A arte dos carros de papel 0 714

Nascido na Mooca, o artista e autodidata Francisco Iorio expressa sua arte, dom e paixão em miniaturas de carros confeccionadas em papel de diversas gramaturas

Um hobby que virou talento. A veia artística do aposentado Francisco Iorio, nascido na Mooca, é de deixar qualquer um impressionado com tamanha riqueza de detalhes. A matéria-prima por excelência é o papel e a principal ferramenta, as mãos. Com perfeição, o artista executa miniaturas de automóveis antigos produzidos entre 1890 e 1930. “Os carros modernos têm características mais arredondadas e menos artesanais, por isso não me atraem tanto quanto os antigos, que são fascinantes”, explica.

E foi por volta de 1978 que Francisco, ainda exercendo a profissão de designer gráfico, se encantou por um tanque de guerra de papel, feito por um colega da agência de publicidade onde trabalhava. Segundo ele, a peça era interessante, porém simples e sem muitos acessórios – afinal o rapaz era leigo no assunto. “A maleabilidade do papel me instigou a pesquisar e criar técnicas para elaborar réplicas muito fiéis à realidade. Pouco depois, fiz intensas consultas a livros e estudos, então surgiu minha primeira obra: uma Maria Fumaça”, lembra.

Logo veio seu segundo trabalho e primeiro carro, uma Mercer Raceabout 1913. No começo, ele tinha bastante dificuldade de realizar as miniaturas, pois as fotos que conseguia eram pouco precisas. “Um dos grandes desafios era conseguir o material, tanto físico quanto teórico, para começar o projeto. Raramente as imagens mostravam ângulos diferentes do carro e nunca informavam as escalas, então tinha que confiar no meu bom senso. Hoje, a internet facilita o processo, mas nunca o entrega de ‘mãos beijadas’”, diz.

ESCULPINDO O PAPEL

Com os dados em mãos, é hora de partir para o trabalho manual. Para começar, o artista escolhe a gramatura ideal do papel, desde uma folha de sulfite até uma capa de livro, para desenhar, recortar e montar sua primeira peça: o radiador. “De acordo com o tamanho dele, consigo fazer as demais partes na proporção do carro. O trabalho como desenhista me ajuda muito na conclusão dessa etapa”, afirma. Depois de prontas, todas as peças recebem o acabamento com uma lixa de unha, uma mão de verniz e de tinta acrílica.

Além dos 95% de papel, elementos como borracha (para fazer o pneu), e massa epóxi (para modelagem dos bancos), além de clipes, alfinetes, tecidos, fios e palitos de dente ajudam na produção de cada acessório do automóvel, como buzina, câmbio, capota, pedais e tudo a que o motorista tem direito, exceto o motor. “Antes de me aposentar, demorava cerca de três a quatro meses para finalizar uma obra. Hoje, consigo me dedicar muito mais e, raramente, ultrapasso dois meses. Mas o tempo depende um pouco da quantidade de detalhes que compõem a miniatura”, explica.

VIDA DE ARTISTA

Desde que começou a fazer as miniaturas, Francisco produziu cerca de 70 réplicas de papel. “Já participei de uma exposição no Memorial da América Latina e em um shopping na cidade de São Paulo, além de eventos escolares e culturais”, cita. Mas, nem só de elogios vive um artista. “Recebo muitas ligações e recados me parabenizando pelo trabalho, porém nunca consegui um patrocínio ou incentivo, apenas uma ou outra encomenda esporádica. Desejo muito divulgar e comercializar minhas obras, mas é necessário investimento, afinal elas não são vendidas por menos de mil reais”.

Atualmente, o artista vive na Vila Mariana, mas se diz um eterno apaixonado pela Zona Leste. “Passei boa parte da minha vida entre a Mooca e a Vila Formosa, tenho excelentes e saudosas recordações daqui. Seria muito satisfatório apresentar as minhas réplicas e toda a minha paixão pela arte para os moradores daqui”. Tanta beleza e talento não podem ficar guardados em um simples cômodo residencial. Francisco e suas esculturas de papel seriam muito bem-vindos nas nossas redondezas. Alguém se habilita a buscá-los?

Francisco Iorio
Telefone: 8855-8619
e-mail: kikoiorio@ig.com.br

www.automoveisdepapel.com.br

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