Plantas x Pets

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Conheça algumas espécies que podem oferecer riscos fatais à saúde do animal de estimação e saiba como evitar a intoxicação

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Quem nunca se deparou com um vaso ou um jardim revirado, certamente não tem um cão ou gatinho em casa. Pois se há uma coisa que eles adoram é mastigar as plantas. No entanto, o que parece apenas uma brincadeira, pode estar colocando a vida e o bem-estar dos pets em risco. “Há algumas espécies que são altamente tóxicas e o contato com elas pode produzir manifestações severas ou até levar à morte”, afirma o veterinário Mario Marcondes, diretor clínico do Hospital Veterinário Sena Madureira.

Gastroenterite, vômito, diarreia, cólicas, convulsão, urticária, salivação intensa, pupilas dilatadas ou diminuídas, contrações musculares, lesões na mucosa oral e até arritmias cardíacas ou dificuldade respiratória estão entre as reações mais comuns. “Os sintomas dependem do tipo de adubo e planta, da concentração e da quantidade ingerida. Se o animal não for medicado a tempo, os riscos da intoxicação são altíssimos. Algumas espécies têm potencial tóxico pelo simples contato, mesmo se não houver ingestão”, diz a veterinária Sibele Kono, do Hospital Veterinário Pet Care. É o caso da urtiga, que pode causar alergias. “Além dela, existem outras plantas com folhas ásperas, espinhos, flores com pólen e ou odor muito forte que também podem causar alergias em cães predispostos. Uma das mais comuns são as gramas de jardim. Os sintomas mais comuns são: eritema (vermelhidão), prurido, pápulas, espirros e tosse improdutiva”, diz Sibele.

Por isso, todo cuidado é pouco na hora de montar um jardim em casa ou passear com o pet na rua. Mas de onde surge essa curiosidade pelas plantas? “Não existe um consenso. Por muito tempo, estudos indicavam que os animais ingeriam plantas e gramas com o intuito de provocar vômito, pois algumas têm a superfície áspera ou gosto desagradável. No entanto, alguns indícios mostram que esse hábito está vinculado a um comportamento normal dos pets, sem condições patológicas associadas”, explica a veterinária Alexandra Alves Nicolau, professora da UNISA.

No entanto, algumas deficiências minerais, quando há parasitas intestinais, também podem levar ao consumo. “É a chamada parorexia, ou seja, a ingestão de substâncias atípicas como plantas, terra ou até mesmo tijolo da parede, devido à diminuição de minerais no organismo. Em geral, quando o animal apresenta este sintoma deve ser realizado exame de fezes e tratamento para sanar o problema”, comenta Marcondes.

Em caso de acidente, Marcondes faz um alerta sobre um mito popular: “não se deve estimular vômitos ou fornecer leite, pois determinados agentes intoxicantes podem lesionar ainda mais a mucosa gastroentérica se passarem de novo pelo esôfago durante o vômito”.

O tratamento, em geral, é hospitalar, por isso a recomendação de Sibele é procurar imediatamente o pronto socorro mais próximo, munido do rótulo do produto intoxicante ou amostra da planta para facilitar o atendimento. “Existem antídotos para a ingestão acidental de alguns desses produtos, por isso, é extremamente importante que o proprietário conheça os produtos eventualmente usados no jardim, guardando a embalagem e a bula. Quando houver necessidade de uso de produtos tóxicos nas plantas, os animais devem ser afastados da área e mantidos longe dela por um período”.

Prevenção é sempre o melhor caminho

Para evitar que o cão ou gato se intoxique com as plantas em casa ou na rua, Sibele, Alexandra e Marcondes dão as dicas:

– Antes de formar um jardim ou introduzir uma nova planta em casa, verifique sempre o seu possível potencial tóxico;

– Procure identificar as plantas com potenciais tóxicos e eliminá-las ou colocá-las fora do alcance dos animais;

– Tome cuidados ao podar as plantas que eliminam látex e evite deixar os galhos em local onde o animal tenha acesso;

– Evite o uso de inseticidas e adubos no seu jardim. Quando isso não for possível, mantenha o seu animal de estimação longe do produto usado, de acordo com a orientação da bula;

– Mantenha o seu jardim limpo, evitando que seja abrigo de animais peçonhentos;

– Deixe sempre água à vontade para o seu animal, pois, se ele tiver privação de água, pode procurá-la nos jardins e nos vasos ou mesmo comer plantas na procura de água;

– Na rua, mantenha o animal sempre ao seu lado;

– Não se esqueça de manter o pet vermifugado.

Espécies “do bem”

Outra dica valiosa para quem não dispensa ter um belo jardim em casa é recorrer às plantas comestíveis, que são seguras e não oferecem riscos à saúde dos cães e gatos. Salsa, orégano, alecrim, erva cidreira, camomila, erva doce e grama paulista são algumas dessas espécies do bem. Manjericão e hortelã também são ótimas e ainda atuam como “repelentes naturais” de insetos, evitando que o pet tenha problemas decorrentes das picadas. “No entanto, é preciso reforçar que não há necessidade de complementação da dieta dos animais com nenhuma destas ervas ou plantas. Elas servem apenas para criar um jardim mais seguro para os bichos”, pontua Marcondes.

Fique atento

Algumas espécies com potencial tóxico, que podem causar vômitos, diarreia, urticária e até problemas mais graves, como paradas cardíacas, no seu pet: Comigo-ninguém-pode, copo-de-leite, bico-de-papagaio, espirradeira, onze horas, costela-de- adão, espada-de-são-jorge, jiboia, mamona, palma-de-cristo, azaleia, guaimbé, lírio e jasmim.

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