Apenas medir o “QI” de alguém não é suficiente

Apenas medir o “QI” de alguém não é suficiente

COMPARTILHE

Nos dias atuais, dá-se grande valor ao “QI” – quociente de inteligência. Quem sou eu para criticar esse tipo de avaliação. É uma boa maneira de mensurar o intelecto das pessoas. Mas, como tudo neste mundo tem dois lados, não custa ponderar sobre seus prós e contras. Afinal, a inteligência é amoral. Há indivíduos inteligentes bons e maus. Os imperadores romanos Nero e Calígula são um exemplo disso. Quem poderá negar a Hitler uma rara inteligência? Mas não é necessário cavar tão fundo para constatar tal fato. Diariamente encontramos tais pessoas.

Print

As várias formas de energia que conhecemos, quando empregadas de forma correta, facilitam sobremaneira a vida dos seres humanos. A dinamite, por exemplo, possibilita a abertura de túneis para dar passagem a rodovias e ferrovias. Também é importante para o fornecimento de pedra britada, mármores e granitos. Destaca-se ainda seu uso nas minas, para a extração de carvão, cobre e outros minérios. Mas, quando aplicada a equipamentos de guerra – bombas e granadas – serve para destruir cidades inteiras e matar milhares de pessoas. O mesmo pode ser dito da energia atômica, uma das mais fantásticas fontes de energia descobertas pelo homem; no entanto, todos conhecem os resultados de sua aplicação para fins bélicos.

Voltando ao início, podemos dizer que a incrível energia que emana da fonte da inteligência deve ter alguma forma de controle. Do contrário, o indivíduo que a possui pode causar enormes malefícios a si mesmo e aos outros. Aliás, a natureza já nos dotou de tal instrumento: o mecanismo da razão. Mas, há um problema: até que ponto fazemos uso dela? Deveria ser criado um sistema para medir a razão e o porcentual dela que as pessoas utilizam. Poderiam chamá-lo de “QR” – quociente de razão. A partir daí, quando medido o “QI” de um indivíduo, paralelamente se agregaria seu “QR”. Teríamos uma visão mais abrangente da sua personalidade.

Bem! Vou dar um único exemplo para validar a necessidade do monitoramento da inteligência. No dia 6 de agosto de 1945, um avião B-29 da força aérea dos Estados Unidos lançou a bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima. Até hoje se discute o número de mortos. Milhares morreram no ato, outros milhares nos anos subsequentes pelos efeitos radiativos.

O tenente coronel Paul Warfield Tibbets comandou a missão. É de se admitir que Tibbets era o homem mais bem preparado para a tarefa. Deveria ter um “QI” altíssimo, do contrário não teria recaído sobre ele tal responsabilidade. Mas, cabe aqui uma indagação: que quociente de razão deveria ser dado a ele? Ainda mais se levarmos em consideração que faleceu em 1 de novembro de 2007, aos 92 anos de idade, sem jamais demonstrar arrependimento.

Pedro Abarca é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da União Brasileira de Escritores. peabarca@yahoo.com.br

1 COMENTÁRIO

DEIXE UM COMENTÁRIO