O rio e o bairro

O rio e o bairro

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Embarcação às margens do Rio Tietê, próximo a Rua Tuiuti. Data: 1930
Embarcação às margens do Rio Tietê, próximo a Rua Tuiuti. Data: 1930

O Rio Tietê é, ao mesmo tempo, presente e ausente na vida dos paulistanos. Presente porque ele faz parte do cotidiano de milhões de pessoas, dividindo uma das vias mais movimentadas da cidade, além de receber uma grande quantidade de esgoto e lixo diariamente. Ausente porque é um rio inutilizado, morto, que não serve para lazer ou transporte e nem para trazer beleza à paisagem.

Mas o Tietê já foi um rio vivo e importante para a cidade e para as pessoas, inclusive Para o Tatuapé? Quer saber como?

Olarias e portos de areia

Na década de 1880, foi aprovada a lei que permitia o arrendamento das terras ribeirinhas para a instalação de olarias e extração de areia e pedregulhos. Imigrantes italianos que chegavam ao País se beneficiaram da autorização e começaram  a indústria oleira, uma importante atividade do bairro na primeira metade século 20. Quase duas dezenas de olarias funcionaram entre a atual Avenida Salim Farah Maluf e as cercanias do bairro da Penha.

Essa atividade fez com que surgissem diversos portos de areia ao longo do rio, que eram locais para carregar e descarregar os barcos que faziam o transporte da produção, além de funcionar, também, como uma espécie de casa de materiais de construção.

Porto de areia próximo às ruas Ulisses Cruz e Tuiuti. Data: 1930
Porto de areia próximo às ruas Ulisses Cruz e Tuiuti. Data: 1930
Antiga olaria às margens do Rio Tietê. Data: 1930.
Antiga olaria às margens do Rio Tietê, próximo à Rua Tuiuti. Data: 1930.
Porto de areia próximo às ruas Ulisses Cruz e Tuiuti. Data: 1951.
Porto de areia próximo às ruas Ulisses Cruz e Tuiuti. Data: 1951.
Porto de areia próximo às ruas Ulisses Cruz e Tuiuti. Data: 1948.
Porto de areia próximo às ruas Ulisses Cruz e Tuiuti. Data: 1948.

Estaleiros

Com um transporte terrestre difícil e demorado, o Rio Tietê também se apresentou como uma boa via de escoamento da produção das olarias. Assim, surgiram alguns estaleiros às suas margens. O mais famoso no bairro pertenceu aos irmãos Frassi e ficava no final da Rua Tuiuti. O local começou com Labindo Frassi, que veio da Itália em 1900 e se dedicava ao trabalho junto com os filhos, Mário e Dante. A produção dos batelões era bem intensa para a época: um barco pequeno por dia e um grande por semana. O Conde Francisco Matarazzo, proprietário da Chácara Piqueri (onde hoje fica o parque de mesmo nome), era um dos clientes do estaleiro.

Estaleiro dos irmãos Frassi na Rua Ulisses Cruz. Data: 1930.
Estaleiro dos irmãos Frassi na Rua Ulisses Cruz. Data: 1930.

Lazer e esporte

Como nos finais de semana as pessoas gostavam de usar o rio para o lazer, os barqueiros costumavam alugar as embarcações para passeios e piqueniques. Para essa finalidade, seus donos os limpavam e adornavam. Um dos grupos que mais os requisitavam era o dos paroquianos da Igreja Cristo Rei.

O rio também era usado por remadores para treinar e por quem queria apenas se refrescar em suas águas. A Associação Atlética Guarani, que ficava no local onde hoje está o Corinthians, montava cochos nas águas do Tietê para que as pessoas pudessem nadar.

Remador do Guarani. Ao fundo vê-se o escorregador e o bosque de eucaliptos que o clube possuía em sua praça. Foto: 1935.
Remador do Guarani. Ao fundo vê-se o escorregador e o bosque de eucaliptos que o clube possuía em sua praça. Foto: 1935.
Cochos e ancoradouro de barcos do Guarani, junto às margens do Rio Tietê. Foto: 1935
Cochos e ancoradouro de barcos do Guarani, junto às margens do Rio Tietê. Foto: 1935

Enchentes

Mas nem só de poesia é feita a vida ribeirinha. Naquela época, as áreas de várzea ficavam inundadas quando chovia muito, o que causava problemas para muitas pessoas.

Lagoas formadas pelas enchentes do Rio Tietê, próximo à Rua Ivaí. 1935
Lagoas formadas pelas enchentes do Rio Tietê, próximo à Rua Ivaí. 1935