Mães e filhos

Mães e filhos

A maternidade não é uma segunda chance de realização pessoal

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Quem acompanha esta coluna deve se lembrar de que em alguns artigos eu falei sobre o fenômeno da projeção, ou seja, aquelas fantasias que depositamos nas pessoas com quem convivemos.

vector-image-work-204Pois bem, se somos capazes de projetar nossos desejos e anseios em qualquer um de nosso convívio, não me parece estranho imaginar que, no caso de uma mãe, ela também projete algo de seu em seus filhos.

Para a psicanálise, os filhos, principalmente os do sexo masculino, são para suas mães uma possibilidade de estas alcançarem o poder que normalmente era atribuído aos homens. Filhos homens tornam-se o “falo” da mãe e, automaticamente, esta mãe, considerando este filho uma extensão dela mesma, lutará para que ele atinja os objetivos que ela, durante sua vida, não conseguiu obter.

Porém, este filho pode não querer ser o responsável pelas realizações que sua mãe deseja para ele e, no caso do filho, acontece um processo reativo, que normalmente os pais chamam de “revolta” e, mesmo sem assumir publicamente isso, a mãe passa a hostilizar o filho em vista da não realização de seus desejos. O resultado final é sempre uma série de discussões, mais agressividade na relação e um clima doméstico insuportável.

Muitas vezes mães acabam levando seus filhos ao consultório afirmando que eles têm algum problema. Depois de alguns atendimentos e traçando a dinâmica da família, acabamos por perceber que o problema não está na criança ou no adolescente, mas sim em sua mãe e em seu pai, que esqueceram que ali existe um ser humano em busca da realização de seus próprios desejos e não de um “robozinho” criado para atender as neuroses daqueles que o trouxeram ao mundo.

É difícil para as mães e para os pais também aceitarem a ideia de que apenas geraram uma criança e que esta pessoa, à medida que cresce, vai tomar decisões que nem sempre são aquelas que seus pais aprovam.

O que todos, aqueles que têm filhos e, principalmente, aqueles que ainda pretendem ser pais, devem atentar é para o fato de que a maternidade não é uma segunda chance de realização pessoal. Filhos são, do ponto de vista biológico, o que garante a nossa existência enquanto espécie e, se considerarmos um único ponto de vista psíquico envolvendo esta questão, eles são o fruto do amor entre duas pessoas, seres que necessitam de proteção durante algum tempo e que, à medida que crescem, devem assumir o controle de suas vidas.

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