A Mooca do futuro

A Mooca do futuro

Histórica, cosmopolita, bucólica e agitada... Traçar um panorama de um bairro complexo como a Mooca não é tarefa das mais fáceis. Ainda mais quando se tenta projetar esse panorama para daqui a 41, quando a Mooca terá completado 500 anos desde que foi utilizada como um caminho dos índios e de jesuítas que vinham da parte central da cidade para descer a serra, rumo ao mar. Mesmo assim, alguns mooquenses resolveram topar o desafio de responder a pergunta “como será a Mooca daqui a 41 anos, quando completará 500 anos?” e fazer suas projeções futuras, com base no momento atual, mas sem esquecer o passado histórico que compõe essa nação paulistana, e também juventina, de quase 80 mil habitantes. E nada de cenários futuristas à la Blade Runner, ou que nos remetem ao desenho animado da geração de cinquentões e cinquentinhas de hoje: Os Jetsons. Talvez seja um pouco mais apocalíptico, um tanto Mad Max, sem todo aquele fatalismo de cidades em ruínas, mas um bom filme para se refletir sobre que cenário queremos pintar daqui para frente em nossas vidas.

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1Padrão de excelência Mooca

Bianca Agarelli, empresária

“Para quem cultua o padrão de vida da Mooca atual e do passado só se pode ser muito pessimista ao tentar projetar o que será o nosso bairro quando comemorar seu quinto centenário de fundação, pois com a desenfreada construção de prédios residenciais e comerciais, somente na Baixa Mooca poderão ser encontradas, ainda, algumas casas, já que o que se chama de progresso atingirá essa região em menor intensidade. Com isso, a tradicional cortesia e o relacionamento entre as pessoas, tão característicos de nossa gente, irão se esvaindo. De um bairro marcantemente fabril, a Mooca mudará totalmente esse perfil.

Mas nem só pontos negativos fazem parte de nossa projeção. Haverá um considerável crescimento de espaços destinados a lazer, esportes e atividades culturais. O prédio do Moinho Santo Antonio e parte do prédio da antiga Companhia Antarctica Paulista serão transformados em imensos e modernos polos culturais, preservando a arquitetura original e englobando um Museu da Mooca. E, finalmente, o estádio do Clube Atlético Juventus, já devidamente tombado, será ampliado para atender o crescimento do número de torcedores, mas manterá todas as características arquitetônicas atuais, que são as mesmas da década de 1940”.

2A Mooca em sua essência

Eduardo Odloak, foi subprefeito da Mooca de 2005 a 2008.

“Daqui a 41 anos, dificilmente a Mooca terá fugido da tendência de verticalização que predomina hoje nas grandes cidades brasileiras. Mas, com o triunfo da nossa luta, teremos muito mais áreas verdes na região. Ainda será possível encontrar pequenas e charmosas vilas, resistentes ao tempo! E algumas poucas casas antigas relembrarão o nosso passado. Seremos um bairro com maior oferta de serviços e melhor qualidade de vida, onde certamente o transporte público será eficiente a ponto de se tornar uma opção melhor que o uso do automóvel. A Mooca não perderá a sua essência: os vizinhos continuarão a se conhecer e a se cumprimentar!”

3Educação do futuro

Ângela Limberg é educadora, diretora da centenária E.E. Oswaldo Cruz

“Imagino um processo onde o País, cidade e bairro passarão por um caos político, social e depois um ressurgimento das cinzas. Quanto à Educação, também vejo desta forma. De acordo com nossa constituição, é dever da Família e do Estado a formação do educando, mas em muitos casos o que se percebe é que nenhuma das instituições está conseguindo dar conta desta responsabilidade.

Percebo dois tipos de núcleos familiares, que hoje não têm o mesmo perfil de anos atrás, mas não importa como este núcleo é formado. A escola entra neste contexto recebendo os dois tipos de alunos: o aluno das famílias que têm a preocupação da formação e o aluno das famílias que acreditam que a escola é solução para todos os males. Como lidar com tudo isso? A instituição só tem uma saída: trazer a família para dentro da escola, como parceira neste contrato, mas para isso ela também tem que ter consciência da sua função social, com a população que ela atende.

Todo este processo de formação nesta sociedade que vivemos é muito truncado com grandes conflitos econômicos e políticos, que a cada dia tem piorado, mas o ser humano é resiliente, tem a capacidade de se renovar e de se melhorar. Acreditando nisto, imagino em 41 anos que teremos condições de repensar um mundo melhor, com famílias e escolas investindo na formação humana, chegando aos 500 anos de Mooca num bairro melhor do que já temos”.

4Orgulho mooquense

Rodolfo Cetertick, presidente do Clube Atlético Juventus

“Na verdade, penso que este sentimento já faz parte dos desejos daqueles que aqui não nasceram e estão fora dos domínios do principado da Mooca. Avançando nas minhas previsões, projeto o Clube Atlético Juventus pujante, vivo, motivo de orgulho para seus torcedores e admiradores.

Os mooquenses de nascimento e os de adoção se sentirão cada vez mais orgulhosos de estarem vivendo sob o céu mais acolhedor de São Paulo.

Sou, com muito orgulho, presidente do Clube Atlético Juventus. E com muita honra!”

5Mooca ontem, hoje, sempre

Vitor Lupi, 19, é autor da página do Facebook Saudosa Mooca

“Pode até parecer brincadeira dos meus 19 anos, mas seria muito mais fácil eu falar por horas e mais horas da Mooca antiga face a Mooca futurística [risos]. Um sentimento que vem do futuro do bairro é que ele se torne, mais uma vez, (talvez a terceira, segundo minhas contas) um ícone de época, um museu a céu aberto. Pense que incrível podermos andar pelas ruas, aos 500 anos de Mooca, e vermos construções lá do final do século 19, como as antigas fábricas, seus galpões e as casas operárias, dividindo espaço com os enormes prédios pastilhados da Paes de Barros dos anos 1960 e com aqueles enormes casarões da mesma avenida, e claro, dividindo espaço com outros tantos condomínios do início dos anos 2000! Eu espero, verdadeiramente, que os novos moradores dessa Mooca de 500 anos tenham aprendido integralmente a respeitar esse patrimônio rico que temos, que saibam o quão importante é preservar tudo o que foi feito nesse meio milênio e que tenham a consciência de que tudo o que fazemos está sendo impresso na memória de toda uma geração!”

6Encontro de nações

Marília Bonas, diretora do Museu da Imigração.

“Imagino a Mooca daqui a 41 anos como o lugar mais diverso e generoso da cidade de São Paulo. Como um bairro que nasceu da presença indígena e cresceu com a vinda de imigrantes e migrantes até os dias de hoje, a Mooca traz de fato a diversidade cultural como um grande valor. É cada vez maior e mais evidente a contribuição de novos imigrantes latino-americanos, chineses e de países muçulmanos nas ruas do bairro, assim como a migração de moradores de outras regiões da cidade em busca da qualidade de vida que ele oferece. Nessa troca cultural, o bairro certamente se fortalecerá cada vez mais. No entanto, o crescimento populacional da região aliado à especulação imobiliária colocará – como já coloca – em risco o patrimônio arquitetônico de casas operárias e galpões históricos, trazendo, além disso, imensos desafios no que diz respeito ao trânsito da região”.

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1 COMENTÁRIO

  1. O maior problema, que inclusive já ocorre hoje, sequer foi citado: Especulação Imobiliária x Gentrificação.
    A Mooca caminha para ser um novo Tatuapé, com muita gente escondida em prédios altos, todo mundo indo para a padaria de carro e as lojas se apoderando das ruas com cones e valets.

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