de casar-se com o pai e finalmente vencer a disputa pela atenção do pai que quando criança esta mulher perdeu. Além, é claro, de ela também realizar sua “inveja do falo” através do marido e mais tarde, tal qual sua sogra, transferir esta conquista para o filho.

O que ambas precisam perceber é que cada uma, a seu tempo, desempenhou e continuará a desempenhar um papel fundamental na vida deste homem. De ambas, cada uma em sua respectiva posição, deve surgir o apoio que sustentará este indivíduo em suas conquistas que se refletirão na harmonia da família. À sogra cabe o papel de apoiar a esposa e futura mãe, passando seu conhecimento e dando seu reconhecimento àquela que agora viverá com seu filho.

À esposa cabe o papel de conciliadora, aquela que não procura capitalizar apenas para si a atenção deste homem e que possui a humildade necessária para absorver o que esta mulher mais experiente pode lhe ensinar.

Quando um filho se casa uma mãe não perde sua “cria” e outra mulher ganha um marido. Simplesmente duas famílias se unem e mais pessoas passam a conviver. Então, que este convívio seja pacífico e gratificante para todos os que podem estar sob tetos diferentes, mas que compartilham um sentimento que não se pode diluir: o amor.

Arthur Mendes é psicanalista integrativo, fundador do Instituto D’Alma, em São Paulo, e professor de Psicanálise Freudiana, tanto em cursos de formação de psicanalistas quanto de aprofundamento teórico e prático.

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