Ele é ‘O Pai’

Ele é ‘O Pai’

Fulvio Stefanini fala sobre a peça que encena no Teatro Fernando Torres

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Com uma história de vida fantástica, Fulvio Stefanini tem um currículo que é sinônimo de reverências e elogios: mais de 40 novelas, 30 espetáculos e 10 filmes. Agora, ele vive no teatro a experiência de poder expressar o que muitos pais passam e sentem através deste novo trabalho, que já rodou o mundo.

“Viver o André é um grande desafio. Um personagem instigante, complexo, divertido e comovente. Quando li a peça pela primeira vez percebi que teria a oportunidade de realizar um grande trabalho. Lidar com um tema tão delicado, de uma maneira sutil, buscando valorizar o que há de mais humano na relação com a filha e com os próximos. Fiz 60 anos de carreira. Ganhei de presente ‘O Pai’.” Nesta entrevista, ele fala um pouco sobre a peça.

“A grande ‘sacada’ é poder fazer um personagem que, embora fictício, é de uma realidade incrível”
“A grande ‘sacada’ é poder fazer um personagem que, embora fictício, é de uma realidade incrível”

O que é ser pai, pra você?

Não é muito diferente daquilo que todos os pais sentem e desejam para seus filhos. Numa análise primária, seria a extensão de sua existência, mas é muito mais do que isso. Através de seus filhos você se realiza como pessoa, como ser humano. Você transmite e adquire experiências. No fim, é uma troca maravilhosa de experiências, emoções e sabedoria.

O que você usou da sua experiência como pai para dar aquele toque a mais ao personagem?

Não tenho o hábito de levar para o palco experiências pessoais. Prefiro que as coisas fluam naturalmente. O trabalho é um processo estimulante em que se descobre caminhos a seguir. Temos a preocupação de não errar e, neste caso, acho que acertamos na mosca. O espetáculo tem agradado muito. Ao mesmo tempo em que faz rir, faz chorar, emociona as pessoas que, via de regra, identificam em seu círculo familiar ou entre amigos alguém parecido com o André, meu personagem.

Qual a grande sacada de viver um pai, com idade avançada e uma memória que já não é mais a mesma, no meio de tantos conflitos familiares?

A grande sacada é poder fazer um personagem que, embora fictício, é de uma realidade incrível. É um personagem comumente identificável por grande parte dos espectadores que muitas vezes estão passando por essa experiência dentro da própria casa. O envolvimento emocional é enorme e essa energia, com certeza, passa para o ator.

A direção da peça, que estreou em 2016, está nas mãos do seu filho, Léo Stefanini. O que significa mais esta experiência?

O orgulho imenso de um pai vendo seu filho trilhar o mesmo caminho. A direção dele é precisa, criativa e funciona como um relógio. Tivemos uma relação muito profissional. Eu o via como diretor e ele me via como ator. Nada de brigas ou discussões familiares. Isso foi muito importante para o resultado final. Aliás, meu outro filho, o Fulvio Filho, também é ator, um ótimo comediante. Essa emoção é indescritível. A mamãe Vera fica sempre babando com os filhos, e eu também.

O que esse trabalho já acrescenta à sua experiência teatral, sendo que através dele você comemora 60 anos de carreira?

Muito. Não é sempre que um personagem com essa dimensão humana, com essa densidade emocional aparece e nos motiva tanto. Para um ator com minha idade e minha experiência isso é raro.

Você já esteve na região antes ou só agora, a trabalho? Está gostando?

Já estive sim, várias vezes. Amigos e colegas me falaram maravilhas do teatro e também do público destas paragens. Devo confessar que estou adorando.

E, para finalizar, dá uma prévia do que o público irá encontrar neste texto de Florian Zeller, que é muito bem cotado no exterior.

Com certeza vai ver um espetáculo humano, verdadeiro e muito comovente com bons momentos de humor. A peça faz muito sucesso no mundo inteiro e já ganhou muitos prêmios em diversos países. No Brasil tive a honra de ser agraciado com o prêmio mais importante do teatro, que é o Prêmio Shell. Levei o troféu de melhor ator do ano. Só falta agora nos encontrarmos no teatro para uma deliciosa noite de celebração com “O Pai”.

Sobre a peça

O Pai (Le Père – título original em francês), é um texto jovem, escrito em 2012, por Florian Zeller, que rapidamente tornou-se um fenômeno mundial, estando em cartaz em mais de 20 países.
Na França, ganhou os Prêmios Molière, o mais importante do teatro francês, de melhor peça, ator e atriz. Segundo a imprensa francesa, “a melhor peça em cartaz em Paris em 2012”. Na Inglaterra, foi eleita “a melhor peça do ano”, pelo The Guardian. Na Brodway, levou o prêmio Tony Awards de melhor ator para Frank Langella. Em Lisboa, Madrid e Berlim, enormes sucessos de público e crítica. Recentemente, esteve em cartaz na Argentina e Santiago e ainda estreou nos cinemas com o nome A viagem de meu pai, em 2015.

A história

O espetáculo retrata com requintado humor as vidas de um pai, de uma filha e seu namorado. As confusões, o desgaste e a compaixão. Tudo tratado de maneira poética, lúdica e romântica.

O texto mergulha no universo provável de um homem saudável cuja memória vacila. O norte da encenação é identificar a poesia de uma relação tão desgastada a partir de um problema aparentemente sem solução.

A primeira encenação brasileira traz Fulvio Stefanini no papel título, comemorando 60 anos de carreira e o Prêmio Shell de Melhor Ator. Completam o elenco: Carolina Gonzalez, Lara Córdulla, Carol Mariottini, Paulo Emílio Lisboa e Wilson Gomes.

Sem dúvida uma obra que trata a relação humana de forma sutil e delicada. As dúvidas da filha, as confusões do pai, o envolvimento de terceiros. Tudo tão corriqueiro, tão próximo de todos. O que fazer? O Pai não responde. Apenas comove.

Serviço “O Pai”

Quando: De16/06 a 30/07. Sexta-feira, às 21h30; sábados, às 21h; domingos, às 19h. Quanto: R$ 70.
Onde: Teatro Fernando Torres – Rua Padre Estevão Pernet, 588, Tatuapé. Tel.: 2227-1025

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