É só calor?

É só calor?

Mais comum do que se imagina, o suor excessivo é um transtorno constrangedor, que merece atenção às causas e um tratamento específico

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shutterstock_204320818Você já imaginou se um simples aperto de mãos pudesse se tornar um momento de extremo constrangimento? Só quem sofre desse mal sabe o quão incômodo é executar tarefas com as gotas de suor escorrendo pelo corpo, independentemente da estação do ano. Considerado um processo natural do organismo, o suor é essencial para regular a temperatura corporal, mantendo um equilíbrio térmico em torno de 36,5 °C. Mas é preciso atenção quando a condição se torna excessiva e passa a atrapalhar o cotidiano.

Liberado através da transpiração, o suor é a perda de líquido (combinação de cloreto de sódio e ureia), secretado pelas glândulas sudoríparas. “Na pele temos os chamados termoceptores, que são sensíveis ao aumento de temperatura ambiente ou corporal. Qualquer alteração que aconteça, eles enviam um sinal para o cérebro ativar o Sistema Nervoso Simpático e as glândulas sudoríparas passam a produzir e liberar o suor. A evaporação da água que se formou na pele alivia a sensação de calor”, explica a dermatologista Adriana Vilarinho, da Clínica Adriana Vilarinho.

Assim, é normal a pessoa suar quando está com calor, em estado febril ou durante a prática de atividades físicas. Momentos de raiva, nervosismo ou medo também são propícios. No entanto, para uma parcela da população, por uma hiperatividade das glândulas sudoríparas o suor é produzido em excesso. É a chamada hiperidrose. “A sudorese excessiva interfere no trabalho, lazer, ambiente social, bem-estar emocional e até nos relacionamentos. Atividades simples como escrever, cumprimentar outra pessoa e segurar papéis se tornam um problema”, pontua Adriana. Quando o quadro é grave, ocorre gotejamento espontâneo das mãos, o suor molha a roupa, deixando a pessoa constrangida e com aspecto de falta de higiene. O excesso de suor pode causar proliferação de bactérias e fungos, causando um odor desagradável, muitas vezes intenso, chamado bromidrose. Por isso, Adriana faz um alerta: sabonete e desodorante ajudam apenas no odor, mas não na quantidade de suor. Apenas os antitranspirantes têm a função de diminuir a transpiração, pois “entopem” o orifício de saída do suor.

Segundo Adriana, a transpiração extrema pode decorrer de fatores emocionais, hereditários ou doenças. A Hiperidrose Primária não tem causa conhecida, se devendo mais a fatores genéticos. Há pessoas que nascem com a tendência ao distúrbio, que pode se manifestar logo nos primeiros anos de vida, ou em qualquer fase posterior, que é mais comum. “A Secundária é aquela associada a uma causa. O mais frequente é estar relacionada à obesidade, menopausa, uso de drogas antidepressivas e alterações endócrinas e neurológicas, com disfunção do sistema nervoso”.

shutterstock_146012840Já o suor induzido pelo estresse é uma reação imediata do corpo a um estímulo emocional como a ansiedade, alegria ou a antecipação do medo, por exemplo. Pode ocorrer em todo o corpo, mas se manifesta principalmente no rosto, mãos, pés e axilas. “É o famoso suor frio, que acontece de maneira rápida, súbita. A liberação dos hormônios do estresse, a adrenalina e a noradrenalina, contrai os vasos sanguíneos da pele reduzindo o fluxo sanguíneo para os músculos. Essa condição leva a uma queda da temperatura da pele, que é ainda mais resfriada pela evaporação do suor”, explica a dermatologista.

A alimentação também pode induzir a transpiração, como é o caso dos preparos apimentados. Adriana explica: “a capsaicina, substância química encontrada principalmente em pimentas mais picantes, ativa os receptores químicos em nosso corpo que provocam como resposta à sua ingestão um resfriamento reflexivo, neste caso, o suor. É como se o organismo entendesse que estamos em um ambiente quente. Ela envia sinais para o cérebro de superaquecimento, especificamente o hipotálamo, o centro termorregulador do corpo. Esta área ativa milhões de glândulas sudoríparas para que comecem a produzir o suor e, assim, diminuir a temperatura do corpo elevada pela comida temperada”.

Diagnóstico e tratamentos

Caso os sintomas sejam identificados, a recomendação é procurar atendimento médico, pois existem diversas maneiras de tratar ou amenizar esta condição. “Há dois testes para se descobrir o tamanho da hiperidrose. O teste de amido-iodo, que consiste em uma aplicação de uma solução de iodo para a área suada e, após secagem, o amido é aspergido sobre a zona. A combinação amido e iodo com o suor deixa a região cor azul escuro. O outro método é o do papel de teste. Um papel especial é colocado sobre a área afetada para absorver o suor, e depois é pesado​​. Quanto mais peso tiver, mais suor se acumulou”, explica a dermatologista.

shutterstock_144787498A falta de tratamento da hiperidrose pode deixar a pele das regiões afetadas macerada ou mesmo fissurada, além de contribuir para o aparecimento e manutenção de outras doenças de pele como infecções bacterianas, fúngicas e dermatite de contato. Por isso, Adriana preparou uma relação com as principais formas de combater o problema:

-Tópico: Nos casos leves, é possível amenizar os sintomas apenas com o uso de medicações tópicas e antitranspirantes à base de cloreto de alumínio. Eles evitam o suor porque tampam a saída das glândulas sudoríparas para a pele.

– Medicamentoso: Nos distúrbios moderados, é possível amenizar os sintomas com medicações orais com ação anticolinérgica. Porém, podem ocorrer alguns efeitos colaterais indesejáveis, como boca seca e constipação. Além disso, se o tratamento for interrompido, a transpiração excessiva retorna.

– Botox: A toxina botulínica é o método mais utilizado atualmente. Ela age bloqueando temporariamente os nervos que estimulam a sudorese. A aplicação é feita no consultório dermatológico com anestesia tópica. Aplica-se a substância nas áreas onde há maior concentração de suor. O efeito aparece em torno do terceiro dia. A duração da primeira aplicação dura de oito a 12 meses. A partir da segunda, esse tempo aumenta.

– Cirúrgico: A Simpatectomia torácica é a cirurgia para o tratamento definitivo da hiperidrose. Ela atua sobre os nervos que levam o estímulo exagerado às glândulas sudoríparas. Porém, existe o risco de sudorese compensatória, ou seja, a paciente pode passar a suar em outras áreas do corpo.

– Laser: O miraDry é a nova tecnologia não invasiva para o tratamento do suor excessivo. Trata-se de um aparelho que emite ondas de micro-ondas de curto alcance e altíssima precisão que aquecem e desativam as células sudoríparas a uma temperatura média de 55 a 60ºC, desativando-as por meio de um processo chamado de termólise. Os resultados são duradouros e reduzem em até 82% o suor nas axilas. Muitas vezes, em uma única sessão o problema já cessa por até três anos ou mais. No máximo três sessões são suficientes até mesmo nos casos mais avançados.

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