Por que as espécies se devoram umas às outras?

Por que as espécies se devoram umas às outras?

COMPARTILHE

Na época, eu trabalhava na empresa Obermaier do Brasil. Hoje, no lugar daquela, na mesma Rua Azevedo Soares, acha-se o Supermercado Oba. Certa tarde, já me preparava para deixar o trabalho, quando observei, no canto do janelão, que ficava ao lado da minha prancheta, a teia elaborada por uma pequena aranha.

shutterstock_148112798Predispunha-me a limpá-la, quando algo inesperado ocorreu. Caiu sobre ela uma vespa que trombava nas vidraças em busca de saída. O inseto era forte, talvez medisse o dobro da frágil aranha. Ato contínuo, a vespa passou a debater-se, tentava se livrar dos finos e pegajosos fios. Pensei, pelos seus rápidos e violentos movimentos, que sua libertação seria apenas questão de minutos.

Passado curto intervalo, a vespa se cansou e deu uma parada estratégica. Não demorou muito e teve reinício uma nova sessão coreográfica representada pelo esbater de suas fortes asas. Nova pausa e mais um descanso. Assim foram se sucedendo paradas e movimentos. Em um desses intervalos, demonstrando extrema agilidade, a aranha saiu num zás do ponto extremo em que se achava, deu uma picada na vespa e voltou com igual rapidez para o seu canto. A minha curiosidade pela inusitada cena aumentou ao infinito. Quem venceria? – pensei naquele instante. Não me foi possível ficar assistindo indefinidamente a interessante e desesperada peleja.

Ao retornar no dia seguinte, voltei ao canto da janela e dei com o resultado. A soberba vespa jazia imóvel e ressequida no mesmo ponto em que a vira na tarde anterior. Ao seu lado, a pequena aranha a engolia vorazmente.

A cena me causou enorme mal-estar. Fiquei penalizado com o triste fim da pobre vespa. Cheguei a sentir raiva da pequena e raquítica aranha. Mas, em seguida, sublimei meu ódio. Afinal, os dois pequenos seres não tinham culpa alguma, seguiam os desígnios da natureza e, por tabela, as regras determinadas por Deus. Com os homens também não é diferente. Antigamente, no seio das comunidades primitivas era comum o canibalismo. Hoje, mais avançados, cultos e altruístas, os seres humanos devoram-se social e economicamente.

Tenho o salutar costume de questionar sobre tudo o que ouço, leio ou vejo. Em face disso, penso cá com meus botões: não poderia Deus ter bolado coisa menos traumática? Não haveria outra forma de as criaturas se alimentarem, a não ser esse meio tão cruel de se devoraram umas às outras? Também não sei se a solução seria sermos todos vegetarianos. Ignoro se as plantas sofrem quando as comemos. Afinal, elas não têm boca para se queixarem.

COMPARTILHE
Artigo anteriorAbril de 2016
Próximo artigoNo topo da montanha

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UM COMENTÁRIO