Amor sem fronteiras

Amor sem fronteiras

O senso comum diz que o amor supera tudo. É uma definição ousada, porque depende de cada pessoa e de cada história. E depende, também, do que é esse “tudo” para cada um. Mas, certamente, se não houver dedicação, paciência, companheirismo e respeito, o amor não vai superar muita coisa, muito menos a distância. Nessa matéria, contamos a história de três casais que embarcaram em uma aventura multicultural para viver seus romances. São histórias que já duram mais de 10 anos e provam que o amor pode, sim, atravessar fronteiras e permanecer em alta desde que haja afinidade, respeito pelas tradições do outro e, principalmente, a disponibilidade para o novo, pois as mudanças não são poucas, nem simples. O desafio é grande, mas a recompensa vale a pena.

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Thayomara Moura e Fabrizio Demuru

Fotos-5BRASIL_ITALIANem Brasil, nem Itália. O amor da empresária brasileira Thayomara Moura, 32, e do chef italiano Fabrizio Demuru, 42, nasceu na Inglaterra. Foi em 2003, na pequena e romântica Scarborough que o primeiro encontro aconteceu. Por conta de um intercâmbio, Thay chegou à cidade sem amigos e com alguns poucos conhecidos e foi apresentada à Fabrizio. Dono do próprio restaurante, o italiano chamou Thay para cobrir a ausência de uma funcionária do local e então tudo aconteceu. “Fui para a Inglaterra para aprender inglês, conheci muita gente, consegui montar meu próprio negócio, acabei gostando e ficando”, conta ele.

E foi lá que o casal construiu parte boa parte de sua história de amor. Thay terminou os estudos e abriu mão da vida no Brasil. “Foram nove anos bem intensos. Vinha visitar minha família apenas nas férias. Adorava a vida lá, mas nunca é igual a nossa casa. Então, namoramos por dois anos e decidimos nos casar”, conta ela.

A união, apenas com efeito civil, aconteceu na Itália na presença da família de ambos. Apesar dos anos felizes em Scarborough, o casal sentiu falta das facilidades da cidade grande.“Depois que a nossa filha Isabella, 4, nasceu, sentimos a necessidade de ter família por perto. É tão bom vê-la crescendo com os avós e tios. A Itália, no período em que mudamos, estava em uma séria crise, então viemos pra cá”, lembra Fabrizio.

A vida em família não poderia estar melhor. Proprietários do Cucina Si Italianíssimo, no Tatuapé, Thayomara e Fabrizio vivem uma rotina tranquila e dedicada à filha. Apesar da nacionalidade inglesa, a menina aprende um pouco de tudo. “Em casa, tudo é misturado. A cultura brasileira e italiana são bastante parecidas.

Ela entende e mistura ao falar italiano e português. Filmes e desenhos sempre em inglês, já que ela nasceu lá e ainda lembra um pouco. Isabella fica dividida entre o arroz e feijão e a massa”, fala a mãe.

O relacionamento a dois também vai muito bem. O casal, que se comunica especialmente em italiano, com um pouco de inglês, permanece com a sintonia à mil. “Sempre tiramos dois dias para fazer passeios românticos e trocar presentes. Fabrizio tem senso de família, é um pai excelente, brincalhão, criativo e, é claro, cozinha muito bem”, ressalta a esposa apaixonada.

Sobre os desafios desse relacionamento intercultural, Fabrizio ressalta. “Às vezes a língua atrapalha. Há palavras que são parecidas, mas dependendo do tom de voz, pode te dar um outro sentido. Mas é só questão de conversar melhor. Thay é uma mãe e esposa muito carinhosa e cuidadosa, empreendedora, criativa e trabalhadora”, derrete-se o maridão italiano.

Amábili e Mauro Fernandez

AMABILI- RODRIGUES-H2O-24-05-2016 085BRASIL_ARGENTINAA rivalidade entre Brasil e Argentina é coisa de futebol mesmo. Na casa da publicitária brasileira Amábili Fernandez, 33, e do padeiro argentino Mauro Fernandez, 31, só tem espaço para romance.

Nascido na cidade de Gualeguaychú, Mauro mudou-se para Buenos Aires em 2002. Mal sabia ele que, cinco anos mais tarde, lá encontraria a mulher de sua vida. Após concluir a faculdade, Amábili deixou o Brasil para estudar espanhol e buscar uma oportunidade profissional.

“Nos conhecemos trabalhando. Eu não gostava do jeito dela de pedir as coisas, toda nervosinha e estressada, e fazia de tudo para piorar isso. Tempo depois, a conversa de “o que você faz nos finais de semana” foi nos levando a tomar café da tarde juntos e nos conhecer um pouco mais. O namoro veio rápido e o casamento mais ainda. Do primeiro beijo ao cartório foram 10 meses”, lembra o maridão.

Antes da troca de alianças, Amábili fez questão de apresentar o amado para toda a família, no aniversário de 15 anos de sua irmã. “Ele ainda pediu minha mão em casamento para o meu pai, com direito até a texto em português traduzido no Google. Todos o receberam de braços abertos. Foi incrível. Ele se enturmou e, logo, virou ‘Hermano’”, conta a brasileira.

O casamento teve comemoração nos dois países para nenhum familiar ou amigo ficar de fora. Dois anos depois, em 2010, o casal decidiu trocar a Argentina pelo Brasil. “Viemos em busca de melhores oportunidades de trabalho, para comprar uma casa própria. Depois de quatro anos morando fora, a Amábili também estava com saudades de conviver mais com a família”, comenta Mauro, que hoje sente falta das saídas com amigos e dos shows de suas bandas favoritas.

A comunicação a dois é praticamente toda em espanhol; português, só na presença das visitas. “O homem argentino é, em geral, mais machista do que o brasileiro, mas Mauro não é assim.

É divertido, paciente, bonito e, além de tudo, ainda cozinha.

Aprendo muito com ele. Me tornei mais calma e aproveito melhor a vida”, derrete-se Amábili.

Para Mauro, um dos desafios da relação foi a questão da alimentação. “Temos mais diferenças pela criação e pelos hábitos de cada um do que pela cultura em si. A única questão foi que, no início, senti bastante a diferença em relação à comida. Ela gostava de comer arroz quase todo dia e também tinha o hábito de comer um pouco cedo. Eu conheci o feijão com 21 anos. Até então, comia apenas carnes e carboidratos. Vivia de bife milanesa com batata frita. Hoje, temos um equilíbrio em casa, de tudo um pouco”, diz.

Ana Paula Risson e Kees Plas

Mail Attachment-1BRASIL_HOLANDACatorze anos depois de se conhecerem em um barzinho de São Paulo, a brasileira Ana Paula Risson, 35, e o holandês Kees Plas, 47, formam uma família multicultural na Holanda junto com seus três filhos – Júlia, 7, Miguel, 4 e Rafael, que tem pouco mais de 1 mês. Ana morava em São Paulo e Kees estava na cidade de férias quando se apaixonaram. O namoro à distância durou dois anos.

Naquela época, os contatos eram por e-mail e, de vez em quando, por telefone. Os encontros aconteciam apenas três vezes por ano.

“Por mais apaixonada que eu estivesse, chegou um momento em que queria dar um rumo para a nossa situação: ficaríamos juntos em algum país ou terminaríamos. Foi quando decidi ir para a Holanda, em 2004. Não foi uma decisão simples. Na época eu tinha 23 anos, estava no começo da carreira e trabalhava no emprego dos meus sonhos como repórter para uma rede de TV.

Mas eu pensava: ‘emprego eu arrumo outro, o amor da minha vida, não!’”, diz ela, que teve o apoio da família para a mudança, o que não significou falta de desafios e dificuldades. “Quando você se muda, não tem mais ninguém, apenas seu parceiro. Você fica dependente da pessoa em todos os aspectos e eu não gostava disso. Com o tempo, aprendi a língua, arrumei trabalho, fiz amigos e nosso relacionamento ficou melhor e mais forte”, conta Ana, que está de licença maternidade do trabalho e escreve um blog sobre a vida de mãe na Holanda.

Para Kees, quando Ana Paula decidiu se mudar a sensação foi um misto de felicidade e ansiedade. “Eu tive um pouco de medo se ela iria se encontrar aqui. Tive receio de que ela não se adaptasse”, diz. Os dois concordam que um dos maiores desafios, e gerador de alguns conflitos, foi encontrar o ponto de equilíbrio entre a necessidade dela de ficar junto e a dele de ficar sozinho.

“Brasileiro é muito de querer estar junto o todo tempo. Acho que precisamos de mais calor humano, contato físico. Já o holandês é bem individualista: eles prezam o tempo sozinho, estão acostumados a ter mais liberdade. Esse foi o nosso maior desafio no início”, diz Ana, com o que Kees concorda. “No começo ela ficava bastante no meu pé e isso foi bem difícil”.

Hoje, 12 anos e três filhos depois, o desafio é continuar cultivando um bom relacionamento independentemente das fronteiras, porque é preciso bem mais do que amor para manter uma relação saudável e feliz. “Acho que o amor é essencial em tudo, mas só de amor não se vive. O relacionamento precisa de dedicação, paciência e perseverança, ainda mais se for internacioal”, diz Ana.

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