Jogar fora pra quê?

Jogar fora pra quê?

Ao utilizar cascas, talos e folhas é possível ter refeições mais ricas em nutrientes e ainda ajudar a diminuir o lixo que despejamos no Planeta

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Por que jogar fora as folhas da cenoura ou o talo do espinafre? Além de gerar mais lixo, você está desperdiçando a oportunidade de colocar mais nutrientes no seu prato. Ok, comida não é só nutrição. Não comemos apenas por sobrevivência, mas também porque é gostoso e dá prazer. Mas é sempre bom ter em mente o quanto uma alimentação saudável, rica em bons nutrientes, é importante para a nossa vida.

shutterstock_132587306Nossos hábitos na cozinha têm feito com que joguemos no lixo boa parte dos nutrientes que as frutas, legumes e verduras podem nos oferecer. É para desmistificar esses hábitos e ensinar as pessoas a aproveitar totalmente os alimentos que o Complexo Tatuapé fez uma parceria com a ONG Banco de Alimentos e está oferecendo oficinas e palestras aos clientes do empreendimento. Agora, todo mundo poderá aprender a usar as cascas, talos, sementes e folhas na cozinha.

Com esse tipo de projeto, a ONG espera ajudar a diminuir dois problemas sérios que o mundo enfrenta: o desperdício e o lixo. E nós, dentro das nossas cozinhas domésticas, temos tudo a ver com isso. Pare e pense na quantidade de cascas, talos e folhas que você joga fora quando cozinha? Além de ser comida boa desperdiçada, isso gera um acúmulo de lixo que em breve o Planeta não dará conta de processar. Então, por que não diminuir a quantidade de resíduos que sua casa produz usando todas as partes de um alimento? E você ainda terá uma refeição muito mais rica nutricionalmente. “A ideia do aproveitamento integral dos alimentos não é substituir nada na receita. O que fazemos é adicionar algo na preparação, aumentando o valor nutricional da refeição. Enriquecemos a comida e, junto, levamos o conceito de sustentabilidade, por diminuir a produção de lixo orgânico”, explica a nutricionista Marcela Corrêa, da ONG Banco de Alimentos.

A água do cozimento das batatas concentra muitas vitaminas. Aproveite-a, juntando leite em pó e manteiga para fazer purê, ou para agregar valor nutricional ao arroz, macarrão, capelettis, etc.
A água do cozimento das batatas concentra muitas vitaminas. Aproveite-a, juntando leite em pó e manteiga para fazer purê, ou para agregar valor nutricional ao arroz, macarrão, capelettis, etc.

Aos que acham ser necessário ter um grande conhecimento técnico para aproveitar integralmente os alimentos, um bom jeito de começar é se inscrever nas oficinas que acontecem no Shopping Metrô Boulevard Tatuapé. Mas nunca se pode esquecer que, na cozinha, ousadia é um elemento importante. E não ter medo de errar também. Por isso, vale a pena experimentar, testar e, principalmente, saber que nem sempre tudo vai sair como você esperava. É importante também ter os olhos e o paladar abertos para as novidades. “Geralmente, você pode aproveitar tudo de um alimento. O não poder tem mais a ver com sabor e com consistência. Outro dia tentamos fazer um pudim de casca de mamão, mas não ficou com consistência de pudim. Porém, deu um doce maravilhoso”, conta Marcela.

A parte branca do maracujá pode render uma deliciosa compota, que se prepara como o doce de mamão verde. Já a parte branca da melancia pode ser usada para fazer cocada.
A parte branca do maracujá pode render uma deliciosa compota, que se prepara como o doce de mamão verde. Já a parte branca da melancia pode ser usada para fazer cocada.

A nutricionista Neide Rigo é “especialista” em aproveitar tudo que aparece na sua cozinha. O seu blog, Come-se, pode ser um ótimo aliado de quem quer aproveitar integralmente os alimentos, mas não sabe como. Embora seja experiente e tenha conhecimento técnico, Neide costuma dividir com os leitores as suas experiências feitas em casa, tornando-as acessíveis para qualquer pessoa. Da Jabuticaba, por exemplo, ela conta que aproveita até o último bagaço. De uma leva de 3 quilos que estavam congelados ela fez xarope, geleia e um doce um pouco mais consistente, como se fosse uma goiabada. E não é que ela dividiu as jabuticabas em três partes para usar cada uma em uma preparação. Primeiro, ela fez o xarope; com o bagaço que sobrou, fez uma nova extração e transformou em geleia; do bagaço que ainda restou, ela fez mais uma extração e ainda conseguiu um pouco de doce. O que sobrou foi uma quantidade mínima de bagaço (olha o lixo diminuindo drasticamente aí!).

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Os talos do agrião são ricos em Vitamina C. Refogue com tempero e ovos batidos, faça sucos ou adicione ao molho pesto de manjericão.

Essa história exemplifica bem que a criatividade na cozinha não se resume a fazer combinações exóticas e pratos mirabolantes. As folhas da cenoura, por exemplo, são aromáticas e podem servir como tempero, no lugar da salsinha. As cascas da batata, mandioquinha, nabo, cenoura ou beterraba podem ser assadas ou fritas em óleo quente e servidas como aperitivo. A casca do abacaxi, da manga ou da goiaba pode virar suco e ser usada no preparo de bolos, pães e pudins.

Algumas pessoas ficam reticentes na hora de aproveitar cascas, achando que podem estar sujas ou ter maior concentração de agrotóxicos. Com relação à sujeira, basta higienizá-las como fazemos com as frutas e verduras que já estão incorporadas ao nosso cardápio. Já com relação ao agrotóxico, não se trata de um problema apenas das cascas. “Os agrotóxicos de hoje em dia são aplicados diretamente no solo. Então, quando a fruta ou legume cresce, a maior concentração pode estar dentro da polpa, e não na casca”, avalia Marcela. O ideal, na verdade, é buscar os alimentos orgânicos, livres de qualquer tipo de veneno.

Se mesmo depois de tudo isso você ainda quiser quase zerar a sua produção de lixo, vale a pena investir em uma composteira, que vai transformar aquilo que você não conseguiu aproveitar em adubo para ser usado no jardim ou nos vasos. Como se vê, nosso comportamento na cozinha pode ter um impacto enorme não apenas na nossa vida, mas também no planeta.

Dicas para se organizar na cozinha

COMPRAR BEM: Planeje suas compras: Evite excessos! E prefira os alimentos da época, pois possuem melhor qualidade (maior durabilidade, maior teor nutricional e menor quantidade de agrotóxicos) além de apresentarem preços mais acessíveis;

CONSERVAR BEM: Armazene os alimentos em locais limpos e em temperaturas adequadas para cada tipo de alimento.
Ao armazenar as partes não convencionais dos alimentos para serem utilizadas em preparações futuras, siga uma destas opções: Conserve-as em saquinhos separados e fechados em geladeira, devendo ser utilizadas em até 48 horas ou embrulhe-as em porções pequenas separadamente em fita-filme, etiquete-as, (com o nome do alimento e a data) para que possam ser distinguidas futuramente, e congele-as, podendo ser utilizadas no período de até um mês de conservação;

HIGIENIZAR BEM: Todas as frutas, verduras, legumes, cascas, talos, sementes e folhas devem ser lavados um a um, em água corrente e então devem ser higienizados em solução de hipoclorito de sódio (seguindo instruções de uso na rotulagem) por geralmente 15 minutos para eliminar micro-organismos. Em seguida devem ser lavados novamente em água filtrada;

PREPARAR BEM: Não retire as cascas grossas ou utilize-as para outras receitas e prepare apenas a quantidade necessária para as refeições da sua família. Faça uma média da quantidade de porcionamento por pessoa.

Serviço

Oficinas e palestras
Quando: De terça a domingo, das 12h às 20h.
Onde: Shopping Metrô Boulevard Tatuapé, 2º Piso.
Preço: R$ 1.
Inscrições no local
www.bancodealimentos.org.br

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