Glúten: mocinho ou vilão? 0 660

Proibido aos portadores de doença celíaca, o glúten é encontrado nos cereais e é o principal responsável pelo crescimento e leveza dos alimentos

Trigo, aveia, centeio, cevada, malte, farinhas e farelos, são alguns dos cereais e ingredientes que contém o famoso glúten, uma proteína muito utilizada para dar mais leveza aos alimentos. “Ele é composto por duas frações proteicas (gliadina e glutenina) que, quando combinadas, são responsáveis pela elasticidade da massa da farinha, o que permite sua fermentação e promove mais consistência e leveza”, explica a nutricionista Camila Mendes Kneip, da ONG Banco de Alimentos.

No entanto, é uma substância que faz mal à saúde das pessoas com doença celíaca, uma intolerância permanente ao glúten que, quando em contato com a mucosa intestinal dos portadores, provoca uma inflamação que leva a má absorção dos nutrientes. “Como se trata de uma proteína que pode ser de difícil digestão, o seu excesso pode comprometer o intestino, levando a uma hipersensibilidade alimentar. Se for mal digerida, ela serve de alimento para bactérias e fungos que podem obter energia para se multiplicarem, gerando um processo inflamatório”, explica a nutricionista consultora Natália Dourado, da Só Soja Alimentos Funcionais,

A doença celíaca provoca uma reação autoimune no organismo que pode ter como sintomas: diarreia crônica, vômitos, irritabilidade, falta de apetite, déficit de crescimento (no caso de crianças) e distensão abdominal. “A única forma atual de tratamento é a exclusão total de alimentos com glúten da dieta, pois até uma pequena quantidade pode provocar os sintomas adversos. No caso de pessoas saudáveis, não há necessidade de retirar o glúten da dieta, mas é recomendado evitar o excesso. Já para casos de alergia ao glúten, um médico e nutricionista devem ser consultados, pois a quantidade varia de acordo com o grau da manifestação desta alergia”, coloca Natália.

MITOS E VERDADES

A não ser no caso da doença celíaca, não há evidências de que, com moderação, o glúten seja uma proteína ruim para o organismo de pessoas saudáveis e que seja um dos responsáveis pela obesidade. “A retirada do glúten não tem relação direta com o emagrecimento. Trata-se de mais uma lenda das dietas da moda. O que pode ocorrer é que, por causa da intolerância a alimentos que contém glúten, o indivíduo passa a ter uma alimentação com mais folhas, verduras e legumes, diminuindo a ingestão de comidas gordurosas como pizzas, bolos e tortas, que contém glúten. E, como em todos os casos de restrição ou reeducação alimentar, pode haver diminuição de peso”, afirma Camila.

De acordo com Natália, não existem estudos científicos fidedignos que comprovem a correlação entre glúten e TPM (Tensão Pré-Menstrual) em pessoas saudáveis, mas com a inflamação no intestino, os receptores para serotonina (substância sedativa e calmante presente naturalmente no cérebro) ficam menos ativos, o que leva as mulheres a terem compulsão alimentar, principalmente por doces, durante a fase pré-menstrual.

RECOMENDAÇÕES

É obrigatório por lei federal e direito do consumidor que todos os alimentos industrializados informem em seus rótulos a presença ou não de glúten. “O consumidor deve ficar atento, pois o produto tem que conter na embalagem um destes dizeres, ou algo semelhante: ‘Produto isento de glúten’; ‘Contém glúten’ ou ‘Contém traços de glúten’, conforme o caso”, alerta Natália.

Para os intolerantes à proteína, já existem marcas e empresas direcionadas a esse público, além de diversos alimentos industrializados sem glúten, como a quinua, o amaranto, o trigo sarraceno, a farinha de banana verde, a fécula de batata, de mandioca, farinhas de arroz e milho.

Geralmente, a doença celíaca se manifesta durante a infância, na transição do aleitamento materno exclusivo, para alimentação sólida. Porém, é possível aparecer em qualquer idade. Alguns dos sintomas de hipersensibilidade ao glúten são diarreia, fadiga, distensão abdominal, constipações, asma, rinite, alterações no humor (ansiedade e depressão) e artrite. “No entanto, os sintomas da doença celíaca podem ser confundidos com outras enfermidades. Então, a única maneira eficaz de diagnosticá-la é através de um exame de sangue específico, seguido de uma biopsia”, aponta Camila. Caso a intolerância ao glúten seja detectada, o primeiro passo será fazer um teste de uma dieta isenta de glúten para avaliar a melhora ou desaparecimento dos sintomas. A partir disso, a nutricionista irá avaliar o caso, elaborando um plano nutricional individual.

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