Prova de fogo

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No ar em Império, Marina Ruy Barbosa reforça fase mais adulta com cenas sensuais

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Marina Ruy Barbosa, atriz.jeito sereno e suave de menina contrasta com a maturidade com que Marina Ruy Barbosa enxerga a carreira. Na pele da doce Maria Isis de Império, a jovem de 19 anos se mostra avessa a qualquer tipo de vaidade e evidencia seu profissionalismo através de seu discurso mais independente e um olhar maduro. “Encaro minha profissão como qualquer outra. Tenho horários e deveres a cumprir. A diferença é que estou mais exposta. Não me deslumbro. A fama é uma consequência porque faço televisão”, ressalta a atriz, que estreou na tevê em Sabor da Paixão, aos 7 anos. Para Marina, o trabalho em Império marca um novo começo em sua trajetória, bastante pautada por papéis ligados ao universo infantil. Além de estar diretamente ligada ao núcleo principal com Alexandre Nero e Lília Cabral, que vivem José Alfredo e Maria Marta, a atriz fez seu debut em cenas mais sensuais. “Era algo que iria acontecer naturalmente. Não dá para pular etapas. Quando recebi o convite do Aguinaldo, sabia que era o momento certo. O papel veio em um período em que estou mais madura e preparada”, aponta.

Ao longo dos seus 12 anos de carreira, Marina já coleciona nove novelas em seu currículo. Mas alcançou repercussão ao dar vida à chorosa Sabina de Belíssima, de 2005. Apesar das feições angelicais e da pouca idade, a atriz sempre manteve o foco em busca de papéis diversificados na TV. “Quero trabalhos que me instiguem e me façam crescer. Sou tão nova ainda, tenho tanto a aprender e tantas pancadas da vida para levar. Quanto mais diferente for, melhor”, explica ela, que almeja interpretar uma protagonista. “Um papel principal sempre é bem-vindo. Mas evito rotular meus trabalhos. Quero estar preparada para quando esse momento chegar”, completa.

Marina e Suzana Vieira em cena da novela Amor à Vida (Globo, 2013)
Marina e Suzana Vieira em cena da novela Amor à Vida (Globo, 2013)

Em Império, Maria Isis é a amante do comendador. Você chegou a temer algum tipo de rejeição por conta do perfil da personagem?

Não cheguei a temer. Mas fiquei muito contente e me surpreendi com a repercussão do casal. Acredito que Isis não caiu no papel de amante. O Aguinaldo construiu uma personagem que é pautada pela boa índole. Não é aquele estereótipo de amante interesseira. Na verdade, todas essas características estão com a própria esposa do comendador, a Maria Marta.

Quais foram as referências mais importantes no processo de composição para a Maria Isis?

Busquei seguir a linha que o Aguinaldo e o Rogério Gomes (diretor) pediram para mim. A ideia era construir uma garota romântica e doce. Totalmente fora do estereótipo da ‘periguete’. A sensualidade da Isis tinha de ser natural. Procurei inspiração em filmes como Lolita, Beleza Americana, Beleza Roubada e Tudo Pode Dar Certo. Também fiz um workshop com o preparador Eduardo Milewicz. Trabalhamos a espontaneidade, naturalidade da personagem e um maior entrosamento com o Alexandre Nero. Nessa novela, também contei com a ajuda de uma psicanalista.

O que a levou a buscar esse tipo de auxílio?

Precisava de um tom mais realista. Ela me ajudou a traçar todo o perfil da personagem e me mostrou o que era crível de acontecer dentro do universo dela. Ela detalha as cenas comigo e me explica cada reação da Maria Isis. Às vezes, gravo cerca de 30 cenas por dia e é preciso cuidado para não fazer de qualquer jeito ou até muito parecido porque são sequências semelhantes. Ela está me ajudando também a compreender as mudanças da personagem ao longo da trama. É bom ter alguém que entende dos dramas humanos para me guiar durante a novela.

Sua personagem em Império marca sua transição entre tramas mais infanto-juvenis para histórias adultas. Como encara essa mudança?

É muito bacana. Dá para perceber que a personagem tem muito mais poder de decisão e influência na história. É normal que as personagens amadureçam comigo e seus problemas dentro da trama se tornem mais instigantes. A Maria Isis, por exemplo, é de um universo totalmente diferente do meu. Isso é muito bom para o público distanciar a Marina da personagem.

Mas você chegou a fazer papéis fora da sua faixa etária. A Juliana de Amor Eterno Amor era estagiária de jornalismo, por exemplo. Teve a impressão de que seus papéis amadureceram antes de você?

Alguns sim. Isso que é o bacana na nossa profissão. A ideia de ser ator é passar uma verdade e uma naturalidade que não são comuns em seu dia a dia. É criar um novo universo para o público.

Você começou na TV com 7 anos. Chegou a temer aquela fase em que não se encaixaria em papéis nem adultos e nem infantis?

Claro que tive. Porque eu amo o que faço e nunca quis parar. Por isso, busquei ser responsável ao máximo. Sempre levei meu trabalho muito a sério. Sempre consegui fazer bons papéis e os trabalhos foram fluindo para mim. Nunca fiquei um ano parada.

O fato de estar sempre no vídeo faz com que você não tenha muito tempo para fazer cursos e experimentar outras mídias. Sente falta de uma formação mais acadêmica na sua carreira?

Eu acho que aprendi muito fazendo. Acho válido qualquer tipo de conhecimento. Aprendi muito dentro da própria emissora ao longo do meu dia a dia. Mas é claro que preciso me aperfeiçoar mais. Passei no vestibular para Comunicação Social e queria fazer Cinema, mas não pude cursar por conta dos meus compromissos com a emissora. Não tenho a base de uma CAL ou um Tablado (famosos cursos de Artes Cênicas do Rio de Janeiro). Mas cheguei a fazer curso de teatro de bairro. Como sempre fiz novela e tinha de estudar para passar nas provas da escola, o tempo era muito escasso. Agora estou aprendendo a respirar e quero dar vazão a esses outros objetivos. De uns tempos para cá, aprendi a não me cobrar tanto, no sentido de escolher, saber que eu não posso fazer tudo ao mesmo tempo.

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