Fase solar

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Nathalia Dill fala de seu flerte com a comédia na novela Alto Astral

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Alto AstralO jeito desencanado e leve de Nathalia Dill impressiona. Protagonista de Alto Astral, novela que estreou neste mês, a atriz vem em uma crescente na carreira desde sua estreia, como a vilã Débora de Malhação, há exatos sete anos. Neste curto período, com seis novelas e três protagonistas no currículo, ela mostra que aprendeu a lidar bem com a exposição da profissão e não se exalta com o trabalho cansativo que envolve as engrenagens da TV. “É uma questão de escolha. Quando você é escalada para um papel grande, é preciso entender que serão meses de disciplina. São muitas cenas para decorar e gravar, mas dá para ter vida, sim. E uma vida normal. Não caio nessa de celebridade”, garante.

Em Alto Astral, aos 28 anos, a atriz carioca celebra um momento de renovação na televisão. Depois de dar vida a mocinhas densas em tramas como Escrito nas Estrelas e personagens dramáticas, carregadas de ambiguidades, em folhetins como Cordel Encantado e Joia Rara, Nathalia experimenta seu trabalho mais leve na TV. Sob a direção de Jorge Fernando, ela se mostra animada em flertar com o tom de comédia romântica que permeia o texto do estreante Daniel Ortiz. “Acho que é meu trabalho mais feliz, mais para cima. Sem muito choro. Laura é decidida, solar e encara os problemas de frente. É uma personagem que me traz novas possibilidades”, exalta.

Com Rafael Cardoso, na novela Joia Rara (2013)
Com Rafael Cardoso, na novela Joia Rara (2013)
Em 2011, com Jayme Matarazzo, na novela Cordel Encantado
Em 2011, com Jayme Matarazzo, na novela Cordel Encantado
Em Escrito nas Estrelas (2010), com Humberto Martins e Gisele Fróes
Em Escrito nas Estrelas (2010), com Humberto Martins e Gisele Fróes
Em 2007, na Malhação, com Mariana Rios e Mariah Rocha
Em 2007, na Malhação, com Mariana Rios e Mariah Rocha

Você já viveu mocinhas em tramas como Paraíso e Escrito nas Estrelas. Como lida com o tom mais monocromático deste tipo de papel?

Depende muito do trabalho. Eu comecei minha carreira fazendo a antagonista, a vilã, nem sei como fui cair no posto de mocinha. No entanto, pelo menos as que já interpretei, se diferem um pouco do tradicional. Não que elas não sejam românticas e sofredoras, mas não são aquelas personagens passivas e que ficam à deriva na trama. A mocinha ter algo de contundente é muito importante para a minha atuação.

Por quê?

É o que me instiga. A Laura, por exemplo, não é nada boba. No cotidiano, as pessoas caem nesse lugar-comum de que o fato de a pessoa ser boa a transforma, automaticamente, em boba. O que se vê nas tramas de hoje em dia é que o legal é ser o vilão. O mal é que é subversivo, engraçado. O cara que faz coisas ruins e que vai ferrar todo mundo ao longo da trama é o destaque.

Você acha que isso deixa o posto de antagonista mais atrativo para os intérpretes?

Sim, mas acho que é válido dar esse outro tipo de exemplo. Acho que o casal de Alto Astral é aquele bem típico, que faz com que o público torça para que fique junto. Laura é o tipo de personagem que consegue comandar a sua história. Além de ser muito leve. Eu venho de personagens muito densas, acho que é um respiro.

A escolha por uma caracterização mais solar é para evidenciar essa leveza?

Sim. Todo mundo sempre me vê com os cabelos muito escuros em cena. Nunca mudei tanto. Ainda estou me acostumando a ser loura. Mas, ao ver as primeiras cenas, acho que o resultado é muito válido. Meu único problema é com a franja. Meu Deus! Como é difícil ter franja. Engraçado, mas nenhum diretor tinha feito essa proposta de mudar de forma tão definitiva a cor e estilo dos meus cabelos. Coisas do Jorge Fernando.

Sua personagem em Alto Astral é jornalista. Você chegou a frequentar redações ou se inspirou em suas experiências com a imprensa para compor a Laura?

Fui muito pelo texto. O jornalismo não chega a ser um universo muito distante para mim. Tenho alguns amigos e, quando cursei Direção Teatral, estudei no mesmo campus dos cursos de Jornalismo e Rádio e TV da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Já tenho uma base sobre a profissão da personagem. Agora, sobre minha relação com a imprensa, acho que não chega a ser uma inspiração. Aliás, você quer falar mesmo sobre isso?

É algo tão negativo assim para você?

Acho que, como em qualquer profissão, existe gente que cumpre com sua ética profissional e outros que deixam isso guardado. Gosto de dar entrevistas, de falar sobre o meu trabalho. Mas não acho legal e não conheço ninguém que ame ser fotografado comendo um sanduíche na esquina ou estacionando o carro (risos). Aprendi a conviver com esses dois lados da imprensa. A imprensa legal é incrível e eu tenho uma admiração enorme por ela.

Desde a sua estreia, na temporada de 2007 de Malhação, você faz pelo menos um trabalho por ano na Globo. Já pensa em dar uma pausa e experimentar outras coisas?

Eu costumo ser muito organizada com trabalho. Isso me dá a oportunidade de conseguir sempre estar disponível para fazer um filme, uma peça, experimentar outras linguagens e formatos. Claro que quando se é protagonista, a situação complica um pouco. Mas se o projeto é importante, a gente arruma tempo. Eu não quero parar de fazer TV. Por exemplo, quando surgiu o convite para fazer Alto Astral, eu ainda estava gravando Joia Rara e não passou pela minha cabeça dizer “não”.

Mas você conseguiria ter essa autonomia dentro da Globo?

Não sei. Mas o departamento artístico da emissora é muito aberto ao diálogo. Tenho um contrato para cumprir e, por sorte, consigo fazer isso com muito prazer. De personagem em personagem, consigo sentir certo amadurecimento da minha atuação. Eu busquei estudar, ganhar um estofo, mas a minha trajetória é marcada por aprender fazendo.

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