Um mergulho no aquarismo 0 342

O hábito de criar peixes ornamentais em aquários têm atraído cada vez mais adeptos e pode ser menos complicado do que se imagina

O costume de se manter peixes em cativeiro, no interior de residências, é atribuído aos chineses, sendo os primeiros registros escritos (referentes à criação de kínguios), situados pelos historiadores, entre os anos 900 e 1.000 da era Cristã. “Desde então, a atividade de criar peixes em aquários, para fim ornamental ou de estudo, é um hobby que conquista cada vez mais aficionados e demanda senso estético e conhecimentos técnicos diversos. Mas devo destacar que distinguimos essa atividade da piscicultura ou aquacultura, que têm aspectos de produção”, aponta o técnico em piscicultura Júlio Cezar Ghisolfi, do Aquário de Itaquera.

Tanto os aquários de água doce como os de água salgada, plantados, aquaterrários ou lagos ornamentais, podem ser construídos com uma grande variedade de materiais, desde que esses não liberem substâncias que prejudiquem os animais. “Há uma enorme diversidade de espécies que pode ser mantida em aquários, desde que se respeitem os limites e necessidades de cada uma delas, como espaço adequado, iluminação, temperatura, pH, dureza e salinidade da água e manutenção apropriada e constante. É importante se atentar também se as espécies selecionadas podem viver juntas, se não apresentam comportamento predatório, agressivo ou territorial”, explica Júlio.

Os materiais passíveis de utilização na montagem e ornamentação do aquário são extremamente variados, desde madeira (troncos, galhos, raízes), rochas (areia, cascalho, pedras de variados tipos, formas e tamanhos), plantas aquáticas e suas réplicas sintéticas. “Também são muito utilizados os enfeites que simulam objetos tais como baús-de-tesouro, moinhos de vento e barcos naufragados, confeccionados em plástico, cerâmica ou resina”, diz Júlio. E alerta: “não podem ser introduzidos materiais dos quais se desconheça a origem, que possam liberar substâncias tóxicas, apresentem cheiro muito forte ou que não tenham sido especificamente fabricados para uso em aquário”.

Dependendo da época do ano e da legislação, a lista de espécies que podem ser mantidas em aquário é bem extensa. “Chegamos a oferecer, pelo menos, 300 espécies de água doce e até 150 espécies de peixes e outros organismos marinhos”. Há ainda uma boa variedade de plantas adequadas para aquários plantados, que servem de base para o projeto paisagístico idealizado. “As algas costumam ser sinônimo de problemas em aquários e tanques, especialmente quando se trata de algumas espécies que assumem a aparência de feltro ou tufo. Além do evidente efeito pouco estético, podem causar problemas de saúde nos corais, descaracterizando a montagem”, observa o técnico.

Idealmente, os peixes devem ser alimentados pelo menos de duas a quatro vezes ao dia, com uma quantidade mínima de cada vez. Mas, como a maioria dos aquariofilistas não dispõe do tempo necessário para servir as refeições recomendadas, a alternativa é fornecer apenas uma vez ao dia. “No entanto, é preciso ter muito cuidado, para não alimentá-los em excesso. Para acertar a quantia, administre uma porçãozinha de alimento e cronometre o tempo que os peixes levam para consumi-la sem deixar nenhum resto. Se acabaram antes do prazo de dois minutos, é porque a porção foi pouca e, se passou do tempo e ainda vemos alimento no aquário, é sinal que houve exagero”, recomenda Júlio.

A última refeição deverá ser servida, no mínimo, 30 minutos antes de apagar as lâmpadas do aquário. Algumas espécies têm necessidades de alimentação especial ou complementar, mas, em geral, a alimentação deve ser a mais variada possível, alternando-se pelo menos duas ou três formulações e, se possível, presas vivas uma vez por semana. “Muitos criadores costumam fazer seus próprios alimentos para peixes, normalmente, na forma de patês, com as mais variadas formulações; algumas incluindo ingredientes ‘exóticos’, como bananas, cenouras ou alho”, conta o técnico.

Segundo Júlio, para que um aquário se desenvolva bem é necessário se atentar a alguns cuidados e técnicas. A limpeza deve ser feita semanalmente ou, no máximo, a cada 15 dias, esfregando as paredes do aquário com uma esponja ou limpador apropriado. A seguir, deve-se retirar a sujeira do substrato e fazer uma troca parcial de água. “Com auxílio de um sifão, aspira-se a maior quantidade possível de dejetos retidos entre os grãos do cascalho, aproveitando para trocar cerca de 30% da água. Os peixes não costumam responder bem a trocas de volumes muito grandes de água com características diferentes, então respeite o limite de um terço do volume do aquário”, relata Júlio. Finalizada essa etapa, basta completar o volume do aquário com água nova condicionada, ou seja, com a mesma temperatura e valor de pH e sem cloro.

Apenas efetuar as trocas parciais de água não é suficiente para manter uma boa qualidade de água, especialmente quando os aquários são de pequeno volume ou estão superpovoados. “A filtragem tem como objetivo depurar os resíduos orgânicos, constituídos por restos de alimentos, fezes e folhas mortas, diluídos ou mantidos em suspensão na água”, diz o técnico. Já, para controlar a temperatura do aquário, especialmente nos meses frios, pode-se recorrer a aquecedores automáticos, que são resistências elétricas, controladas por termostatos, embutidas em tubos de vidro que quando ligadas a uma fonte de energia aquecem a água. “A relação entre a potência do aquecedor e o volume de água a ser aquecida deverá ser de 1 watt para cada litro de água”, afirma.

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