Em fevereiro, tem Carnaval

Em fevereiro, tem Carnaval

Já não brincamos mais, apenas assistimos

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Ano novo, vida velha. Os eternos problemas ressurgem e espocam diante dos nossos olhos com a mesma intensidade dos fogos de artifício da passagem do ano velho para o novo.

Enxurrada de pagamentos: impostos, batelada de contas, condomínios, planos de saúde, seguros e os cambaus. Janeiro parece ter sido criado para pagarmos todos os nossos pecados. Ainda bem que logo depois vem fevereiro e, como uma espécie de consolo, somos brindados com as festas do Carnaval.

Carnaval! Maravilha! A festa mais democrática do Brasil. Pedreiros, padeiros, bombeiros e garis, num passe de mágica, transformam-se em reis, rainhas, príncipes e demais cortesãos de quaisquer cortes ainda existentes ou imaginárias. Outros, mais modestos e anti-monarquistas de carteirinha, preferem ser o Homem Aranha, Batman, Super Homem e outros heróis dos quadrinhos. Há, ainda, os saudosistas empedernidos que, dando “pernaquia” para os modernosos de todos os quilates, esmeram-se nas fantasias de pierrôs, arlequins e colombinas ou nas de piratas e Carlitos. Ao dizer tais coisas, estou me referindo ao carnaval de rua, hoje, uma rara exceção, quase extinto.

Nos antigos carnavais do século passado, todos brincavam e ninguém pagava. Os indivíduos saíam para a rua, fantasiados ou não, e interagiam uns com os outros. Alguns saíam sozinhos; outros, em blocos e cordões e fantasiados a caráter. As escolas de samba eram organizações simples, dominadas por genuínos sambistas e passistas exímios. Todos deixavam as preocupações em casa e davam vazão aos embotados instintos. Com o advento dos carros, surgiu o corso, um desfile de carros de passeio, com a capota de lona abaixada, repletos de foliões ricos, pois poucos possuíam carro. Ao se cruzarem os carros de dois corsos, ocorriam as famosas batalhas de serpentinas, confetes, jatos de lança-perfume e até talco e farinha.

De uns tempos para cá, com exceção de abnegados diretores de blocos, os carnavais de São Paulo e do Rio se limitaram aos desfiles das escolas de samba realizados nos sambódromos.

Portanto, as antigas brincadeiras de rua, que eram gratuitas e para todos, transformaram-se em espetáculos para assistir e quem quiser ver tem que pagar. As escolas de samba são hoje espécies de empresas que auferem ajuda governamental e os figurões da TV e de outras áreas que pretenderem desfilar nas suas alas pagam boas somas. Por ser vendável e lucrativo, o carnaval virou produto comercial.

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