Quebrando a banca

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Apresentadora do Master Chef, Ana Paula Padrão descarta voltar a ancorar telejornais

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pr230914-05Depois de dedicar toda sua carreira a ser repórter e âncora de telejornal, Ana Paula Padrão foi atrás de uma nova vida. Há cerca de um mês, ela é apresentadora do Master Chef, programa que marca sua estreia na Band e no ramo do entretenimento. “Saí da Record em 2013, sem perspectivas de voltar para a TV tão cedo. Aceitei mergulhar nesse projeto por entender que seria repórter, mas de um jeito mais leve, diferente. Posso ser mais espontânea, mais eu. E agora garanto: bancada nunca mais”, afirma. No Master Chef, além de apresentar as provas e promover uma relação entre participantes e jurados – os chefes de cozinha Henrique Fogaça, Erick Jacquin e Paola Carosella –, Ana Paula também traça o perfil dos participantes, contando sua trajetória até o programa. “Sou um tipo de cronista e repórter”, conta, orgulhosa.

Natural de Brasília, a apresentadora, jornalista e empresária de 48 anos começou sua carreira aos 21 anos, na TV Brasília, rede afiliada à Manchete. Em 1987, foi para a Globo, onde também atuou como correspondente internacional na Inglaterra e nos Estados Unidos. “Fiquei 18 anos na Globo e aprendi lá tudo que eu sei sobre jornalismo”, reconhece. No início dos anos 2000, ficou responsável por apresentar o Jornal da Globo, onde permaneceu até surgir o convite para ser âncora e editora-chefe do SBT Brasil, principal telejornal da emissora. Após quatro anos de reestruturação no setor de Jornalismo na emissora de Silvio Santos, Ana Paula mudou novamente de casa. “No Jornal da Record, me aproximei do telespectador e comecei a dialogar com as classes mais baixas, coisa que me despertou novos sentimentos e que eu jamais tinha feito antes”, compara.

SBT Brasil
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Jornal da Globo
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Jornal da Record
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Ana Paula durante a apresentação do Master Chef, da Band
Ana Paula durante a apresentação do Master Chef, da Band

Quando deixou a Record, em 2013, você disse que queria se dedicar a projetos pessoais. O que a seduziu para voltar à TV?

À primeira vista, estranhei um pouco o convite. Não me imaginava apresentando um programa neste formato, com uma temática culinária. Mas aí vi que meu trabalho seria muito ligado ao jornalismo. Faço a ponte entre os participantes e os jurados, apresento as regras de cada dia. Além disso, faço o perfil de cada candidato: de onde vem, o que fazem. E isso é o trabalho de um repórter, uma coisa que estou muito acostumada a fazer. Sou um tipo de cronista do programa. E eu gosto de gente, de trabalhar com pessoas. Foi por isso que me tornei jornalista. E quando vi que era isso que ia fazer no Master Chef, aceitei.

E neste ano fora do vídeo, deu tempo de realizar tudo que você tinha em mente?

Foi um ano fundamental. Fiquei exclusivamente cuidando das minhas duas empresas, a Touareg e a Tempo de Mulher. A primeira é uma agência de conteúdo voltada quase exclusivamente para o mercado corporativo e que estava passando por uma fase meio complicada. Neste ano, fiz uma remodelagem financeira, encaminhei a empresa para novos rumos, implementei o que estava faltando. Precisava estar ali para abrir mais portas. E a Tempo de Mulher depende muito da minha imagem. E é o projeto da minha vida.

Por quê?

Ela dialoga com as mulheres, o que eu acho fundamental e imprescindível. Precisava de tempo para impulsionar projetos. É um misto de portal, com serviços e facilidades. Fora do ar, pude criar um projeto de aulas online e tive tempo para gravar 60 “web lessons”, que vão de comportamento até empreendedorismo. Esse tempo seria impossível se eu estivesse trabalhando na TV. Com certeza, precisaria de mais tempo para por em prática tudo que tenho em mente. Mas esses 12 meses foram bem satisfatórios.

Ir para o entretenimento era uma certeza sua quando deixou o Jornal da Record?

A única certeza que eu tenho é que não volto para a bancada nunca mais. As pessoas têm uma certa resistência a acreditar nisso. Posso repetir quantas vezes forem necessárias: bancada nunca mais (risos).

Mas essa convicção veio depois de conhecer um novo lado da TV?

Acredito que sim. Mesmo depois de assinar o contrato, não achei que fosse me empolgar tanto. Estou muito envolvida com o formato, isso me seduziu muito. Nunca achei que fosse trabalhar em um projeto deste tamanho. São cerca de 70 profissionais envolvidos, dez câmeras filmando o tempo todo. É um estúdio enorme, maior do que qualquer um que já trabalhei. Além disso, é um formato gigantesco, uma infraestrutura enorme. Dá gosto de estar aqui. E é muito gostoso descobrir uma área que eu nunca passeei antes. Novidades dão um gás na carreira.

Ao longo da sua carreira, você passou pelas principais emissoras da TV. E tem uma grande diversidade na sua trajetória…

Sou uma profissional muito sortuda! Tive experiências valiosíssimas em cada um dos lugares pelos quais passei e, em cada um deles, aprendi em segmentos muito diversos. Tudo me deu respaldo para me tornar quem sou hoje: jornalista, empresária e, agora, apresentadora de entretenimento.

Como você descreveria essa aprendizagem?

Na Globo, aprendi a ser jornalista. Fiquei 18 anos lá e tudo que eu sei sobre a profissão e sobre ser repórter, aprendi lá. No SBT, aprendi sobre TV. Fui para lá para remontar o departamento de Jornalismo. Então, tive de me inteirar sobre as áreas técnicas, comercial, saber sobre satélites, transmissão. Aprendi e abri tanto meu leque de possibilidades que me tornei empresária. Já na Record, mudei meu contato com o telespectador. O Jornal da Globo é um jornal que dialoga com a elite brasileira, com as classes A e B. No Jornal da Record eu falava basicamente com as classes menos favorecidas. E era uma época que eu estava abrindo uma empresa voltada para a mulher de classe média brasileira. Fazia muita pesquisa para a empresa nas matérias da Record. Aqui não vim para o jornalismo, vim para o entretenimento. Estou aprendendo sobre um mundo novo.

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