Boneca atrevida

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Rosanne Mulholland volta à Globo na pele de personagem sensual em Alto Astral

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Rosanne Mulholland, atriz.A fala mansa e os traços delicados de Rosanne Mulholland poderiam muito bem enquadrá-la no estereótipo de boa moça. E era justamente esse o receio que a atriz tinha quando começou a trabalhar na TV: o de sempre ser escalada para personagens delicadas e do bem. Ela até fez papéis nesse perfil, como a icônica professora Helena de Carrossel, remake do SBT exibido em 2012, e a Danielle, protagonista de Água na Boca, da Band. Mas, na pele da Débora, de Alto Astral, Rosanne explora outra faceta, a sedução. “Acho que as personagens que não são politicamente corretas acabam dando mais liberdade para o ator. Estou tentando aproveitar bastante isso”, ressalta.

Na trama de Daniel Ortiz, além de ser atrevida com os homens e trabalhar como secretária da revista de Marcelo, papel de Edson Celulari, a personagem é aluna de natação. Por isso, assim que soube desse detalhe, Rosanne se matriculou em uma aula para não fazer feio nas cenas em que precisa nadar. Ela até tem uma dublê à disposição para as sequências mais complicadas, mas gosta de fazer tudo o que é possível. “Se precisar pular de cabeça, lascou, vou dar ‘barrigada’. Aí, nesse caso, seria melhor colocar uma dublê”, pondera, aos risos.

Para compor a personalidade egocêntrica e sedutora de Débora, Rosanne até assistiu a alguns filmes com o objetivo de achar algum papel que lhe trouxesse referências. Mas foi nas pessoas que já passaram por sua vida que a atriz encontrou a melhor fonte de inspiração. “Imagino a Débora como alguém que usa do poder feminino para conseguir as coisas e que tenta ser superior o tempo inteiro”, explica.

Rosanne Mulholland, atriz.O que também ajudou Rosanne a encontrar o tom foi mudar completamente de visual. Antes de começar a gravar a novela, ela estava com os cabelos bem compridos. E, ao tomar conhecimento do perfil de sua nova personagem, percebeu que os fios curtos ajudariam a tirar o ar doce que tem. “Acho que o cabelo comprido me deixa mais meiga e a Débora não é assim”, avalia. Além disso, Rosanne se deu conta de que, com a rotina de aulas de natação, seria muito mais prático ter um cabelo menor, que lhe exigisse menos tempo com cuidados por conta do cloro da piscina. “Pensei que, se eu nadasse, ia querer cortar esse cabelo fácil. E, ao mesmo tempo, me dá uma atitude diferente, me dá outra sensação que eu acho mais interessante para essa personagem” analisa.

Alto Astral marca o retorno de Rosanne à Globo, onde estreou na TV, com JK, em 2006. De lá para cá, ela trabalhou em outras emissoras, como Band e SBT. E sentia vontade de voltar para o lugar onde começou, apesar de não ter sido este seu plano de carreira. “Meu objetivo é trabalhar com a profissão que escolhi para mim, não necessariamente em um lugar ou em outro. Mas eu sempre pensei que seria muito legal voltar”, diz. Hoje com mais experiência na televisão, a atriz recorda que, no início, se sentia insegura com o ritmo industrial de produção. Até então, ela tinha mais intimidade com o cinema, em filmes como Falsa Loura e 14 Bis, entre outros. “Nas minhas primeiras experiências na televisão, fiquei um pouco assustada. Demorei para me achar, para entender minha função e o que eu já tenho de trazer pronto”, assume. Foi quando protagonizou Água na Boca que Rosanne passou a se sentir mais à vontade. “Eu gravei muito e ali entendi o que era televisão finalmente. Até me preparou porque fiz a professora Helena mais tranquila e segura”, ressalta.

Público seleto

Quando se deu conta de que interpretaria a professora Helena no remake de Carrossel, exibido pelo SBT, Rosanne Mulholland sentiu um frio na barriga. Afinal, ela sabia da responsabilidade em encarnar um papel que marcou a infância de muita gente nos anos 1990, com a versão mexicana da trama. “Foi uma personagem muito querida, inclusive por mim”, recorda.

A repercussão junto ao público, aliás, foi calorosa. Volta e meia, Rosanne era abordada por crianças que admiravam a professora Helena. Algumas a abraçavam com força, enquanto outras ficavam perplexas e tímidas quando a encontravam. Para não decepcionar, a atriz precisava se manter na personagem. “As crianças são muito passionais. Era muito carinho e existia aquela exigência de ser a professora Helena o tempo inteiro. Era bem maluco, mas muito gostoso também”, conta.

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