Pais e filhos: uma relação de admiração e rebeldia

Pais e filhos: uma relação de admiração e rebeldia

Há uma época na vida dos filhos em que a figura do pai se assemelha à de um herói dos quadrinhos e chega também o momento em que os filhos veem no pai alguém cuja única função é proibir

COMPARTILHE

Yogendra_Father's Day_14_march_2013_15Em determinados momentos, quando os filhos passam pela puberdade, a maioria dos pais recorda com nostalgia o tempo em que seus filhos os achavam verdadeiros heróis. No entanto, as crianças crescem, entram em contato com o mundo e adotam valores de novos ídolos, que os fazem ansiarem pela liberdade de fazerem o que lhes der na cabeça.

Se buscarmos respostas para este comportamento na psicanálise, principalmente na teoria freudiana, veremos que desde os três anos de idade, devido ao surgimento do que Freud denominou de Complexo de Édipo, o pai se tornou aquele com quem a criança deve disputar a atenção da mãe. Porém, após constatar que suas investidas contra o pai são inúteis, ela mascara sua antipatia e passa a simpatizar com ele. Em parte para ainda atrair a atenção da mãe e, em parte, por ter entrado no que Freud chamou de Complexo de Castração.

Nos anos que se seguem, até a puberdade, a criança passa por um período conhecido como latência, onde sua satisfação edípica volta-se para si mesmo. É quando, de certa maneira, reina a paz doméstica enquanto a criança se fortalece para novas investidas.

De repente, de pessoa dócil e amável o adolescente se torna mal educado e agressivo, ansiando por mostrar ao seu rival que já pode enfrentá-lo e até mesmo tornar-se o chefe do bando, ou o “dono da casa”. Some-se a isso a influência de novos personagens nos quais o adolescente se projeta, como personalidades do mundo artístico, e podemos contar com uma bomba relógio sempre pronta a explodir.

Mas, caros pais, vamos e venhamos… Quantos de nós alimentamos esta mesma rebeldia em nossa adolescência? Quantos de nós fizemos exatamente o contrário do que nosso pai nos pediu? E, muitas vezes, sabendo que iríamos dar com os burros n’água.

Freud dizia que todos estamos fadados a viver o Complexo de Édipo e será ele, ou sua resolução, que nos moldará enquanto neuróticos e que nos fará procurar parceiros amorosos e relacionamentos sociais. Um dia os filhos se tornarão adultos e ficarão angustiados ao lembrar de todo o trabalho que nos deram. Porém, eles também se lembrarão de que nós, os pais, sempre estivemos lá para lhes dar grandes broncas e, ao mesmo tempo, ampará-los em qualquer dificuldade.

Em resumo, é mais fácil ser pai quando nos lembramos de que um dia fomos jovens e fica mais fácil ajudá-los a passar por isso quando nos lembramos que os nossos pais sempre estiveram ao nosso lado para nos proteger. Adolescentes de qualquer época sempre foram corajosos porque sabiam que podiam correr para debaixo de nossas asas.

Arthur Mendes é psicanalista integrativo, fundador do Instituto D’Alma, em São Paulo, e professor de Psicanálise Freudiana, tanto em cursos de formação de psicanalistas quanto de aprofundamento teórico e prático.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UM COMENTÁRIO