Selfies! Eu estou na foto, logo existo!

Selfies! Eu estou na foto, logo existo!

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Notícia impactante do mês: banhistas retiraram golfinhos do mar e deram início a uma sessão de selfies. O fato ocorreu na Praia de Santa Tereza, Argentina. Todos queriam abraçar e beijar os golfinhos e fixar o momento com as fotos dos celulares. Ao serem devolvidos ao mar, um dos bichinhos não resistiu, morreu.

shutterstock_168960254Dias atrás, ao descansar na Praia Grande, detive meu olhar sobre um banhista com a água pela cintura. Fotografava-se por meio de uma haste metálica e o respectivo celular fixado no extremo dela.

Depois soube que o troço chama-se “pau de selfie”. Vivendo e aprendendo, total ignorância a minha. Entre um mergulho e outro, o sujeito dava uma paradinha para um selfie.

Não vou entrar no mérito da palavra self no referente às suas implicações psicanalíticas, vou me ater apenas à mania atual das pessoas fotografarem-se a si mesmas. Fotografam-se sozinhas ou em companhia de outras: esposa, filhos, sogra, amigos, amante, vizinha etc. Também é válido ter nos braços: cães, gatos, papagaios, tamanduás e outros bichos. A maior parte das pessoas conhece a famosa frase de Rene Descartes: “Eu penso, logo existo!” Nos dias atuais ela tem um equivalente: “Eu estou na foto, logo existo!”. Não saiu na foto, então já era!

No entanto, não pensem os leitores que tal procedimento é mania apenas dos anônimos. Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, David Cameron, primeiro-ministro inglês e Helle Thorning-Schmidt, primeira-ministra da Dinamarca foram flagrados sorrindo e “selfiando” no funeral do líder africano Nelson Mandela. Não bastasse a gafe praticada pelos três, no dia seguinte a primeira-ministra declarou: “Não foi inapropriado. Milhares de pessoas tiraram fotos durante todo o dia (…) e eu pensei apenas que seria divertido”. Após a fala da ministra, cabe lembrar a frase de Hamlet na obra de Shakespeare: “Há algo de podre no reino da Dinamarca!”

O celular virou o brinquedo universal para adultos e crianças, não tem contra indicação. Em todos os lugares, a qualquer momento e sob quaisquer circunstâncias todos estão munidos com o diabo da maquininha, teclando e captando imagens sem parar. E dá-lhe selfies, aplicativos, games, internet e os cambaus! E não só isso, após todas essas tarefas vem o principal: postar as fotos no Facebook, do contrário, frustração geral, trabalho perdido. Participar dos eventos e vivenciá-los passou a ser secundário, o importante é mostrar que estivemos presentes. E o selfie não deixa dúvidas!

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