De olho no futuro 0 1202

Uma das grandes descobertas da medicina foi o uso de células-tronco do cordão umbilical no tratamento de várias doenças do sangue. Descubra como coletar e congelar esse material valioso, capaz de salvar uma vida

Uma fonte de vida. As células-tronco do cordão podem ser mais uma alternativa terapêutica à disposição das próximas gerações. Conhecidas como coringas, são capazes de se transformar em qualquer tecido do corpo humano e restaurar o sangue após o tratamento de diversas doenças hematológicas e genéticas. “Na medicina convencional, existem mais de 80 doenças do sangue tratadas com o sangue de cordão umbilical, como anemia falciforme, anemia de Fanconi, leucemias e sarcomas”, explica a biomédica Lilian Piñero Eça, especializada em Biologia Molecular pela Universidade Federal de São Paulo. Segundo ela, ainda há mais de 250 doenças em estudo que poderão ser tratadas com as células-tronco, como doenças do coração, diabetes, cegueira, lesão de medula, derrame, etc.

Na verdade, existem células-tronco em todos os tecidos do nosso corpo, só que em pequenas quantidades, para que o organismo possa fazer pequenos reparos quando necessário. “As primeiras a serem utilizadas foram as células encontradas na medula. Porém elas possuem a idade do seu doador e já sofreram com a radiação, medicações, estresse etc.”, aponta Adriana Homem, diretora médica do Banco de Cordão Umbilical Brasil (BCU Brasil). E completa: “Então a medicina descobriu que no sangue do cordão umbilical há grande quantidade de células-tronco adultas e virgens, isto é, que não sofreram ação desses fatores externos”.

Até o sexto mês, a gestante deve entrar em contato com o escritório do banco de cordão umbilical, pagar o valor da coleta (Os preços variam muito. Nos laboratórios pesquisados o valor chegou-se a R$ 5 mil. Então, vale a pena pesquisar) – se for o banco privado – e retirar um kit que deverá ir para o hospital, junto com a mala do enxoval da criança. O procedimento é simples, muito seguro, indolor e não oferece risco nem à mamãe nem ao bebê, desde que a gestação já tenha passado de 32 semanas. “Após o nascimento da criança, o cordão é cortado, clampeado e puncionado com uma agulha e, em alguns minutos, é coletado até 100ml do sangue que é transportado ao laboratório para ser processado e armazenado em um tanque de nitrogênio líquido a menos 196 ºC”, conta Lilian, que coordenada os estudos científicos da Abratron (Associação Brasileira de Engenharia de Tecidos e Estudos das Células Tronco).

Quando está preservado no Banco Privado, o sangue é do bebê e está pronto para utilização imediata. Normalmente, as empresas acompanham esse sangue até o local da utilização e preparam a fase mais importante que irá permitir que essas células se mantenham vivas, o descongelamento. Nesse caso, os pais pagam uma taxa anual (Os valores podem variar bastante. Nos laboratórios pesquisados que quiseram divulgar o valor, chegou-se a R$ 900). “Já no Banco Público, não é preciso pagar nada, mas o sangue será doado para a primeira pessoa compatível que necessitar. Se precisar, a criança irá para a fila de espera para encontrar o sangue compatível”, explica Adriana.

O Banco de Cordão Umbilical existe há 22 anos nos EUA e as amostras estão íntegras, ou seja, as células podem ficar armazenadas por tempo indeterminado, desde que sejam seguidos todos os padrões de qualidade. “Para isso é importante que os pais tenham muito critério na escolha do banco privado; afinal, o momento é único e é um grande desperdício jogar um material tão rico no lixo”, diz Adriana. Ainda segundo ela, uma boa referência é averiguar se a empresa segue os princípios éticos e técnicos da NetCord, entidade internacional (sem fins lucrativos) de certificação de bancos públicos de sangue do cordão umbilical (SCU), sendo, portanto a referência mundial em termos de criopreservação.

DOAÇÃO

Contanto que tenha uma gravidez e um parto sem ocorrências, qualquer gestante com mais de 32 anos está apta a doar o material coletado para o banco público. Após algum tempo do nascimento do bebê, é necessário apenas que ela retorne ao banco para fazer novos exames. Caso isso não ocorra, o sangue será desprezado. “A doação é possível e muito importante, pois o banco público possui poucas amostras e o brasileiro é uma raça miscigenada, ou seja, é muito difícil de encontrar um doador compatível. Então quanto mais amostras, maior a probabilidade de salvar vidas”, afirma Lilian, destacando que a vantagem de usar o sangue do seu próprio cordão é fazer um tratamento autólogo, isto é, como seu próprio material genético, evitando a rejeição.

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