Barulho e fumaça: uma paixão 0 992

Morador da Mooca cria grupo de apaixonados por scooters e encara uma viagem de 5 mil quilômetros a bordo de sua Vespa

Elas fazem barulho, funcionam com uma mistura de gasolina e óleo dois tempos, soltam fumaça e não precisam de inspeção veicular para circular pela cidade. Charmosas, chamam a atenção quando são vistas rodando por aí, ainda mais se estiverem em comboio. São as scooters, um tipo de motocicleta criada na década de 1920, inspirada nos patinetes motorizados americanos que, com seu ar retrô, encantam não apenas os mais nostálgicos, mas também jovens que simplesmente se apaixonaram pelos modelos.

É o caso do mooquense Márcio Fidelis, 30, que usa sua Vespa BX 150 para fazer transportes rápidos pela cidade e criou, no ano passado, a Scooteria Paulista, um grupo que reúne apaixonados por scooters com o intuito de trocar ideias e promover passeios a bordo desses veículos. “Eu queria quebrar o tabu de que quem gosta de scooter só se encontra em exposições. Por isso sempre fazemos passeios juntos, andamos pela cidade e vamos, inclusive, para cidades do interior”, diz.

Agora, enquanto você lê esta matéria, Márcio está em Buenos Aires, onde participa do Encontro Sul-americano de Scooters Clássicas. A saída dele de São Paulo estava prevista para o dia 4 de dezembro a bordo de sua Vespa BX 150, de 1998. No meio do caminho, há uma parada em Lages (SC) para conhecer José Ferreira da Silva, que em 1979 fez uma aventura a bordo de uma Lambretta e lançou o livro O Aventureiro – A volta ao Mundo de Lambretta, que Márcio representa em São Paulo. Depois, ele segue até Montevideu, em uma viagem que deve totalizar 5 mil km.

A paixão do mooquense pelas scooters começou em 2002 e tem a ver com a forma como ele se envolveu com as histórias da cultura juvenil inglesa dos anos 1960, a chamada geração MOD (Modern). Naquela época, os aventureiros com uma veia um pouco rebelde, que gostavam de ouvir a música negra americana, andavam em Lambrettas. Interessado por esse universo, Márcio se aproximou de pessoas com os mesmos interesses e criou a scooteria. Hoje, são cerca de 80 integrantes que se espalham por São Paulo, Taboão da Serra, São José dos Campos, Jacareí, Americana, Pedreira, Santos, Mogi das Cruzes e Campinas.

A regra para fazer parte do grupo é ter uma scooter clássica. Os dois modelos mais comuns de se ver entre os integrantes são as Vespas e Lambrettas, ambos de origem italiana. “São veículos criados para suprir uma Itália devastada pela segunda guerra mundial”, diz Márcio. “O engenheiro que construiu a Vespa usou sucata de avião no projeto e a ideia era ser um veículo que pudesse transportar pessoas e mercadorias”, completa.

A Vespa BX 150 é o lazer e o trabalho de Márcio. Com ela ele se diverte e faz entregas.

Vespas X Lambrettas

Surgidas na mesma época (meados da década de 1940), Vespas e Lambrettas são modelos de scooters que se diferenciam por detalhes técnicos e de motor. “A estabilidade é uma das grandes diferenças. O motor da Vespa fica do lado direito e o equilíbrio é compensado pela roda, que fica um pouco mais para a esquerda. Já a Lambretta tem o motor central, que garante mais estabilidade”, explica Márcio.

Da italiana Piaggio, a Vespa continua sendo fabricada até hoje. Já a Lambretta, segundo Márcio, faliu no começo dos anos 1970 e vendeu seu maquinário para uma empresa indiana que ainda constrói o triciclo da marca.

A paixão por esses veículos pode significar um pouco de despesa, já que não é barato mantê-los em dia. Sem fábricas no Brasil, as peças precisam ser importadas. Uma Vespa usada, dependendo do modelo, pode ter seu valor variando entre R$ 7 e R$ 12 mil. Já a Lambretta, pode variar de R$ 10 a R$ 15 mil. Com relação à manutenção, depende muito do quanto o veículo é ou não usado. “Fica mais caro quando você não anda. Se o veículo fica muito tempo parado, o combustível perde qualidade, o óleo 2 tempos solidifica, assenta no fundo do tanque”, conta Márcio. Mas, pelo menos para os integrantes da Scooteria Paulista, esse problema não acontece, já que o intuito do grupo é, justamente, por os motores para roncar.

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