As ruas do Tatuapé

As ruas do Tatuapé

199
COMPARTILHE
Avenida Regente Feijó homenageia o padre que foi proprietário de terras na região
Avenida Regente Feijó homenageia o padre que foi proprietário de terras na região

Houve uma época, quando São Paulo ainda era uma cidade pequena e provinciana, que as ruas não tinham nomes oficiais. Era o dia a dia, o uso pelas pessoas que ajudava na identificação do local. Assim, a casa dos moradores era identificada com expressões como “…junto à casa da Fundição”, “…defronte do pelourinho”, ou “…defronte a Cadeia”. Bom, isso funcionou na época em o território de São Paulo se restringia basicamente ao que hoje conhecemos como Centro Velho. Com o tempo, o crescimento do município e também o crescimento demográfico, surgiram outras necessidades. Foi em 1909, um pouco depois da chegada da Família Real ao País e com a necessidade do município de identificar as pessoas e ter como cobrar impostos, que começaram a surgir legislações referente a nomes de ruas e ao emplacamento das mesmas. Ao longo dos anos houve diversas alterações nessa legislação. Hoje, quem pode nomear uma rua é o prefeito ou os vereadores, que apresentam uma justificativa com a relevância do nome escolhido. Os moradores podem solicitar a modificação do nome se ele for ofensivo, causar prejuízo ou mal-estar. E, para modificar o nome da rua, é preciso ter a aprovação de 2/3 dos moradores da via.

No Tatuapé, há ruas que homenageiam personalidades de relevância nacional, e outras tantas que são referências a personagens que fizeram história no bairro. Fizemos uma seleção dessas últimas para vocês.

Rua Dona Candida – É uma homenagem a Candida Borba de Azevedo Soares, esposa do Dr. Joaquim José de Azevedo Soares. Católica fervorosa, doou, em 1908, o terreno para a construção da capela de Nossa Senhora do Bom Parto, da qual era devota. A rua, aliás, passa bem ao lado da Igreja.

Rua Dona Candida
Rua Dona Candida

Rua Emilia Marengo – Era a esposa de Francisco Marengo, o viticultor mais famoso do bairro na época em que as chácaras e plantações de uva eram comuns na paisagem da região.

Rua Mastropaulo – Foi um antigo proprietário de terras no Tatuapé.

Rua Mozart de Andrade – Dá nome a antiga Rua C, do Conjunto Acrópole. Ele foi um dos fundadores da Sociedade Amigos da Chácara Santo Antonio. Sempre ligado aos problemas da Zona Leste, batalhou bastante pelas melhorias do bairro e da região. Faleceu em 1968.

Rua Síria – O sírio Assad Abdalla comprou, em 1912, um milhão de metros quadrados de terras na região do atual Parque São Jorge. Foi ele quem dividiu aquele pedaço em quadras, abriu ruas e avenidas e o transformou em um bairro. Para homenagear sua pátria, deu à avenida principal o nome de Rua Síria.

Rua Síria
Rua Síria

Rua Santa Virgínia – É uma homenagem do sírio Assad Abdalla, que fez o loteamento do Parque São Jorge, à sua esposa, dona Curgie. Virgínia seria uma adaptação do nome dela ao português.

Avenida Regente Feijó – O Padre Diogo Antonio Feijó, que foi regente do império e ficou conhecido como Regente Feijó, comprou, em 1829, o Sítio Capão Grande, na parte alta do Tatuapé, e passou a chamá-lo de Chácara Paraíso. Posteriormente, o local foi comprado pela Associação Beneficente Lar Anália Franco. Hoje, tem uma parte tombada pelo patrimônio histórico e outra em que funciona a Unicsul.

Avenida Conselheiro Carrão – Advogado, deputado e senador do Império, Conselheiro Carrão adquiriu uma gleba de terra entre as atuais Vila Matilde, Vila Formosa, Vila Califórnia e Aricanduva. Desde então o local passou a ser conhecido por Chácara Carrão. Aproveitando as boas condições da terra, desenvolveu nela um excelente vinhedo. Consta que em 29 de agosto de 1876 recebeu em sua propriedade o Imperador Dom Pedro II, que em visita a São Paulo, inspecionava as obras da estrada de Ferro do Norte (Central do Brasil)

Rua Canuto Abreu – Silvino Canuto Abreu foi um dos presidentes da Associação Feminina Beneficente e Instrutiva Lar Anália Franco após a morte de sua fundadora.

Rua José Tabacow – José Tabacow é o fundador da Têxtil Tabacow, pioneira do setor no País. A rua que leva o seu nome fica na região onde a empresa teve sua sede durante muitos anos – entre as ruas Azevedo Soares, Boa Esperança e Agostinho da Mota. Funcionando ininterruptamente, a fábrica produzia tapetes, carpetes, tecidos de algodão, acrílicos e veludos. Além de empresário, José Tabacow foi, também, um lutador pela causa de Israel, defendendo a criação de um lar aos sobreviventes israelitas da mortandade monstruosa. Após a chegada do Estado de Israel, distinguiu-se como pioneiro no Estabelecimento de relações de amizade entre o Brasil e Israel, fundado a Sociedade Brasil-Israel, que concretizou o primeiro negócio entre os dois países – a troca de soja brasileira por cimento de Israel. Faleceu em 1963.

Rua Nagib Izar – Nagib Izar nasceu no Líbano, em 1908, e morou e trabalhou no Tatuapé por 45 anos. Esteve envolvido na construção da Igreja Cristo Rei, foi diretor e fundador da Sociedade de Beneficência Brasil-Líbano do Tatuapé, diretor da Sociedade Maronita de Beneficência, e um dos primeiros industriais do bairro. Faleceu em 26 de outubro de 1971.

Viaduto Carlos Ferraci – O viaduto que liga as praça Pádua Dias e Santa Terezinha leva o nome do construtor Carlos Ferraci (1896-1969), responsável pela construção das maiores indústrias do Tatuapé. Um morador antigo do bairro deixou registrado em um livro que metade deste viaduto caiu sobre os trilhos da Estrada de Ferro horas antes da inauguração, que precisou ser adiada alguns meses para os reparos.

Rua Cesário Galero – Cesário Pereira Galero (1850-1942) veio de Portugal para o Brasil com 9 anos. Primeiro morou no Rio de Janeiro e, depois, mudou-se para São Paulo, onde teve os hotéis Nacional e Brasil, na Avenida Rangel Pestana. Fez grande fortuna loteando para a venda uma das áreas de terreno que possuía no Tatuapé. Doou para a prefeitura uma rua aberta que, pelo reconhecimento popular, levou seu nome.