Eta mundinho complicado para viver!

Eta mundinho complicado para viver!

Os paradoxos de uma sociedade que devora a si mesma

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Hoje, acordei pensando em camelos e em seu mundo quase vazio. Areia, céu, sol, um mar de dunas. Talvez a tranquilidade desse animal se deva a isso. Não há entraves de qualquer espécie. Espaço aberto, livre, nada atrapalha. Só dependem deles para sua movimentação. Quando muito, algum problema referente ao abastecimento de água. Pequena fila, quatro ou cinco camelos. Incríveis os paradoxos do nosso mundo, desertos e terras geladas de um lado; cidades com mais de 10 milhões de pessoas de outro. Difícil o convívio nesses formigueiros.

Fila nos bancos, nos pontos de ônibus, nos cartórios, nos cinemas, nas padarias… Fila até para tirar protocolo para entrar na fila daqueles que já possuem protocolo. As filas e seus estranhos tipos. Os que chegam de mansinho, perguntam alguma coisa e acabam ficando. Outros correm a fila de ponta a ponta e descarregam a papelada nas mãos de algum conhecido. Há os “guardadores de lugar”, cobram pelo serviço. Os fura–filas, mesmo contestados, afirmam que já estavam na fila. Há os apressadinhos, que dizem estar perdendo o avião, a hora do dentista, a consulta médica. Até na fila de atendimento preferencial dos bancos existem os espertos: velhinhos malandros com uma tonelada de papéis de empresas, mulheres que simulam gestação, falsos deficientes.

Engarrafamentos de endoidar nas ruas e avenidas. Carros modernos, velocímetros marcam 200 Km/hora; congestionamentos os limitam a 10 Km/hora. Estacionamento de supermercados. Aparece uma vaga, sempre surgem os “educados”: entram de frente ou de ré, furam a vez daqueles que aguardam a saída de outro carro. Dentro, então, a coisa pega: aglomerados nas ruelas, carrinhos de frente, de lado, em diagonal… Comadres batem papo entre as prateleiras, pessoas tentam pegar o mesmo produto ao mesmo tempo. Crianças correndo como tornados. Na saída, longas filas junto aos caixas. Surpresa no retorno ao estacionamento: ladrões nos levam a compra e o carro.

Filas dos aposentados nas repartições do Instituto. O infeliz frente ao médico:

– O senhor tem que ser operado com a máxima urgência, seu apêndice está muito inflamado, pode estourar. Passe já pelo balcão e peça ao funcionário para marcar a data.

O aposentado entrega o papel ao atendente. Este lhe dá a resposta: seis meses.

– O senhor não entendeu, o médico disse que é urgente!

– O senhor é que não entendeu, o que posso fazer, meu chapa. Fila de quilômetro…

– Ah, essa não! Esperar seis meses… posso morrer.

– Não esquenta, cara, a gente passa o seguinte para o seu lugar.

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