Corra para ter saúde 0 1002

Corrida de rua deixa de ser um esporte para se ver pela televisão e vira mania em São Paulo

Quem nunca assistiu à corrida de São Silvestre, no último dia do ano, e depois ficou imaginando o cansaço daqueles atletas? A verdade é que a corrida sempre foi um esporte daqueles que a gente adora ver pela televisão, mas nem sonha em praticar. Nossa primeira reação ao ver atletas de ponta correndo é imaginar o esforço necessário para se ter um bom desempenho e pensar que não dá para qualquer um praticar.

Porém, as pregações a favor de uma vida mais saudável e a divulgação maciça de que o exercício físico é fundamental fizeram com que a corrida começasse a deixar os redutos de atletas para se tornar o esporte queridinho dos paulistanos. Hoje, inúmeras provas de rua acontecem na cidade e os parques e pistas não se cansam de receber novos corredores. Até empresas têm contratado treinadores para formar grupos de funcionários.

Para quem quiser experimentar esse esporte, o primeiro passo é procurar um treinador. Por mais que seja uma prática solitária, ter a instrução de um especialista é fundamental para evitar lesões graves. Se o treino for adequado aos objetivos e à condição física de cada um, os resultados serão bem melhores. E você vai descobrir que é uma prática para qualquer idade.

Roberto Soriani, 49, corre há 32 anos, “só por prazer”, diz. Considera a disposição e o bom humor os maiores benefícios que a corrida lhe deu. “É impressionante como tudo melhora”, declara. Nessas três décadas de esporte, garante que nunca teve uma lesão. “Mas eu sempre tomei cuidado com o alongamento. Faço corretamente antes e depois da corrida”.

E ele está certo. “Depois do exercício, o alongamento deve ter algo entre 15 e 20 minutos. Isso, em longo prazo, evitará que a musculatura fique encurtada e vai evitar o aparecimento de lesões”, explica o treinador Antonio Carlos Auricchio Soeiro, o Cacá.

A alimentação e a escolha de roupas e tênis adequados também colaboram para um desempenho melhor. “No caso das roupas, o ideal é que sejam feitas de poliamida, um tecido que puxa o suor da camiseta e passa para o ar, não deixando que fique pesado. Já a roupa de algodão, fica bem mais pesada com o suor”, explica Cacá. No caso do tênis, é preciso descobrir qual o seu tipo de pisada (pronada, neutra ou supinada). À primeira vista, parece besteira, mas escolher o tênis correto é um bom começo para evitar lesões de tendão, coluna e joelho. Em lojas especializadas é possível fazer o teste que identifica a pisada.

Com relação à alimentação, em hipótese alguma faça um treino em jejum. Você correrá um sério risco de ter uma queda na taxa de glicemia, passar mal ou até mesmo desmaiar. O ideal é ver com o seu treinador qual a alimentação correta para o seu tipo de treino.

Outro capítulo fundamental é a hidratação. E não se trata de se empanturrar de água apenas antes e durante a corrida, mas sim manter uma hidratação diária constante para que você suporte as perdas do exercício. E, depois da atividade, vale caprichar um pouco mais na ingestão de líquidos.

Se você quiser um resultado ainda melhor na sua qualidade de vida e, por que não, no seu físico, experimente aliar a corrida à musculação. É o que faz Marcos Antonio Martins, 49. Praticante de corrida de rua há quatro anos, ele participou de mais de 30 provas em 2008 e alia a prática à musculação e natação. O resultado? Um melhor condicionamento físico, mais disposição para correr e menos chances de lesão muscular durante o exercício. “Para mim, a prática da corrida trouxe outro momento de vida. Além do condicionamento, eu durmo melhor, me sinto mais leve, tenho mais ânimo e meu raciocínio está mais rápido”, diz.

Carlos Ribeiro, 43, outro praticante de corrida de rua, costuma dizer que correr é um “vício saudável”. “O sedentarismo é uma doença. A corrida é um exercício completo, que melhora inclusive a nossa respiração. Eu treino três vezes por semana e não consigo mais ficar sem”.

Carlos Ribeiro: “a corrida é um vício saudável”
Roberto Soriani: disposição e bom-humor vieram com a corrida

Onde correr?

Para quem vai começar a praticar corrida, o ideal é escolher um lugar plano, arborizado e sem muito movimento de carros. Os parques são sempre uma boa opção. Na região do Tatuapé, o lugar mais procurado é o Parque Esportivo do Trabalhador, antigo Ceret, onde se pode criar diversos trajetos. Tem também o Parque do Piqueri, que já atrai alguns praticantes, e a pista de 12 km que corre paralela à linha vermelha do metrô e vai das estações Tatuapé até Corinthians-Itaquera.

Para quem quiser encarar as ruas, é bom já ter alguma experiência e escolher bem o trajeto. Uma dica é fazê-lo caminhando para observar todos os obstáculos que serão encontrados. Como a poluição pode causar desconforto, o melhor horário para correr é o começo da manhã, quando a qualidade do ar costuma ser melhor.

Se você já corre e quer descobrir novos trajetos, uma dica é consultar o site webrun, onde é possível buscar rotas na sua região criadas por outros corredores. Há diversas opções pelo Tatuapé.

10 motivos para correr

Se você ainda não se animou a sair correndo por aí, Cacá dá 10 motivos para você mudar de ideia.

1. Coração: a corrida exige que o coração aumente o fluxo de sangue para todo o corpo. Ele bombeia mais sangue com menos batidas, se tornando mais eficiente. Com o aumento da circulação sanguínea pelo corpo, cresce a entrada de oxigênio nos tecidos.

2. Pulmões: correr faz com que o volume de ar inspirado seja maior, aumentando a sua capacidade de respiração. Há também um aumento da quantidade de oxigênio absorvido do ar atmosférico.

3. Ossos e articulações: estimula a formação de massa óssea, aumentando a densidade óssea e evitando problemas como a osteoporose. Correr torna a cartilagem das articulações mais espessa, o que protege melhor essas regiões tão frágeis do nosso corpo.

4. Pressão arterial: correr estimula a vasodilatação, o que reduz a resistência para a circulação de sangue. Há trabalhos específicos para alunos hipertensos, como trabalhar a velocidade em terrenos planos.

5. Cérebro: aumenta os níveis de serotonina, neurotransmissor que regula o sono e o apetite. Em baixas quantidades, essa substância está associada ao surgimento de problemas como a depressão.

6. Peso: quanto maior a intensidade do exercício maior a queima calórica e de gordura. A corrida ajuda a gastar muitas calorias, favorecendo a perda ou manutenção do seu peso. Em uma hora de treino, um atleta chega a queimar até 950 calorias.

7. Colesterol: diminui os níveis de LDL (colesterol “ruim”). Corredores de longas distâncias têm o nível mais alto de HDL (colesterol bom), encarregado de transportar os ácidos graxos no sangue e de evitar o seu depósito nas artérias.

8. Estresse: com a corrida, há liberação do hormônio cortisol, aliviando o estresse e a ansiedade.

9. Sono: fazer atividade física melhora a qualidade de sono. Após o exercício, o corpo libera endorfina, substância que provoca a sensação de bem-estar e ajuda a relaxar.

10. Rins: com o aumento da circulação, há também uma melhora da função dos rins, que filtram o sangue e reduzem o número de substâncias tóxicas que circulam pelo corpo.

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