Edson Celulari

Edson Celulari

Ícone de masculinidade, Edson Celulari fala sobre o câncer que enfrentou e o trabalho na novela A Força do Querer

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Dantas ( Edson Celulari )
Dantas ( Edson Celulari )

No ano passado você se abriu com o público sobre a sua doença (linfoma não-Hodgkin). Em algum momento você fazia ideia do quanto as pessoas te admiravam e torciam por você?

A torcida do público e a fé que eles possuem me emocionou em vários momentos. Eu fiquei sabendo que havia um grupo de cerca de 1.200 pessoas que faziam uma reza noturna e pediam, também, pela minha cura. Gestos como estes me fortaleceram muito e foram muito importantes para mim. Recebi muito carinho e telefonemas de todos os lados. Pessoas que moram dentro e fora do Brasil. Amigos que ficaram me ligando várias vezes e era até difícil atender todo mundo, porque a demanda era muito grande. Os meus amigos se mostraram fieis. E continuam comigo nessa jornada.

Você consegue mensurar como esse acontecimento teve impacto em relação ao seu olhar para vida hoje?

Você faz uma revisão e tem a oportunidade de aprender muitas coisas. Nesse sentido, acredito que eu tenha aproveitado, porque tomei um grande susto. Fiquei recolhido e vivi essa fase do meu jeito e não foi simples, mas também ganhei forças para poder ter uma visão do tipo: ‘Eu? Já? Como assim? Deixa eu arrumar o salão, depois alguém me chama.’ Eu tenho os meus filhos (Sophia, 13 anos, e Enzo, 19), tenho a minha vida, depois tudo bem. Mas voltei fortificado, com os meus valores revistos, dando importância realmente ao que merece. Eu ganhei uma chacoalhada. Acredito que eu tenha voltado melhor.

Suas fãs o consideram o galã da TV. Tudo bem para você?

O que é um galã? Um moço ideal? Tá bom, mas se for um moço ideal, eu já sou quase um velhinho. Eu tento fazer os meus personagens, independentemente de ter esse rótulo. E fiz vários, bem distintos do galã. Fiz no cinema, já fiz uma mulher gorda no teatro (Hairspray, 2010). Então não tem problema se quiserem continuar me chamando assim.

Com Bianca Bin, em Guerra dos Sexos (2013)
Com Bianca Bin, em Guerra dos Sexos (2013)
O ator como Vadinho, em Dona Flor e seus dois maridos (1998)
O ator como Vadinho, em Dona Flor e seus dois maridos (1998)
Na novela América, com Christiane Torloni (2005)
Na novela América, com Christiane Torloni (2005)
Com Michelle Martins na novela A Força do Querer
Com Michelle Martins na novela A Força do Querer
Acima, o ator em cena com Dan Stulbach e Humberto Martins
Acima, o ator em cena com Dan Stulbach e Humberto Martins

Você comentou sobre ser um ‘quase velhinho’… Em algum momento chegou a pensar nessa questão da idade?

Não, porque ela faz parte. Nós vivemos um momento histórico, muito particular. Todos nós estamos ganhando a chance de viver mais 20 ou 30 anos com a avanço da medicina. E temos que aprender a lidar com esse tempo a mais. Meu pai (Edno Ferraz Celulari, falecido em 1993) com a idade que estou hoje, já era um velhinho. Eu tive uma segunda chance. Agora vão ter que me aguentar sabe Deus até quando. Talvez se eu quisesse manter ou viver personagens que foram interpretados há 20 anos seria muito estranho. É tão bacana sair de casa e não saber o que vai acontecer. Se eu soubesse que teria que repetir as coisas, talvez não fosse legal. Procuro viver a idade que tenho. Sou um homem de 59 anos, posso fazer um personagem um pouco mais novo. O mais importante é ter a cabeça saudável e nós temos recursos. Sinceramente, não me preocupo. Ainda mais depois da experiência que eu tive. Surgiu uma força dentro de mim que não tem idade.

Ainda assim, você é colírio para as mulheres. O assédio continua grande?

Eu estava chegando ao trabalho e vi chegar uma excursão. Eu parei e perguntei de onde elas estavam vindo. Era do programa da Fátima Bernardes. Elas correram para tirar fotos e os seguranças vieram para me ajudar. Mas era um grupo muito específico de senhoras e algumas jovens, que ficaram envergonhadas pelas atitudes das mais velhas. ‘Saúde para você’, elas disseram. Eu agradeci. Foi bem assim mesmo. Hoje ainda tem, mas sem gritos histéricos. Eles foram engrossando, ficando mais graves, menos afoitos, menos atrevidos, porque já rasgaram a minha camisa, já levaram os meus bonés, me beliscaram. Isso já não tem mais, e se tiver será em menor número. Mas ainda é muito divertido. Sempre me dei muito bem com essas situações. O que não pode é ter exagero.

No ano que vem você irá completar 40 anos de carreira. Como quer comemorar?

Irei completar 60 anos, 40 de profissão e a minha filha fará 15 anos. É muito compromisso. Estou comemorando cada momento agora. Eu comentei sobre fazer um agradecimento geral, para as pessoas que torceram, rezaram e se manifestaram. Eu não sei como fazer essa festa, porque o Estádio do Maracanã ficaria pequeno.

Falando um pouco sobre trabalho, você está de volta com um galanteador em “A Força do Querer”. Pegando carona nesse título, qual o seu maior querer?

Nesse momento é me divertir com o trabalho. É poder me fortificar e reencontrar alguns colegas como a Glória (Perez, escritora) o Papinha (Rogério Gomes, diretor). Estou me sentindo bem acolhido. Este é o meu querer. Cuidar dos meus filhos, da minha vida, seguir vários projetos sempre focado no trabalho.

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