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Com loja no Tatuapé e fábrica no Parque Savoy, a Water Classic aposta na qualidade da mão de obra para fazer pranchas personalizadas ao perfil do surfista

Flutuação e estabilidade. A cada onda que se pega, a vontade é de sempre ir mais longe e completar novas manobras. E quem começa a desafiá-las não quer mais parar. Para cada onda, um surfista sob medida, para cada surfista, uma prancha perfeita. A prancha ideal é a que facilita o processo de evolução e aproveitamento, permitindo que o esportista crie sua própria onda, invente sua própria história.

Mas o que caracteriza uma prancha ideal? “Esse conceito está mais relacionado ao nível de surf do que ao peso e tamanho da pessoa. Se eu tenho experiência no esporte, conseguirei usar qualquer prancha que sustente o meu peso, independente do tamanho e largura. Já um iniciante, precisará de um material mais adequado à sua realidade. Um dos encantos do surf é entender que cada prancha funciona de um jeito e cada modelo será adequado para uma situação específica”, explica Márcio Spigolon, proprietário da fábrica de pranchas Water Classic, no Parque Savoy.

Com mais de 8 mil pranchas produzidas ao longo da carreira, Márcio, que também é surfista, investiu toda sua bagagem de conhecimentos na empresa. “O processo é único, mas existem elementos que fazem toda a diferença. Quando a prancha é sob encomenda, eu mesmo vou até a loja (no Tatuapé) e pego todas as medidas e informações para produzir o pedido. Uso matéria-prima de primeira qualidade e aproveito ao máximo as tecnologias de fora. Aqui, os profissionais que vão manusear cada etapa da produção precisam ter experiência ou, pelo menos, um treinamento intensivo”, diz.

E, para entender melhor a importância de ter uma prancha de qualidade, nossa equipe desvendou cada etapa do seu processo de produção.

O shape personaliza a prancha de acordo com
o peso, altura e nível de conhecimento do praticante
A pintura e os desenhos são criados
por um profissional específico
A laminação transparente é feita com tecido
de fibra de vidro e resina poliéster
Cada modelo de prancha é adequado para uma situação específica e proporciona uma visão diferente do surf

MODELAGEM

O bloco de poliuretano, como matéria-prima, já domina o mercado das pranchas de surf há mais de 30 anos. Para trabalhá-lo, o profissional precisa estar equipado com os itens de segurança, luvas de borracha, máscaras de papel e máscaras com respiradores com filtro para produtos químicos. “Inicialmente, o bloco passa por um shape (do inglês, ‘dar forma’), que busca as linhas perfeitas para a prancha; ela é esculpida e personalizada de acordo com o peso, altura e nível de conhecimento do praticante. Essa etapa é realizada em uma sala com luzes especiais, ou seja, luzes laterais na altura do cavalete”, explica Márcio.
Depois de receber a pintura e os desenhos, criados por um profissional, o próximo passo é a laminação. “Para a laminação transparente, começamos na parte de baixo da prancha, colocando o tecido de fibra de vidro sobre a parte inferior e cortando com uma folga de tecido de aproximadamente 7cm. Logo, espalhamos a resina poliéster misturada com outros produtos químicos, como monômero de estireno e catalisador, de maneira a deixar toda a superfície uniforme. Depois de seco, se repete o mesmo processo na parte superior da prancha”, afirma o surfista. Uma vez começado, o processo não pode ser interrompido, pois a resina seca e compromete o peso e, consequentemente, a resistência e acabamento da prancha.

Em diversos modelos, as quilhas (partes da estrutura) interferem no desempenho e direcionamento da prancha e devem ser fixadas depois da laminação. “No acabamento, é preciso passar mais uma mão de resina, um pouco mais líquida que a da primeira etapa, que tira os riscos, além de lixar a prancha com lixa d’água, para corrigir as ondulações e imperfeições e, por fim, dar brilho com um polimento”, aponta Márcio.

O COMEÇO

Em 1984, Márcio trabalhava em uma loja de caça e pesca, que também vendia pranchas de surf, e passou a se encantar pelo esporte. Mas, em pouco tempo, sua primeira prancha apresentou defeitos. “Não tinha condições financeiras de mandar consertá-la sempre, então decidi fazer um curso básico (não reconhecido) para aprender as técnicas”, lembra. Em pouco tempo, o surfista, que continuou a trabalhar na loja, já tinha uma boa clientela de amigos e conhecidos na oficina instalada em sua casa.

Algum tempo depois, Márcio passou a trabalhar em uma fábrica de pranchas de surf, onde ficou por três anos. Com uma boa experiência na área, há dez anos o surfista transformou a pequena oficina em uma fábrica instalada em um terreno de 250m², que produz em média 60 pranchas por mês.

Atualmente, Márcio mantém também uma loja na Rua Tuiuti, onde recebe os pedidos e as pranchas para conserto. “Temos cerca de 400 opções de pranchas novas e usadas. Indicamos qual é a mais adequada para o perfil do esportista, mas caso ele prefira personalizar uma ao seu gosto, entregamos no prazo de 20 a 30 dias. O custo médio fica entre R$ 750 e 1.500”, diz.

A maior parte das histórias memoráveis de surf é feita com três ingredientes: medo, pioneirismo e paixão. Até a próxima onda!

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