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Um check-up não precisa de centenas de exames e deve começar com uma boa conversa entre médico e paciente

Cuidar da saúde nunca é demais. E é geralmente no começo do ano que as pessoas decidem arranjar um tempo para fazer exames e saber se está tudo bem com o corpo. É aquela ideia de “ano novo, vida nova” sendo colocada em prática. Por isso, nessa época do ano os check-ups viram alvo de muita gente que sempre protela a ida ao médico.

Mas um bom check-up não se compõe simplesmente de uma batelada de exames feitos a esmo que, depois de algum tempo, ficarão guardados no fundo da gaveta. “O bom check-up começa com uma boa conversa”, diz o médico cardiologista do Hospital São Luiz, Miguel Antônio Moreti.

Todas as pessoas, sejam elas saudáveis ou com problemas de saúde já diagnosticados, devem fazer avaliações médicas regulares. A questão é que para cada uma essa avaliação será diferente. Se uma pessoa não fuma, não é obesa, pratica exercício físico e não tem antecedentes de doenças cardiovasculares na família, pode pensar em começar a fazer um check-up aos 40 anos. “Agora, se a pessoa vem de uma família de hipertensos, fuma, tem diabetes e outros fatores de risco, deve começar a fazê-lo com mais antecedência. Pode inclusive trazer esses exames para a fase da adolescência”, explica Miguel.

“Não há uma idade ideal, todas as faixas etárias podem ser avaliadas, inclusive recém-nascidos, nos aspectos de doenças congênitas, do metabolismo, cardiopatias do recém-nato, doenças pulmonares e deficiências visuais e auditivas”, completa o médico Eduardo Manna Filho, do Nasa Laboratório.

Um chek-up feito corretamente pode ser muito importante para diagnosticar problemas que, se tratados em uma fase inicial, podem ser curados ou ter sua evolução alterada em benefício do paciente. Cardiopatias, diversos tipos de tumores, doenças pulmonares, diabetes, colesterol alto, hipertensão, doenças coronarianas, Parkinson e Alzheimer estão na lista dos problemas que podem ser minimizados quando diagnosticados precocemente. “Os exames realizados estão intimamente ligados a uma análise clínica e epidemiológica do paciente, levando-se em conta a sua idade, sexo, estilo de vida, alimentação etc. Outro fator importante são as doenças que, estatisticamente, ocorrem em cada faixa etária. Dessa forma, os exames são focados de acordo com esses dados, avaliando-se situações variadas como diabetes, colesterol, triglicérides, ácido úrico etc. Também são feitas avaliações das funções renais, hepáticas, cardiológicas e pulmonares e exames específicos, como eletrocardiografia, teste ergométrico para avaliação do coração e coronárias, ultrassonografia de abdome total e ginecológicos, para as mulheres. Também são importantes os exames que podem detectar precocemente tumores como o antígeno prostático específico (PSA) e a ultrassonografia de próstata nos homens, e o papanicolau e a mamografia nas mulheres”, explica Eduardo.

Uma boa conversa entre médico e paciente é o melhor começo para um check-up

E talvez você esteja se perguntando: se eu quiser fazer um check-up, qual médico devo procurar? O melhor a se fazer é se consultar com um médico de confiança, seja de qual especialidade for, para que ele possa fazer os encaminhamentos a profissionais da confiança dele. “Faz parte do passado o número excessivo de exames indicados periodicamente aos indivíduos submetidos a avaliação clínica e laboratorial. Há alguns anos vem se intensificando a personalização (dados colhidos durante a consulta médica, bem como orientação em relação aos fatores de risco, estabelecendo metas e reavaliações anuais ou conforme a necessidade antes). Assim, evita-se repetir exames desnecessários”, explica o médico José Marcos de Góis, cardiologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Mas o check-up não termina quando a pessoa faz todos os exames pedidos. Depois, é preciso ficar atento à maneira como os laudos serão interpretados. “O médico precisa interpretar os resultados de acordo com cada paciente. Às vezes um exame tem uma pequena alteração e, ao conversar com o paciente, eu vejo que aquilo não tem importância”, diz Miguel. Um recurso muito usado pelas pessoas e que deve ser evitado é a pesquisa na internet que, em vez de ajudar, pode atrapalhar. “Algumas pessoas se agarram ao que descobrem na internet e acabam acreditando em avaliações erradas. Outras, usam as pesquisas para pressionar os médicos. Por isso eu digo que é importante estar em consulta com um profissional de sua confiança”, completa o médico.

E é bom saber que um check-up só com bons resultados prova que ter atitudes corretas na vida é o melhor que se pode fazer. Portanto, é preciso manter hábitos saudáveis para que os próximos exames continuem com os mesmos resultados.

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