Companheiros terapeutas 0 400

A convivência com animais pode ajudar no tratamento de doenças e em trabalhos terapêuticos

Gatos, cachorros, cavalos e outros animais podem ter uma função nobre na vida das pessoas: a de terapeutas. Eles ajudam crianças e adultos doentes a ter uma melhor saúde física, mental, emocional e cognitiva, e até a aumentar a imunidade. Não se trata de um tratamento milagroso, que possa ser feito sem acompanhamento médico. Na verdade, é uma terapia complementar que, em alguns casos, traz resultados muito benéficos. “Há vários métodos cientificamente testados e outros que, apesar de ainda não comprovados oficialmente, trazem resultados altamente satisfatórios. A maioria deles é usada em terapias de grupo e individual; com pacientes externos ou em circunstâncias de internação; em escolas; residências terapêuticas e em centros de reabilitação social”, explica a veterinária Ceres Berger Faraco, doutora em psicologia e autora de pesquisas sobre a eficácia do tratamento com cão.

De todas as terapias que utilizam animais, a mais conhecida é a equoterapia, uma proposta de reabilitação mental, motora e comportamental que tem sido cada vez mais procurada para a reabilitação de pessoas com deficiência ou necessidades especiais. “O cavalo é o instrumento terapêutico e a sua participação exige do praticante planejamento e criação de estratégias, trabalha o equilíbrio, a postura, a coordenação e a fala, ajudando o praticante a acionar o sistema nervoso e alcançar diversos objetivos e habilidades neuromotoras”, explica Ceres. E completa: “O sucesso desse recurso se baseia também na semelhança entre o passo do cavalo e a marcha humana”. Isso significa que, ao montar em um cavalo, a pessoa com algum tipo de deficiência conquista uma liberdade muito grande. Com um movimento muito semelhante à marcha humana, o cavalo faz com que o movimento provocado na bacia pélvica de quem está em seu dorso seja 95% semelhante ao de uma pessoa andando a pé, o que funciona como um ótimo estímulo para o cérebro.

O tratamento com cavalos já é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina e faz parte do que se pode chamar de trata mentos que agem diretamente nas patologias. Mas existe um outro tipo de tratamento, que atua indiretamente nas doenças, ao proporcionar recreação e distração – fatores que aceleram a recuperação dos pacientes. É esse o tipo de trabalho que faz o grupo Pet Smile, idealizado há 13 anos pela psicóloga e médica veterinária Hannelore Fuchs. Pelo programa, crianças (principalmente aquelas que têm necessidades especiais), adultos e idosos, recebem visitas periódicas e pré-programadas de uma equipe de animais composta por quatro cães, dois gatos, três coelhos, três peixes, uma tartaruga, uma chinchila e três porquinhos da Índia.

A ideia é que a presença desses bichos propicie interações físicas, psicossociais e emocionais terapêuticas. No ambiente hospitalar, essa companhia é um canal para aflorar a criatividade, o bom humor, e a descontração – fatores que podem influenciar muito no processo de recuperação do paciente. Em geral, os resultados são bastante satisfatórios, pois além de trabalhar a comunicação, representa confiança e conforto à criança; para o idoso, o animal respeita seu silêncio, abre novos canais de comunicação e de percepção e o induz à movimentação.

Todos os animais que participam do projeto recebem um treinamento especial, são manuseados, socializados, educados e passam por rigorosa avaliação comportamental, além de estarem com a saúde devidamente em dia. A presença de médico-veterinário é obrigatória, assim como de um dos coordenadores do programa assistencial e educativo.

Cães e cavalos podem ser usados em tratamentos terapêuticos para vários tipos de problema

Os animais

Por serem tão úteis e importantes nos tratamentos, os animais que participam dos projetos precisam atender a uma série de exigências. Segundo a presidente executiva do Instituto Nacional de Ações e Terapias Assistidas por Animais (INATAA), Silvana Prado, para o animal ter a função terapêutica é preciso levar em conta os seguintes quesitos: o temperamento do cão; a idade (o ideal é entre 1 e 10 anos); a saúde (vacinação, vermifugação, controle parasitas); a educação; o controle fisiológico; a socialização com pessoas e outros cães; e um adestramento eficaz, com comandos e truques. “Praticamente todas as raças têm valor terapêutico intrínseco e algumas se destacam para determinadas finalidades. Mas, em geral todas devem passar por constantes avaliações comportamentais e de saúde”, completa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

As + Acessadas