A diferença nas cores 0 517

O daltonismo é um distúrbio da percepção visual que provoca a confusão de cores, mas não impede as pessoas de ter uma vida normal

Escolher uma roupa, acertar a linha do metrô, checar a bateria do celular e dirigir podem ser atividades bem pouco triviais para quem não consegue identificar cores ou a variação entre elas. É o caso dos daltônicos, que precisam desenvolver estratégias para essas tarefas simples, principalmente quando se trata da distinção entre o verde e o vermelho. “O daltonismo é uma irregularidade na percepção visual de determinadas cores. Ele é causado pela falta de uma ou mais substâncias sensíveis à luz encontradas na retina”, explica a oftalmologista Doroteia Matsuura, do Hospital Oftalmológico de Brasília.

O vermelho, o verde ou o azul, por exemplo, são dificuldades para os portadores dessa disfunção, que afeta aproximadamente 8% dos homens e 1% das mulheres. “O daltonismo, na sua forma congênita, está relacionado à hereditariedade e ligado ao gene X. Para que se manifeste na mulher, ambos os genes X precisam ser portadores da doença, ou seja, são casos raros. No caso dos homens (XY), apenas um gene alterado já é suficiente para causar o distúrbio. A ocorrência do daltonismo é 20 vezes maior nos homens do que nas mulheres”, diz Doroteia.

O daltonismo pode ser classificado, pela origem, como congênito ou adquirido. O primeiro ocorre quando o paciente nasce com a disfunção na retina, e caracteriza-se pela dificuldade de enxergar as cores verde ou vermelha. Já o daltonismo adquirido surge a partir de causas secundárias, como lesões no nervo ótico, na retina ou no córtex cerebral, responsável pelo reconhecimento de imagens. Nestes casos, os pacientes têm dificuldades de enxergar as variantes da cor azul e também apresentam diminuição da qualidade de visão.

DIAGNÓSTICO

Segundo Paulo Augusto de Arruda Mello, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, há casos raros de cegueira total das cores, quando o indivíduo percebe apenas os tons pastéis ou acinzentados. “Para diagnosticar o daltonismo congênito, o método Ishihara é o mais usado. Utilizamos uma série de 32 cartões coloridos, que contém círculos e desenhos de cores ligeiramente diferentes, visíveis apenas para quem não sofre de daltonismo. De acordo com os acertos, identificamos o tipo e o grau do distúrbio”, diz.

Já para detectar o daltonismo adquirido, a técnica mais utilizada é o Farnsworth. O teste é composto de quatro bandejas plásticas contendo 100 cápsulas em tons diferentes. O observador tem 15 minutos para posicionar as cores em ordem lógica, levando em consideração as cápsulas fixas nas extremidades da bandeja. “A escolha inicial deverá ser a cor mais próxima da cápsula principal, e assim sucessivamente até completar a ordenação das cápsulas. Se o paciente confundir a ordem ou a posição das cores, o daltonismo é diagnosticado”, explica Doroteia.

Pais e professores devem ficar atentos aos sinais de confusão na distinção de cores apresentados pelas crianças, principalmente no início das atividades escolares, para diagnosticar o quanto antes o daltonismo congênito. “Em torno dos três anos de idade, a criança pode apresentar confusão na hora de distinguir as cores. Esse é um sinal importante de que alguma coisa pode estar errada com a visão e os pais devem procurar um oftalmologista”, diz Doroteia.

O daltonismo não tem cura, impõe algumas limitações de profissão, mas é possível conviver com ele

DALTONISMO NO DIA A DIA

O distúrbio não tem cura ou tratamento e a melhor opção para o portador de daltonismo é aprender a distinguir cores por meio da luminosidade e saturação que elas apresentam. Há sistemas já desenvolvidos para esses exercícios. “Tenho um paciente, por exemplo, cuja mulher prepara cada gaveta com peças que combinam, para não correr o risco de colocar uma meia preta e a outra marrom”, conta Paulo. “Outra limitação é em relação à profissão. Estilistas, artistas plásticos, atiradores e pilotos podem encontrar alguma dificuldade nas tarefas”, completa.

Apesar da impossibilidade de enxergar as cores, o motorista daltônico visualiza bem as informações das placas de trânsito, já que os tons de bege e marrom permitem a leitura normal das informações e as variadas formas geométricas das placas também ajudam na identificação. “Além de o daltônico conhecer a ordem das cores no semáforo, há umas faixas brancas entre cada uma delas, para separar bem”, comenta Paulo.

TIPOS DE DALTONISMO

Cada cor é percebida como uma onda pelos cones oculares e cada insensibilidade de cor tem uma classificação diferente.

Protanopia: faz com que a cor vermelha seja percebida com tons de beges e aparenta ser algo mais escuro do que realmente é;
Deuteranopia: o verde é visualizado em tons de marrom e bege;
Tritanopia: as graduações de azul e verde podem ser confundidas, mas as cores amarelas também são afetadas na medida em que são enxergadas como leves tons de vermelho.

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