Imigrantes na América

Imigrantes na América

Museus do Brasil e dos EUA sediam exposição inédita sobre imigrantes

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Casal olha pra Baia de Hudson e a Estátua da Liberdade
Casal olha pra Baia de Hudson e a Estátua da Liberdade

Falar da Imigração no Brasil é lembrar, na maior parte das vezes, de italianos, alemães, japoneses e, mais recentemente, de latinos (principalmente bolivianos e peruanos) e africanos (angolanos, nepaleses, etiopianos etc.), dentre outros tantos estrangeiros de raças e etnias variadas que trazem para o Brasil uma poética da ocupação e formação de duas nações, na verdade, dois países transcontinentais, com climas, características e costumes próprios. Endereços disputados e concorridos quando se trata de imigrar e buscar melhores oportunidades de emprego, o que trouxe aos dois, Brasil e EUA, as mais diversas possíveis influências em termos de vestimentas, linguajar, culinária, folclore, lendas e anseios, fazendo desses dois países um universo rico, culturalmente, bem como economicamente.

E a exposição que o Museu da Imigração traz até setembro, em parceria com o Museu da Imigração Ellis Island, de Nova York, carrega um pouco disso tudo ao expor, de forma inédita, 50 fotografias das duas primeiras décadas do século 20, imagens estas que compartilham as semelhanças do cenário imigratório da época nos dois países.

Imigrantes chegando em Ellis Island (1907)
Imigrantes chegando em Ellis Island (1907)

Mais do que mostrar particularidades, o diálogo inédito que se estabelece entre parte dos acervos das duas instituições – ambas sediadas em antigas hospedarias de imigrantes – já é por si só um atrativo e tanto para quem se interessa pelo tema imigração, e busca nessas semelhanças, preservar a história e a memória do processo migratório para a construção dos dois países.

Imigrantes chegando em Ellis Island (1912)
Imigrantes chegando em Ellis Island (1912)

Das 50 imagens expostas no Brasil pela primeira vez, 35 são do acervo do Museu de Ellis Island da coleção fotográfica de Augustus F. Sherman (1865-1925) – funcionário administrativo da antiga hospedaria de Nova York, que retratou por duas décadas os imigrantes que chegavam aos Estados Unidos.

“Sherman foi o primeiro a fazer esses registros em um momento muito importante da fotografia documental. Embora fosse um fotógrafo amador, seu material tem rigor técnico. Ele captou imagens fortes que transmitem o olhar de esperança, cansaço e o aparente questionamento do desconhecido, do que estava por vir”, ressalta o fotógrafo e professor João Kulcsár, curador da exposição. “A exposição une essas imagens que apresentam conteúdo e estética muito semelhantes”, completa.

Mulher italiana em Nova York.
Mulher italiana em Nova York.

A mostra, quase simultânea, teve início em São Paulo, no Museu da Imigração, em março, enquanto a de Ellis Island começa em maio. Ambas vão até setembro deste ano e contam com o apoio do Consulado Geral dos Estados Unidos da América em São Paulo, e da Secretaria de Estado da Cultura, responsável pelo nosso Museu, localizado entre o Brás e a Mooca.

Visitas ao Museu

Vinculado ao Instituto de Preservação e Difusão da História do Café e da Imigração, o mesmo que cuida do Museu do Café em Santos, o Museu da Imigração do Estado de São Paulo cuida do acervo herdado do Memorial do Imigrante sobre a história e a preservação da memória das pessoas que chegaram ao Brasil por meio da Hospedaria de Imigrantes, e o relacionamento construído, ao longo dos anos, com as diversas comunidades representativas da cidade e do Estado na formação do que ficou conhecido como identidade paulista.

Imigrantes na hospedaria
Imigrantes na hospedaria

Em sua versão atual, busca estabelecer um diálogo com experiências mais recentes de deslocamentos, pois entende que o ato de migrar como ‘deslocar-se de um lugar para o outro’, é um fenômeno constante ao longo da história da Humanidade.

Serviço

Quando: Até setembro. De terça a sábado, das 9h às 17h. Domingos e feriados, das 10h às 17h. Quinzenalmente, às sextas-feiras, o Museu da Imigração oferece visitação noturna, ampliando seu horário de atendimento até às 21h.
Onde: Museu da Imigração – Rua Visconde de Parnaíba, 1.316, Mooca.
Quanto: R$ 6.
www.museudaimigracao.org.br

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