Tatuapeense mirim para presidente 0 1261

Dirigida por Fábio Barreto, a cinebiografia “Lula, o filho do Brasil” tem como destaque o menino Felipe Falanga, que interpreta Lula, ainda no agreste de Pernambuco

Luz, câmera e ação. Declaradamente um talento mirim, o pequeno Felipe Falanga, de oito anos, já sabe de cor como gravar comerciais e encarar longas sessões de fotos para estampar outdoors e catálogos, já que ele vive nesse meio desde os quatro anos. No extenso currículo, o ator, morador do Tatuapé, também acumula participação como figurante em quadros como o ‘Galerinha’, do extinto programa Gente Inocente e, no ‘Lendas Urbanas’, do Domingo Legal, pelo SBT.

Mas, ser selecionado entre crianças do Brasil inteiro para participar de um longa-metragem sobre a vida do presidente da República foi uma alegria e tanto para a família de Falanga. Ainda mais depois de saber que ele interpretaria o próprio Lula, com sete anos de idade. A mãe, Rosana, acompanhou grande parte das filmagens, que iniciaram em Garanhuns, no agreste de Pernambuco: “Estou orgulhosa de meu filho fazer o papel do presidente quando menino. Ele sempre diz que quer ser artista”, conta.

Com previsão de estreia para o começo de 2010, o filme biográfico é baseado no livro homônimo escrito pela jornalista Denise Paraná e narra a história de Luiz Inácio Lula da Silva de seu nascimento até a morte de sua mãe. Fábio Barreto e Daniel Tendler completaram o roteiro, enquanto o escritor Fernando Bonassi aperfeiçoou o texto.

AS FILMAGENS EM GARANHUNS E SANTOS

Devidamente customizado para viver o menino pobre do nordeste brasileiro que se tornou presidente, Falanga precisou se dedicar às gravações. “No teste final, já percebi que seria difícil, pois precisamos gravar uma cena muito forte do pai do Lula, Aristides, batendo na mãe, Dona Lindu, e fui aprovado porque consegui segurar o choro”, lembra Falanga. Capoeiras, Garanhuns e Caetés (Pernambuco) serviram de locação ao épico que materializa um velho ditado em torno da biografia do presidente: “Sua vida dá um filme”. A tia de Falanga, Cecília Alves da Silva, também levou o pequeno nas gravações. “Nas viagens, o Felipe teve direito a um acompanhante, então revezei com a mãe dele, pois ela trabalha, então não pôde comparecer todos os dias. Não foi fácil, precisamos mobilizar a família para segui-lo, mas valeu a pena, é uma emoção e tanto saber que ele está tendo essa oportunidade de ouro”, declara Cecília.

Na companhia de sua família, Lula, ainda interpretado por Falanga, deixa sua terra de pau-de-arara e vai ao encontro de seu pai, que trabalha como estivador no Porto de Santos. O Centro Histórico de Santos, em especial a esquina das ruas XV com Frei Gaspar, defronte da Bolsa de Café, além da Bacia do Mercado foram palcos para as tomadas do longa-metragem. “Em Santos, gravei cenas como engraxate e vendedor de laranjas, com figurinos dos anos 1950, mas foi muito divertido, pois também pude gravar algumas cenas brincando com o Bruno Teles, que interpretava o meu irmão Franchico”, lembra o ator mirim. Aliás, o próprio Franchico da Silva assistiu parte das filmagens e interagiu com o elenco.

Atrás, da esq. Marinete; Dona Lindu (a matriarca da família Silva); Ziza; também conhecido como Frei Chico; Zé Cuia e Vavá; Na frente, Maria; Tiana – no colo de Dona Lindu e Lula (aos 7 anos)

O ELENCO

Nunca na história deste País, um trabalhador deu um salto tão rápido em sua carreira, por isso foi um grande desafio encontrar o elenco ideal para contar a vida desse brasileiro de postura forte e, ao mesmo tempo, humilde. Com características bem peculiares, Falanga passou o papel para Guilherme Tortólio, também morador da região Leste de São Paulo, que interpretou o presidente na fase adolescente e, para Rui Ricardo Dias, que compôs o personagem aos 30 anos, oito quilos acima do peso, com a barba por fazer e mantendo um esparadrapo cor-da-pele preso ao dedo mínimo, para simular a amputação na mão do presidente. Nas cenas, além do adesivo e da maquiagem que o disfarça, as câmeras evitam certos ângulos para garantir mais veracidade à característica física.

A história se passará entre a infância de Lula e a morte de sua mãe, que ocorreu quando ele estava preso, acusado de liderar greves ilegais no ABC. Na produção, Glória Pires viverá Eurídice Ferreira de Melo, mais conhecida como Dona Lindu, a matriarca da família Silva e  esposa de Aristides, vivido por Milhem Cortaz. Já, Cléo Pires será Maria de Lourdes da Silva, irmã do presidente, Lucélia Santos representará a professora de Lula e Juliana Baroni reinará como Marisa Letícia Lula da Silva, companheira e primeira dama do país.

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